Zona Norte

BSP: a biblioteca viva que vai além do empréstimo de livros

“Meus filhos terão computadores, sim, mas antes terão livros. Sem livros, sem leitura, eles serão incapazes de escrever – inclusive sua própria história” – Bill Gates.

A declaração de Bill Gates expressa com lealdade a importância da leitura na vida de qualquer ser humano. Além de melhorar a escrita e estimular a imaginação, ela também proporciona diferentes tipos de conhecimentos em variadas áreas e para toda vida.

Para celebrar o Dia Nacional do Livro, comemorado em 29 de outubro, o programa de rádio SP Norte do último sábado (27/10) entrevistou Pierre André Ruprecht, diretor executivo da Associação Paulista de Bibliotecas e Leitura – SP Leituras, órgão responsável pela gestão integral de duas grandes bibliotecas na capital: a Biblioteca Vila Lobos, na zona oeste, e a “nossa” Biblioteca São Paulo, a BSP, localizada na Av. Cruzeiro do Sul.

Conceito que visa valorização das pessoas e de seus saberes

Pierre André Ruprecht, diretor executivo da Associação Paulista de Bibliotecas e Leitura – SP Leituras

Os diferenciais da Biblioteca São Paulo e de suas atividades diárias, que transformaram a área onde anteriormente existia a Casa de Detenção do Carandiru em uma praça cultural, foi criada a partir do conceito de biblioteca viva, destinada ao encontro das pessoas, à discussão e à criação de conteúdo.

“A BSP foi criada para ser uma espécie de campo de experiências sobre que coisas têm que acontecer em uma biblioteca nos dias de hoje, onde o centro são as pessoas”, diz Pierre.

Inaugurada em 8 de fevereiro de 2010, ocupa aproximadamente quatro mil metros quadrados de pura informação. O diferencial está em colocar a leitura ao lado de seus principais “concorrentes”: a música, os filmes, os jogos eletrônicos e a internet, para atrair principalmente o público não-leitor.

A BSP dispõe de equipamentos especiais para deficientes visuais e ambientes confortáveis para leitura, estudo e diversão. “São cerca de 900 atividades por mês, para todas as faixas etárias”, diz o diretor.

Como exemplo, Pierre cita o Lê no Ninho – atividade de estímulo e iniciação à leitura para crianças entre seis meses e quatro anos, realizada com livros lúdicos, tablet, contação de histórias e músicas. Os pais podem, ao fim, emprestar os kits utilizados e reproduzir a experiência em casa. “Acreditamos que isso pode criar leitores para o futuro, e proporcionar um tempo de qualidade entre as famílias”, diz o gestor.

Ao mesmo tempo, a BSP oferece oficina de smartphone e redes sociais para pessoas acima dos 60 anos. “Biblioteca é acesso ao conhecimento, e os idosos, mais do que nunca, estão ávidos pela busca de novas experiências”, fala Ruprecht.

Para os jovens, a programação inclui música, jogos, internet e desafios de vídeo game.

Segundo Pierre, outro diferencial refere-se à equipe do local, já que os funcionários são treinados para oferecer atendimento humanizado e individualizado, focado nas características de cada visitante.

“Queremos que as pessoas se sintam em casa, como se estivessem na sala ou na cozinha. Refiro-me à cozinha porque temos oficinas de textos literários que abordam a gastronomia, ao mesmo tempo em que os alimentos são produzidos e degustados ao final”, relata o diretor.

Prêmio internacional

Finalista do The London Book Fair International Excellence Awards 2018, na categoria Melhor Biblioteca do Ano, a BSP concorreu com bibliotecas de Oslo (Noruega), Aarhus (Dinamarca) e Riga (Letônia).

“Participar foi importantíssimo, estávamos ao lado de bibliotecas extraordinárias, de países europeus. A Letônia competiu com a biblioteca nacional, enquanto nós, com uma biblioteca que é de bairro. Mesmo não tendo ganhado o primeiro lugar, ficar entre os quatro finalistas foi motivo de muito orgulho para nós”, relata Pierre.

Ruprecht termina deixando um convite: “Quero convidar você, leitor, para conhecer e se surpreender. Temos aquela ideia de biblioteca com ambiente escuro, que não pode fazer barulho. Na BSP as pessoas entram e se surpreendem. Venha participar dessa experiência!”.



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