Apesar de maioria favorável a renda universal, região se mostra conservadora

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O que você faria se tivesse uma renda básica, um benefício dado pelo governo independentemente de sexo, raça, religião ou condição socioeconômica? Você sabia que tramita na Câmara dos Vereadores um projeto que visa destinar uma verba (Renda Básica de Cidadania) a qualquer pessoa residente na capital há, pelo menos, cinco anos? Você concorda ou é contra?

Essa foi uma das perguntas da nova pesquisa realizada pela Rede Nossa São Paulo, em parceria com o Ibope Inteligência e o Sesc São Paulo. O levantamento “Viver em São Paulo – Assistência Social na Cidade”, divulgado na última quarta-feira (18/7), apontou este e outros temas, como políticas públicas na região da Cracolândia, violência doméstica e população de rua.

São favoráveis à renda básica 55% dos paulistanos. Outros 30% são contra e 15% não souberam responder. De modo a refletir as contradições sociais da cidade, a maioria favorável é integrante da classe C, é preto ou pardo, possui menos escolaridade e idade entre 25 a 34 anos – faixa etária que sofre de maneira direta os impactos da crise econômica.

Entre os contrários, conservadores: pessoas mais escolarizadas, da classe A, brancos, homens e mais velhos (45 a 54 anos).

Região é conservadora com projeto

A Zona Norte é uma das menos favoráveis à renda básica: 47% se dizem a favor, número pouco superior ao da Região Central (46%). É, também, uma das que mais é contra o projeto: 33% – novamente, o Centro é líder neste quesito (38%). Na Norte, 20% declararam-se indecisos.

Experiências de renda básica universal são realizadas em todo o mundo. Por aqui, o modelo que mais se aproxima é o Bolsa Família, destinado à parcela mais pobre da população – um tema que suscita debates extremos, desde o benefício que essas famílias necessitam para viver com um mínimo de dignidade, à pecha de “vagabundos que mamam nas tetas do governo”.

Esse tipo de renda, sem estratificar a sociedade, também não exige contrapartidas, como trabalhar ou frequentar escolas. Muitos desses experimentos são recentes, surgidos por conta das diversas transformações da sociedade.

O trabalho autônomo das máquinas é um desses motivos, já que os postos de trabalho – em fábricas, por exemplo – elimina o trabalho braçal e dá lugar a robôs, automatizando os processos. Sem empregos, e com a precariedade da formação profissional de muitos – não só no Brasil –, a renda básica supriria as necessidades de uma população que ficará desprovida de trabalho e salário.

Especialistas também concordam que a aplicação de uma renda universal ajudaria a diminuir as desigualdades sociais, uma melhor distribuição de renda, sendo tão importante quanto a saúde e educação. Ou seja, seria um investimento, e não um “gasto”.

O projeto de lei da renda básica universal é do Vereador Eduardo Suplicy (PT) e tramita na Câmara desde 2016.

Para Zona Norte, situação na Cracolândia se resolve “na bala”

A pesquisa também questionou moradores de todas as regiões sobre medidas que podem ser adotadas na Cracolândia.

Novamente, a Zona Norte exibe todo o seu temerário conservadorismo em ser a que menos apoia a “construção, no local, de unidades de saúde especializadas para atender exclusivamente os usuários de drogas” (38%), e é a que mais considera que “solicitar ajuda das forças armadas para combater o tráfico e o consumo de drogas no local” resolverá a situação na Cracolândia: incríveis 30%, 6% a mais que em regiões como Centro e Sul. Esses números se referem à soma das três mais citadas pelos moradores.

Foto: Alan White/Fotos Públicas

População de rua: ao mesmo tempo que quer “despachar” moradores, região concorda com capacitação profissional

Se uma das soluções para a Cracolândia se resume “à bala”, a população de rua também passa pelo olhar insensível de parte dos moradores da Zona Norte. É a que menos considera ampliar a rede de atendimento (21%), e a que mais deseja que essa população “ganhe” uma passagem para voltar a seus lugares de origem (28%). A proibição de que pessoas durmam na rua e obrigar que todos encontrem um lugar para morar é outro tema que a região lidera (18%).

Por outro lado, dois números positivos: é a que mais considera a criação de cursos que capacitem esses moradores para o mercado de trabalho (38%) e a mais favorável à criação de medidas que incentivem empresas a contratarem essas pessoas (37%).

Clique AQUI e confira a íntegra da pesquisa.