Matéria da Semana

Jardim São Paulo comemora 72 anos de fundação, histórias e modernização

Jardim São Paulo comemora 72 anos de fundação, histórias e modernização

Av. Leôncio de Magalhães, principal via do bairro

O bairro do Jardim São Paulo, contíguo ao bairro de Santana, pode se considerar privilegiado, começando pelo nome: o mesmo da Cidade que o abriga - São Paulo, a terceira megalópole do mundo, que, assim como o Jardim São Paulo, também foi colonizada por portugueses e italianos, entre outros povos que para cá se dirigiram em busca de novas terras (quiçá - Pátria) e de paz.
Mais uma vez, a equipe do Jornal SP Norte, juntamente com a Associação Amigos do Mirante do Jardim São Paulo, foi conversar com alguns daqueles que, nos idos anos de 1930/40, chegaram a esse pedaço de chão para fincarem moradia, constituírem família e abrirem os primeiros pontos comerciais, em meio à grande quantidade de jabuticabeiras existentes, e somarem-se aos primeiros fazendeiros e chacareiros, que chegaram ao Jardim São Paulo, efetivamente, em 17 de julho de 1938. (esses registros e suas histórias estão apenas na memória deles, visto que nada consta nos arquivos da Prefeitura. Lá, estão apenas alguns dados dos principais Distritos da Capital)
O bairro narrado pelos
primeiros moradores
Reunimo-nos todos onde foi a Mansão dos Carvalho, e onde havia um grupo escolar construído de madeiras - hoje, o Centro Empresarial e a Estação do Metrô Jardim São Paulo, para um bate-papo sobre como era o bairro.
Uma das lembranças mais marcantes está registrada não só na memória desses primeiros moradores, mas também na história de São Paulo e do Brasil. É que o Jd. São Paulo elegeu, em 1955, a moradora Ethel Chiaroni, Miss São Paulo e vice-campeã no Miss Brasil.
Mércia Rezegue - há 66 anos no bairro - Professora, Mércia lecionou por 24 anos no atual EMEI Arthur Edson, tendo estudado, em 1944, no Colégio Santana. Por motivo de saúde de seu pai e a conselho dos médicos, a família Rezegue mudou-se para o Jd. São Paulo, porque tinha, à época, os melhores clima e ar. Mércia lembra que plantou árvores no Parque Domingos Luiz, que acompanhou a construção de cada casa no Jd. São Paulo, que assistiu à 1ª Missa Campal no bairro, que sempre teve excelente familiarização com os vizinhos. E finaliza: ´para mim o Jd. São Paulo é tudo. Não saio daqui por nada´.
Eurydice Borghi - há 68 anos no bairro - Estudei no Frontino Guimarães e cheguei aqui durante a guerra de 1942, e as dificuldades iam desde enfrentar fila na padaria Moravia para buscar farinha e açúcar, até andar tudo a pé em ruas de barro e sem luz elétrica. Algumas lembranças não posso deixar de falar, como a figueira que precisava de dez pessoas para abraçá-la; o Sr. Geninho, que era criador de gado leiteiro e trazia seus animais para pastarem aqui no Jd. São Paulo, além de vender o leite perto da Igreja de Nossa Senhora da Salette; do bonde que, em 1950, tinha a linha 46 que passava só lá na Conselheiro Moreira de Barros, de uma em uma hora, e fazia final na padaria Novo Mundo e ia até a Santa Ifigênia. Próximo a essa padaria tinha a vendinha do Sr. Antonio e da Dona Sara, que também cuidavam das jabuticabeiras, cujos frutos eram vendidos para o restante da cidade. E ainda tinha o armarinho da Dona Iglê, a escola primária particular, do Sr. Paulo e de seus irmãos, num sobrado da Av. Leôncio de Magalhães, que hoje é o Colégio Jardim São Paulo. Lembro-me também que cinema só tinha lá em Santana, na Rua Vol. da Pátria depois da Av. Braz Leme. Era um barracão que passava filmes em série. Ah! também andei de bicicleta pela Leôncio de Magalhães - quando já era toda em paralelepípedo.
Maria Iolanda - há 11 anos no bairro - Sempre ouvia falar do Jd. São Paulo porque, desde 1979, estou na Zona Norte como professora do Frontino Guimarães. Hoje, moro aqui e usufruo de toda essa maravilha em que se tornou o bairro. Faço parte do Clube-Escola Jd. São Paulo, que considero minha segunda casa; faço caminhadas no Parque Domingos Luiz e atuo nas igrejas Salette e Nossa Senhora Aparecida. Porém, minha maior preciosidade são os amigos que fiz aqui no Jd. São Paulo, o lugar que escolhi para morar.
José Joaquim Agueda - há 72 anos no bairro - Vim definitivamente para cá em 1952, mas desde 1938, quando começaram a lotear o Jd. São Paulo, eu comprei alguns lotes que ninguém queria porque aqui não tinha nada, e comecei a construir. Era tudo barro e eu nem conseguia andar com o meu cadillac. A 1ª rua asfaltada foi a Tobias Marcon. Lembro-me também que fui eu mesmo quem ´puxou´ um cabo de telefone lá da Rua Dr. Zuquim até a minha casa. O lado triste de todo esse progresso, na minha opinião, foi a derrubada das jabuticabeiras para a ocupação de casas. E digo mais: quem vem para cá, não quer mais sair daqui.
Luzia Borghi - há 68 anos no bairro - A minha foi a primeira casa a ser construída aqui na Rua Durval Clemente, quando as ruas eram de barro roxo meio avermelhado. Posso dizer que a grande maioria que se mudava para cá era moradores do Bom Retiro. Hoje, com 93 anos, Dona Luzia lembra que a inauguração dos primeiros postes de luz, por volta de 1945, foi lá na Leôncio de Magalhães, com a presença do Prefeito e muito churrasco para todos os moradores. Também conta que o Jd. São Paulo tinha uma única farmácia - a do Sr. Capeline; algumas chacarazinhas com horta e árvores frutíferas, que eram cuidadas pelos poucos escravos que restaram.
Na altura do nº 426 da Av. Leôncio, Luzia abriu o primeiro salão de beleza do bairro, onde fez a cabeça (risos) das senhoras da alta sociedade do bairro, como as esposas dos militares; entre elas, a Sra. Faruíde. Depois, passou a atender em domicílio. Posso dizer que vi esse bairro crescer. Agora, tem tudo aqui; menos as jabuticabeiras e as quaresmeiras; o gado e o leite fresquinho; as verduras colhidas e vendidas pelos antigos chacareiros.
Hora do recreio
(e das recordações)
Quando do término dessa conversa, verdadeira aula de história, esses senhores começaram a falar todos ao mesmo tempo, das brincadeiras e das raríssimas opções de lazer que tinham à época: lembraram que, na esquina da Av. Leôncio de Magalhães com a Rua Outeiro da Cruz, ficava um circo onde, além das apresentações circenses, tinha um convidado muito especial: Silvio Santos que ia lá fazer shows com seus macaquinhos. Outra lembrança os remeteu aos bailinhos e às festas que eram realizadas na garagem da casa da Fani, a maior delas na Leôncio com a Mirante. Lembraram também quando escorregavam sentados (hoje - skibunda) pela ladeira da Av. Leôncio de Magalhães; e de quando um daqueles elegantes senhores, trajando impecável terno branco e calçando um sapato bicolor, segurou um bode que pastava e este, sentindo-se prisioneiro, saiu em disparada, levando consigo pelas ruas de barro o senhor de terno branco - depois roxo avermelhado. Essa turminha ficou com suas lembranças, e a equipe do jornal SP Norte com a verdadeira história do Jardim São Paulo.
Moradores ilustres
Todos os nossos entrevistados falaram dos moradores que foram notícia naqueles idos anos, (alguns deles inda vivos) e moraram no bairro: Francisco Egydio, Tony Angeli, Lílian, os Vips, Antonio Marcos, Sérgio Reis e tantos outros que eles disseram não se recordarem naquele momento.


Fonte: Jornal SP Norte
sp.norte@terra.com.br