Marcelo Segredo

Marcelo Segredo | As verdades sobre a entrega amigável do veículo

Escritórios de cobrança induzem consumidor a crime

Mais uma vez consumidores estão sendo vítimas de práticas abusivas dentro do mercado de consumo. Com a crise financeira se alastrando e contaminando grande parte da sociedade brasileira, as dívidas que antes não existiam começam a dar dores de cabeça. E, claro, as dívidas mais complicadas de se renegociar são as bancárias, onde muitos juros abusivos são cobrados.

Entre as maiores dívidas dos brasileiros está o financiamento de veículo. Os bancos além de embutirem tarifas e taxas irregulares nos contratos, ainda fazem propostas indecentes aos consumidores. Os bancos e os seus escritórios de cobrança induzem os devedores em momento de desespero a fazerem a entrega amigável do veículo, com a finalidade de quitar o financiamento, e na expectativa de evitar a busca e apreensão do carro, o devedor cai na armadilha da entrega amigável.

A princípio a proposta parece interessante, principalmente porque as pessoas se imaginam livre da dívida contraída, evitando-se pedidos de busca e apreensão, execução judicial, penhora de bens, restrições do nome perante os órgãos de proteção ao crédito e, o principal, acabar com as ameaças feitas pelos escritórios de cobrança.

O problema surge quando a pessoa vai formalizar a entrega amigável do carro, ou seja, quando vai assinar toda documentação. Como sempre, os bancos se valem de cláusulas obscuras e termos desconhecidos pelos consumidores leigos no assunto. No entanto, essa simples assinatura pode complicar ainda mais a situação.

Quando se faz a entrega amigável do veículo, a financeira exige a assinatura de um Termo de Responsabilidade por Perda do Documento Único de Transferência (DUT), fazendo com que a responsabilidade sobre o bem continue sob a custódia do consumidor, por exemplo, se o veículo for utilizado para a prática de crimes.

O jogo dos bancos é o seguinte: altera-se somente o endereço do antigo proprietário do veículo, para que se eventualmente as autoridades e o poder público o procurarem, não o encontrem. Porém, perante o DETRAN e demais órgãos de trânsito, o nome e os dados do antigo proprietário ainda irão constar. Ou seja, o banco fica com seu carro, porém toda e qualquer responsabilidade fica com o consumidor. Fora isso, o consumidor não é avisado que o carro irá para um pátio, e que será cobrado do consumidor futuramente uma diária de R$ 250 em média. Sendo assim, se o veículo ficar mais de 45 dias aguardando para ser leiloado irão cobrar R$ 11.250 só de pátio, fora o guincho (R$ 1 mil), honorários advocatícios (R$ 2 mil), dentre outras falcatruas mais.

Veja esse exemplo: suponha que você possua um financiamento, e que ainda falte pagar R$ 10 mil, e que o valor de mercado do veículo seja de R$ 25 mil. No leilão, será vendido por menos da metade do seu preço de tabela: R$ 12 mil. Por aqui, presume-se que você ainda receberá um crédito de R$ 3 mil, certo? Errado. A máfia da busca e apreensão não funciona bem assim.

Considerando que seu carro ficou 45 dias no pátio (R$ 11.250) + guincho (R$ 1 mil) + honorários (R$ 2 mil), podemos acrescer ao montante da sua dívida mais R$ 14.250. Ou seja, você fica sem o carro, deixa seu nome negativado e ainda fica devendo para eles R$ 12.250.

Por essas e outras práticas abusivas utilizadas pelos bancos, é importante que, antes de tomar decisões importantes, o consumidor faça uma pesquisa e procure um profissional adequado para orientá-lo quanto aos riscos do negócio que está sendo feito.


marcelo-segredoConsultor financeiro, palestrante, ex-presidente da ONG ABC (Associação Brasileira do Consumidor), criador da “Clínica Financeira” e “Casamento & Negócios”, diretor presidente da Marcelo Segredo Assessoria Empresarial
Fone: 3360-2902
site: www.marcelosegredo.com.br
e-mail: [email protected]



Topo