Cultura e Lazer

Bridge: conheça o jogo que é considerado “o xadrez das cartas”

Bridge. Talvez você já tenha ouvido a palavra, que significa “ponte” em inglês. Mas ela tem outro significado: bridge é um jogo de cartas em que o uso da mente e da comunicação é determinante para a vitória – ao contrário de outros jogos em que a sorte é parte fundamental. No bridge, conhecido como “o xadrez das cartas”, não existe azar.

Duas duplas se enfrentam. Em cada rodada, é usado um baralho inteiro. O jogo é separado em duas partes: o leilão, onde cada jogador usa um sistema para se comunicar com o parceiro, explicando quais cartas têm à mão. Com isso, compete pelo direito de disputar a segunda fase. A segunda parte é o carteio. A dupla vencedora do leilão deve cumprir um objetivo, que muda de acordo com o que foi feito naquela primeira etapa. A segunda dupla tenta impedir esse objetivo.

Por fim, a disputa é por comparação de resultados, já que a mesma distribuição de cartas é jogada por outras duplas. O vencedor é declarado a quem obter o melhor resultado jogando com as mesmas cartas.

Muito popular na França, Itália, Israel, Estados Unidos, Polônia, China, entre outros, o bridge tem origem inglesa (e de outro jogo, o whist). Chegou ao Brasil depois da Primeira Guerra Mundial, mas ainda é pouco conhecido. Porém, é praticado por mais velhos, que querem exercitar o raciocínio, mas atrai jovens ligados, principalmente, a áreas que envolvem números ou áreas exatas. Afinal, o bridge usa lógica, probabilidade e suposições.

Nesse cenário, um grupo de jovens paulistanas está prestes a participar do campeonato mundial em Wuijang, na China, em agosto, organizado pela Federação Mundial de Bridge. Julia Machado, integrante da equipe brasileira juvenil de bridge (até 25 anos), é uma das integrantes do grupo de cinco jogadoras – Mirela Cavalcanti, Julianne Lobato, Isabelle Perez e Taís Battaglia completam o time. Estudante da USP, Julia e as parceiras visam chegar ao outro lado do mundo – mas não é um caminho tão fácil.

Ainda que jogos como o bridge, xadrez e pôquer tenham sido considerados como “jogos da mente” e, portanto, esportes, pela Câmara dos Deputados, as verbas federais não existem. Com isso, acabam dependendo da ajuda das federações e de doações. “As federações nos ajudam cedendo espaço para treino e nos incentivando a participar de campeonatos. Elas também já nos ajudaram com o valor das inscrições ou com as passagens. Mas atualmente o cenário financeiro não tem permitido que eles nos ajudem como antes”, afirma Julia.

O interesse pelo jogo surgiu na faculdade, onde “temos uma cultura de jogos de carta muito forte lá dentro”, conta a jogadora que, hoje, ensina os calouros da instituição. Agora, com o torneio em agosto, a meta é arrecadar fundos, já que o apoio básico vem das federações e de eventos, como “pizzadas”, bingos e festas juninas. Uma nova “pizzada” vai rolar em 21 de julho, na Associação. Até o momento, duas passagens para o mundial da China estão garantidas. A equipe também está fazendo uma campanha de arrecadação no site Vakinha.com.br.

Para quem curtiu, gosta de desafios e quer começar a praticar, a dica é “treinar muito, estudar e jogar com amigos”. Outra dica é ir à Associação Paulistana de Bridge (Alameda Gabriel Monteiro da Silva, 2013, no Jardim Europa), para tomar aulas gratuitas no início do ano, acompanhar torneios semanais ou contratar professores. Conheça mais sobre o jogo em www.bridgesaopaulo.com.br.



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