Marcelo Segredo

Marcelo Segredo | A verdade sobre a queda dos juros no cartão de crédito

O recordista de juros no Brasil é do famigerado cartão de crédito. Em uma sociedade cada vez mais instigada ao consumo, faz com que esse serviço seja uma verdadeira mina de ouro para as instiuições financeiras. Mas pelo lado do consumidor, esta talvez seja a maior armadilha e o grande vilão dentre todas as operações financeiras disponíveis.

Sob o pretexto de que algo seria feito em benefício do povo, foram aprovadas no ano de 2017 algumas mudanças nas regras do cartão de crédito. Agora, o banco é obrigado a fornecer um parcelamento ao cliente, quando este estiver devendo a mais de 30 dias. Além disso, extinguiram  pagamento mínimo de 15% para quem entra no rotativo. Entretanto, será que essas novas normas vieram mesmo para ajudar?

A armadilha continua

Não é porque o banco não pode cobrar um percentual mínimo de pagamento no rotativo do cartão de crédito, que isso não existe mais. Agora é o banco que determina qual o percentual mínimo que o seu consumidor irá pagar, de acordo com o perfil de cada cliente e o relacionamento com a instituição.

Ou seja, sendo muito objetivo: ficou ainda mais fácil para o banco manusear as negociações conforme seu interesse. E outra: supondo que o banco aceite o pagamento mínimo de 5% para um determinado cliente (portanto, menor do que os 15% de antes), isso quer dizer que o saldo a ser financiado posteriormente será ainda maior, com uma taxa de juros ainda muito alta, o que vai fazer com que o valor da dívida suba ainda mais.

Os bancos podem cobrar a taxa que quiserem

Para variar, o governo mais uma vez está chancelando as práticas bancárias peritindo que cobrem aquilo que julgarem melhor para eles. Isso porque o Conselho Monetário Nacional autorizou a aplicação de juros de mora e multa, bem como pela falta definição de uma taxa média de mercado equilibrada.

Qual seria a taxa de juros agora?

Ninguém sabe. Primeiro porque os contratos de cartão de crédito carecem dessa informação, embora essa prática viole diretamente o Código de Defesa do Consumidor, no tocante ao direito de informação. Segundo que as taxas de cartão de crédito se baseiam em uma taxa média de mercado, sem que ninguém saiba o que ou quanto isso pode significar.

As formas de resolver problemas com cartão de crédito

O primeiro passo para quem está em um ciclo de endividamento ou em vias de entrar nele, é não cair nas armadilhas que o banco se propõe. Portanto, buscar informações e até mesmo procurar ajuda profissional qualificada para entender melhor a situação, é sem dúvida a melhor saída.

É importante também ter um acompanhamento na hora de renegociação. Um novo contrato assinado pode gerar descontos de até 90% do saldo devedor, ou triplicar o valor do débito por meio de confissões de dívida. A certeza de que está se fazendo um bom negócio é o que o consumidor precisa procurar em um momento de adversidade.


marcelo-segredoConsultor financeiro, palestrante, ex-presidente da ONG ABC (Associação Brasileira do Consumidor), criador da “Clínica Financeira” e “Casamento & Negócios”, diretor presidente da Marcelo Segredo Assessoria Empresarial
Fone: 3360-2902
site: www.marcelosegredo.com.br
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