Apesar das medidas da Prefeitura, população de rua teme contaminação em massa

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Desde o inicio da pandemia do novo coronavírus (Covid-19) pelo mundo, as autoridades públicas e especialistas na área de saúde recomendam que as pessoas não saiam de casa. No entanto, essa orientação de nada vale para a população que está em situação de rua.

Atualmente a cidade de São Paulo possui 24,3 mil de pessoas que vivem nas ruas, segundo Censo da Prefeitura. Porém os profissionais da assistência estimam que existem de 30 a 40 mil pessoas em situação de rua.

Por conta desse contingente populacional, o risco de contagio é grande, pois como diz Darcy Costa, coordenador estadual do Movimento Nacional dos Moradores de Rua em São Paulo (MNMR-SP), grande parte dessa população vive em coletivos, como malocas, onde não existe privacidade ou isolamento.

No inicio dessa semana, a Prefeitura informou que irá criar abrigos emergenciais exclusivos para acolher as pessoas em situação de rua com suspeita da doença. Ao todo, serão cinco novos centros emergenciais, com 400 vagas.

De acordo Censo da gestão municipal, mais de 3 mil pessoas em situação de rua têm mais de 60 anos, ou seja, estão no grupo de risco.

Além dos centros de acolhida, a Prefeitura e a Sabesp vão construir 10 lavatórios no centro da cidade. O objetivo é proteger a população contra o vírus. Eles serão implementados onde a população de rua tem mais acesso, confira os endereços:

  • Praça Ouvidor;
  • Pacheco;
  • Largo São Bento;
  • Largo do Paissandu;
  • Pátio do Colégio;
  • Praça da República;
  • Largo do Arouche;
  • Parque Dom Pedro II;
  • Largo General Osório; e
  • Praça da Liberdade.

População de rua teme contaminação em massa

Apesar das medidas da Prefeitura, entidades e movimentos sociais que trabalham com a população em situação de rua, criticam a falta de controle do Covid-19 na população de rua. Segundo Darcy “Não se tem critérios bem definidos de como será feito o serviço e acompanhamento do controle do vírus”.

ZONA NORTE

Quem passa por Santana já havia notado esse aumento da população em situação de rua. Tanto é que este foi o tema principal da audiência pública regional de Santana/Tucuruvi, ocorrida em julho de 2019. Na ocasião, o líder comunitário João Santo alegou que a via onde houve mais atendimento de pessoas desabrigadas foi a av. Cruzeiro do Sul.

Além disso, em setembro a Prefeitura encerrou o contrato de duas entidades responsáveis em administrar os centros de acolhidas Zaki Narchi 2 e 3, de Santana. Os dois albergues fazem parte do Complexo Zaki Narchi, que abriga três centros de acolhida, somados eles atendem 900 pessoas. Na ocasião, a justificativa da gestão municipal foi em razão do “contigenciamento de recursos“.

Ainda no ano passado, a Prefeitura transferiu o serviço Atende (Atendimento Diário Emergencial) da República para a Armênia, bem próximo ao Shopping D. O serviço realizava atendimento à população em situação de rua, em especial da cracolândia. Atualmente ele funciona como Siat 2 (Serviço Integrado de Acolhimento Terapêutico) de maneira experimental.

Com a medida, os usuários da cracolândia serão atendidos na Armênia. Segundo a gestão municipal, os usuários estão sendo abordados pelos assistentes sociais e levados de forma voluntária.

A decisão causou polêmica entre os moradores da zona norte, ocasionando protesto com a justificativa de que a mudança de endereço aumentaria ainda mais a concentração das pessoas em situação de rua na região.

De acordo com informação da própria Prefeitura, o novo equipamento tem a capacidade de atender 300 pessoas por dia. Ele ficava localizado na rua dos Gusmões, a 2,7 quilômetros de distância do novo espaço, segundo o trajeto mostrado pelo Google Maps.