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Caos na saúde pública se reflete no Hospital do Mandaqui

A saúde no Brasil está à beira do colapso. A população sofre com a falta de atendimento médico adequado, falta de medicamentos, longas filas para atendimento ambulatorial e hospitalar, além da superlotação e da falta de recursos para manter um padrão mínimo de qualidade em postos e hospitais.

Para discutir sobre a saúde pública na Zona Norte, o programa de rádio SP Norte, transmitido aos sábados, das 9h às 12h na Rádio Atual, recebeu nessa semana Marco Antônio Cabral e Paulo Carapia, membros do Conselho Gestor do Complexo Hospitalar Mandaqui, que além de discutirem sobre o problema caótico da saúde, apontaram os principais problemas enfrentados atualmente no hospital. É certo que os problemas no Mandaqui não são exceção, pois a triste realidade se faz presente em outros hospitais Brasil afora.

Cabral, que ocupa o cargo de Presidente da Comissão Executiva do Conselho Gestor, explicou que no mês de junho enviou uma “moção de repúdio” ao Ministério Público do Estado de São Paulo, onde relatou os principais problemas enfrentados dentro do complexo hospitalar.

Segundo Cabral, um dos maiores problemas continua sendo a superlotação do hospital, resultado da carência de recursos humanos que continua sem solução. “Esse déficit é muito grave, pois deixa a população desassistida. Faltam clínicos no pronto-socorro, enfermeiros, funcionários em desvio de função, funcionários doentes, acúmulo de função, diminuição de quadro e falta de reposição”, explica Cabral.

Ainda segundo o presidente, o que explica a saída de tantos médicos e funcionários é pela própria desatenção do hospital. “Eles saem pela precariedade, salários baixos e pela forma como a coordenação trata os profissionais”, diz.

Estacionamento em estado precário sem condições de utilização é outro problema que o Conselho tenta resolver há anos. Desde 2015 foi dada entrada no processo licitatório de terceirização, que se encontra parado na Secretaria de Saúde.

Paulo Carapia, membro da Comissão de Finanças do Conselho Gestor, diz que até hoje o Hospital não possui um laudo de Auto de Vistoria do Corpo de Bombeiros (AVCB). Paulo explica que o prédio foi ampliado e reformado. Porém, falta treinamento de brigadistas, sinalização de rotas de fuga, instalação de placas e luzes, entre outras coisas. “Isso vai passando e ninguém faz nada até o dia que acontece alguma coisa”, diz Carapia.

“A comunidade tem que agregar força”

Cabral alerta que a população reclama muito do poder público, mas não participa. É preciso participar mais. “O Mandaqui é um complexo maravilhoso, possui uma estrutura que tem tudo para oferecer o melhor para a população. A comunidade tem que agregar força. Todos temos o dever e a obrigação de olhar para esse hospital”, desabafa Cabral.

O Conselho Gestor realiza mensalmente reunião ordinária, na última quarta-feira do mês. A próxima será no dia 26/9, às 9h, na sala multiuso, no auditório e é aberto ao público.

É consenso que existe uma crise não somente no Hospital do Mandaqui, mas na saúde pública em geral. E não adianta trocar de administrador ou de profissionais, uma vez que a engrenagem estatal está rodeada por burocracia e falta de vontade. Essa ineficiência termina por prejudicar toda a sociedade e afetar serviços básicos como o de saúde, que deveria ser prioritário. “O problema maior é a falta de vontade, a burocracia, a política. E saúde não é interina, não tem vacância, não tem tempo”, finaliza Cabral.

Confira a íntegra do programa de rádio do SP Norte, também transmitido em vídeo no Facebook:

Live do Programa SP Norte apresentação Samir Trad – 15/09/2.018

Live do Programa SP Norte apresentação Samir Trad – 15/09/2.018

Posted by Jornal SP Norte on Saturday, September 15, 2018

foto: Divulgação/Governo do Estado de SP



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