Histórias

Casa Verde: reduto cultural da Zona Norte completa 104 anos

Tudo começou no século XVII nos arredores do Rio Tietê. Instalada no local, a residência de 200 alqueires pertencente a Amador Bueno seria repartida em fazendas e sítios no futuro, abrigando um maior número de moradores.

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Ao final daquele mesmo século, José Arouche de Toledo Rendon, descendente de Amador Bueno, tornou-se proprietário de grande parte do terreno e assim nascia o bairro Casa Verde. A sua denominação existem duas explicações, não muito diferentes.

A primeira é pautada na casa de cor verde presente no sítio, em que Rendon e mais duas mulheres – das quais não se sabe ao certo se eram suas filhas ou irmãs – passavam a maior parte de suas férias na residência. A outra teoria crê que, na verdade, a família influente – as garotas eram populares entre os homens da faculdade de Direito da USP, e Rendon era o diretor da instituição – morava na tal casa verde.

Mas, foi a partir do século XX que o bairro começou a dar seus primeiros passos rumo à urbanização. A região também observou a efervescência do movimento negro, por meio do samba. Adoniran Barbosa, mais conhecido por cantar o Jaçanã, também falou da Casa Verde em suas canções, como em “No Morro da Casa Verde”, onde o samba “enfezou”. Aliás, samba é uma tradição do lugar.

Reduto de várias escolas de samba – “A Casa Verde, é um reduto de artistas, poetas, sambistas”, diz o samba-exaltação da Império – o bairro possui a maior concentração da população negra na cidade, de acordo com dados da Prefeitura. Morro da Casa Verde, Peruche, e tantas outras estão no lugar. Um território de luta, resistência e simbólico para os negros.

Um dos exemplos que marcam a identidade e o crescimento da região foi a construção da ponte madeira sobre o Rio Tietê, a fim de ligar o bairro às outras regiões da cidade. Na década de 1950, o viaduto viria a ser reformado, trocando a madeira pelo concreto e dando origem a Ponte da Casa Verde – Jornalista Walter Abrahão.

Além disso, entre os anos de 1922 e 1937, a Casa Verde recebeu obras que promoveram ainda mais a região no cenário paulista. Foram elas, a instalação do bonde da Casa Verde; as construções da igreja de São João Evangelista e paróquia Nossa Senhora das Dores; e a chegada da luz elétrica.

Essas e outras idealizações formaram o bairro que atualmente é uma das principais referências de São Paulo quando falamos em samba, por exemplo. Suas histórias, que completam no domingo (21/5) 104 anos de idade, são contadas até hoje, e não só agregam valor à sua qualidade de vida como propagam uma identidade cultural e artística que jamais será apagada.

Bairro comemora na Praça Centenário

Um dos principais pontos da Casa Verde, a Praça Centenário – uma homenagem aos 100 anos da Independência do Brasil, criada em 1922 – recebe os festejos em comemoração aos 104 anos do bairro no próximo sábado (27/5), a partir das 8h. Quem prestigiar terá à disposição diversas opções gastronômicas e manifestações artísticas.



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