Casarão da Vila Guilherme a caminho de se tornar um novo Centro Cultural

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Mais um capítulo do Casarão da Vila Maria/Vila Guilherme. Cerca de 60 pessoas, entre artistas, gestores culturais e membros do Conselho Participativo Municipal, se reuniram na segunda-feira (1/6), no auditório da respectiva Subprefeitura, para discutir o destino do espaço localizado na Praça Oscar da Silva, s/nº.

Inicialmente, a reunião deveria ser “fechada”, sem conhecimento da imprensa, apenas com a presença de artistas que ocupam o Casarão e membros do Conselho da região, mas foi surpreendida com a presença de algumas pessoas de outras áreas, e até de fora da Vila Guilherme.

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Conforme o Jornal SP Norte relatou na última edição (nº 663), o impasse continua. Abandonado há dez anos, a reivindicação da comunidade é que o local seja transformado em Centro Cultural, com atividades de dança, teatro, cinema, música e outros movimentos culturais. O que mais preocupa a população é que no dia 27 de março deste ano, em visita à Subprefeitura da Vila Maria/Vila Guilherme, o Prefeito Fernando Haddad determinou agilidade na condução do processo de transformação do Casarão em Centro Cultural. Na ocasião, Haddad abriu espaço nas negociações diretas com o Subprefeito Gilberto Rossi diretamente com a Secretaria de Governo Municipal (SGM), evitando a burocracia de outras secretarias e órgãos públicos.

Imediatamente, o Prefeito liberou, na presença de várias pessoas e membros de entidades sociais e veículos de comunicação da Zona Norte, uma verba de R$ 1,6 milhão para as reformas emergenciais como telhado, forro, janelas, entre outros. Ele ainda estipulou uma data limite para a entrega e inauguração do Centro Cultural – 12 de setembro, Aniversário da Vila Guilherme.
No entanto, existem artistas que ocupam o local clandestinamente, utilizando-o não somente como espaço de trabalho, mas também como moradia ilegal. Estes, que inicialmente não participaram do processo, estão pedindo providências para não ficarem desalojados durante os reparos. O Conselho Participativo Municipal também se manifestou, dizendo que quer um parecer sobre o andamento do processo.

Reunião

A Supervisora Maria Luiza Rodrigues, da Secretaria Municipal de Cultura, embora esteja há menos de dois meses no cargo, fez um breve histórico da situação e explicou que o Casarão está interditado desde 2011 e que as reformas são emergenciais.

De acordo com Maria Luiza, foi disponibilizado aproximadamente R$ 1,5 milhão, um pouco menos que o montante mencionado por Haddad, e as obras serão comandadas pela SANED Engenharia e Empreendimentos. O processo de liberação (no 2015-0095621-6) teve início no dia 5 de maio deste ano, e na data de 1o de junho de 2015 (dia da reunião) deu-se a entrada na Secretaria Geral do Município, Coordenação de Finanças e Supervisão de Execução Orçamentária e Financeira. Para o andamento do processo, o aval técnico do Departamento de Patrimônio Histórico, já que o Casarão é tombado.

Ela destacou, ainda, que para a realização das obras é necessário que os artistas desocupem o local. Para a Supervisora, a prioridade é tirar a casa da interdição.

Protesto

Após a explanação da Supervisora Maria Luiza, os artistas ocupantes do prédio protestaram e disseram que não foram informados da decisão, nem mesmo da saída do local. Ela rebateu dizendo que o Casarão oferece riscos, além de ser um equipamento de responsabilidade municipal e que as contas de água e luz são pagas pela Subprefeitura da região. Maria Luiza ressaltou, também, que todo equipamento público tem regras e que elas devem ser cumpridas.

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Os coletivos que ocupam o espaço deverão transferir provisoriamente suas atividades para outros equipamentos. Dois locais foram cogitados: Centro Esportivo Thomaz Mazzoni – na Vila Maria – e Centro Cultural da Juventude (CCJ) – na Vila Nova Cachoeirinha.

Participaram também da reunião Ricardo Scardoelli, Gestor do Centro Cultural da Juventude, e Renato Almeida, representando a Secretaria Municipal de Cultura.

Entendeu-se que a partir de agora os assuntos serão encaminhados com mais tranquilidade e transparência. Levantou-se a possibilidade de um novo encontro da Macrorregião Cultural da Zona Norte, com o tema específico sobre o Casarão, para um amplo debate e troca de experiências.

A torcida é para que todos sejam recompensados e nenhuma ocorrência grave aconteça até a inauguração da futura Casa de Cultura.

*Informações compartilhadas do Blog Zona Norte: www.blogzonanorte.com.br.