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Professores, pais e alunos se preparam para a volta às aulas

Professores, pais e alunos se preparam para a volta às aulas

Volta às aulas

Não é de hoje - infelizmente - que grande parte de pais e mães são obrigados a ficar horas (quiçá dias) em filas nas portas de escolas (ainda que as de lata já fossem substituídas pelo Governo Kassab) Estaduais e Municipais para obterem uma vaga para seus filhos.
(E a Constituição brasileira é clara quando diz que a Educação é um dever do Estado e um direito do cidadão, com "igualdade de condições para o acesso e permanência na escola")
Esse transtorno não advém apenas e tão somente da falta de vagas (crianças nascem todos os dias; vagas nas escolas não surgem na mesma proporção), provocada pela chegada de novos alunos. Advém - também - da chegada de famílias de outras Cidades e/ou Estados e até da mudança de bairro, provocando verdadeira corrida dos pais, num jogo de pura sorte para que seus filhos possam estudar. E o Estado - estagnado - pouco ou nada faz para que esse quadro melhore; ou seja: não são construídas novas escolas para atender essa demanda; não são reformadas as já existentes para ampliar as salas de aula; não são contratados mais profissionais para preencherem lacunas (alunos são mandados de volta para casa por falta de professores); não há modernização dessas escolas com computadores, por exemplo. A segurança é um capítulo à parte que requer atenção e cuidado redobrados.
Falando especificamente da Zona Norte de São Paulo, foi constatado que faltam mais de 10 mil vagas só para as crianças de até cinco anos de idade (capítulo IV do artigo 208 da Constituição), sendo mais de 8 mil em creches e mais de 4 mil nas pré-escolas.
E as crianças que ficam fora das escolas no decorrer do ano ou ficam nas ruas ou sozinhas em casa (às vezes, com irmãos mais velhos, também crianças), ou ainda, à mercê do "poder" paralelo, pois seus progenitores precisam trabalhar para lhes dar o sustento? Essas crianças ficam expostas a todo tipo de infortúnio, além de terem suas vidas em constantes riscos.
Depois de conseguirem matricular seus filhos nas escolas, os pais têm outra preocupação: o transporte escolar. Sobre esse quesito, o Procon concede algumas orientações:
*o veículo e o motorista que prestam serviço de transporte escolar devem ser credenciados na Prefeitura;
* buscar informações sobre o motorista com outras pessoas que já tenham utilizado o serviço;
* checar informações sobre o mesmo no Sindicato dos Transportes ou no próprio Detran;
* obter o endereço e o telefone do motorista;
* observar como ele recepciona as crianças na porta da escola;
* verificar as condições de higiene, conforto, segurança do veículo; se há cinto de segurança para cada criança; se as janelas não abrem mais que 10cm;
* constar por escrito tudo o que foi acordado à época da contratação.
Depois de toda essa maratona e antes do início das aulas, sente com seus filhos e converse sobre todas as dificuldades enfrentadas até a presente data. Quem sabe - assim - eles se dedicarão com mais afinco aos estudos.
Porém, esse é apenas o fim de uma etapa. Outras, no decorrer do ano letivo, deverão ser defrontadas por todos - pais e filhos.
Aos pais cabe o acompanhamento diário. Faz-se necessário saber se o filho está acompanhando o curso; conhecer suas dificuldades e tentar dirimi-las. Entender se elas são exclusivas de seu filho ou se outros alunos também a têm, porque, caso as dificuldades sejam coletivas, é bom procurar a diretoria da escola e solicitar uma reunião, antes que o problema tome proporções astronômicas e a repetição seja inevitável.
Mas os pais também devem saber do comportamento de seus filhos, e não simplesmente os terem como vítimas desse sistema. Ninguém é santo, a ponto de, se suspenso, alegar inocência. Professores, orientadores, inspetores de alunos e até outros estudantes devem ser respeitados, para que seu filho também o seja.
Além de estudar e não "matar" aula para ir ao cinema ou ao fast food com os amigos, os filhos devem comunicar seus pais sobre as anomalias que, por ventura, ocorram, como: falta de professor sem substituto, falta ou insuficiência de merenda, classes superlotadas onde os alunos ficam amontoados, falta de material didático, ausência de atividades curriculares, divergência ou ameaça de colegas, supostas perseguições dos orientadores.
Juntos - pais e filhos - devem analisar cada item e procurar uma solução plausível, sem ser tendenciosa. Afinal, todas as escolas devem ter a participação efetiva da comunidade, pois elas não são apenas o local onde os alunos buscam aprendizado. As escolas são as "casas" do saber, o local de onde poderão surgir futuros políticos, esportistas, escritores, artistas. Delas, os alunos levarão histórias e estórias que marcarão para o resto de suas vidas. Que elas possam ser muito bem vividas, para o bem da comunidade e da Nação.
E mais: não destrua sua escola, porque depois de você, outros alunos precisarão sentar nesses mesmos bancos escolares. Conservar esse patrimônio também é ser cidadão.
Outros cuidados
e atenções
Lamentavelmente, os pais precisam estar atentos, por exemplo, também quanto às condições que as escolas oferecem como: se o espaço adequado para a prática de aulas de educação física (vale lembrar que, se por algum motivo de restrição de saúde física, o aluno não possa participar dessas aulas, deve encaminhar à escola relatório médico e horário em que precisa ingerir remédios) está em perfeitas condições de uso; se as salas de aula não estão superlotadas dificultando o atendimento do professor e o entendimento do aluno.
Também é necessário conversar com os filhos sobre o respeito aos professores, pois, hoje, grande parte das escolas que não os tem, é porque eles se recusam a lecionar nesses estabelecimentos, para não sofrerem violência física, emocional e moral por parte de alunos que não trazem a educação de casa.
Tudo comprado, exposto, falado, discutido? Então, bom período de aulas!


Fonte: Maria da Graça FSN
sp.norte@terra.com.br

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