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Cidadania: game Cidade em Jogo busca aproximar jovens da política

Não é fácil trabalhar na gestão de uma cidade. Em uma sociedade com necessidades e opiniões distintas, o poder público tropeça – por conta de incompetência, na maioria dos casos do sistema político –, e quem cai de cara no chão é a população. Além disso, o descaso e a desesperança política não só no Brasil, mas no resto do mundo, faz com que muitos jovens, sobretudo, abandonem a civilidade e busquem realizar apenas seus anseios motivados por informações, muitas vezes, incoerentes.

Pensando nas próximas gerações, a Fundação Brava – organização paulista que trabalha em busca da melhoria da gestão pública – desenvolveu um jogo para estudantes e professores em que o jogador terá a responsabilidade de ser prefeito por um dia. O game Cidade em Jogo também foi elaborado em conjunto com o Woodrow Wilson Center, centro americano de políticas públicas.

O jogo on-line foi criado com base na opinião dos eleitores nas duas últimas votações municipais (2012 e 2016) e tem como objetivo aproximar da política os jovens e formadores de opinião. E, segundo grande parte dos votantes, temas como saúde, educação e segurança apresentam maior importância à sociedade, e devem ser tratados com maior coerência pelo poder público.

Em jogo, a glória ou crise

Uma vez baseado nas opiniões, a pontuação do jogo se define de acordo com os temas selecionados. Ou seja: para “vencer” ou atingir altos índices de popularidade (sistema pontuação do jogo), o estudante ou professor deve se atentar à implantação de políticas públicas ligadas às áreas da educação, saúde e segurança.

Ao começar o jogo, três tipos de cidade estarão à disposição do jogador: um município rural, com 50 mil habitantes, e que pauta suas decisões de acordo com a agropecuária, educação, saúde e emprego; um munícipio turístico com 200 mil habitantes em que as principais demandas são transporte, saneamento básico, saúde e educação; e uma metrópole global com milhões de habitantes em que a desigualdade, o trânsito e a poluição são os principais empecilhos da população e do poder público.

Diante desses problemas e estilos diferentes de gestão, o jogador deverá tomar decisões que podem afetar a infraestrutura, a renda do munícipio, o meio ambiente, transporte, a aceitação populacional e diversos outros temas. Com dez rodadas, o jogo oferece duas alternativas de políticas para cada situação. Dependendo das escolhas dos jogadores, a avaliação populacional ao final do jogo poderá ser ótima (seu nome será vangloriado por jornais), média (seu mandato será classificado como uma gestão que tentou resolver os problemas), e ruim (os jornais dirão que sua gestão deve ser destituída o quanto antes).

Referências: para além de SimCity

Um game de PC que serve como um bom exemplo a este formato de jogos – porém mais dinâmico e bem trabalhado – é o Cities: Skylines, criado e idealizado pela Colossal Order. Com um sistema que incentiva o jogador a atentar-se a todas as situações vividas em sociedade, Cities: Skylines é um dos mais completos e complexos, quando o tema é criação de cidades.

Você, como Prefeito, deverá trabalhar na gestão do tráfego, instalando rodoviárias, ferrovias, hidrovias e aeroportos nacionais e internacionais. Também tem os níveis de educação da cidade, que podem resultar em um comércio efetivo, numa indústria extensa e, portanto, no índice de aprovação das residências (que exigem escolas fundamentais, de ensino médio e superior de fácil acesso), da indústria (que necessita de operários, ou seja, população de baixa renda), do comércio (que necessita de clientes e funcionários especializados) e diversos outros setores da sociedade.

O segredo está na organização do trânsito e nos valores do terreno, divididos por loteamentos. Ao adotar políticas públicas de incentivo ao transporte público, maior parte da população fará uso do transporte para chegar ao seu destino, resultando em uma cidade com tráfego pouco congestionado. Já os valores de terreno, determinam se a população que vai morar no local loteado será de baixa renda, média ou alta.

Além dessas questões, o jogador deve se atentar à especialização das áreas comercial e industrial da cidade, à taxa de mortalidade, áreas de risco de incêndio, índice de criminalidade, entre outras variadas determinações que todo bom prefeito deve se preocupar.

Diante do atual cenário da política brasileira, mecanismos e ferramentas como a que esses games oferecem podem ser uma saída à busca da educação, do respeito e da civilidade.

fonte: Nexo Jornal

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