Carnaval 2017

Com muito axé no caldeirão, Peruche exalta Salvador

O desfile das escolas de samba é uma oportunidade de conhecer a história do Brasil por meio de vários enredos. Um deles, bem comum, é falar da Bahia. Mas, curiosamente, a capital Salvador nunca foi cantada de forma específica. É assim que a Unidos do Peruche vem para o carnaval 2017, com o inédito enredo “A Peruche no maior axé exalta Salvador, cidade da Bahia, caldeirão de raças, cultura, fé e alegria”, idealizado por

Murilo Lobo e Sergio Caputo Gall, carnavalescos da Peruche

No barracão da escola, o carnavalesco Murilo Lobo escolheu o enredo “por causa de uma paixão que eu tenho por essa cidade” e pelo ineditismo. Para começar essa história, o primeiro setor do enredo parte de um pouco de lenda – segundo a visão do escritor Jorge Amado –, história e poesia para abrir um desfile “mágico”: o navegante português Diogo Alves, os índios Tupinambás, Paraguaçu e Moema. Aliás, a alegoria vai exalar o cheiro de Salvador: uma fragrância criada especialmente para a cidade.

O segundo setor da escola traz Salvador como a “terra dos fortes”: o índio que se misturou com o branco; o negro trazido da África; o caboclo oriundo dessa mistura. A alegoria destaca três guerreiras mártires das lutas baianas: Maria Quitéria (que fingiu ser homem no exército), Maria Filipa (negra, liderou as mulheres na batalha de Itaparica, contra os portugueses) e Madre Joana Angélica (assassinada no convento, impedindo o refúgio dos portugueses). O carro também traz um dragão sendo apunhalado por um caboclo e uma cabocla: uma representação da arrogância portuguesa e as lutas do povo por independência e liberdade.

O terceiro carro vai falar da fé sempre presente em Salvador. Dentro desse setor, as crenças e manifestações religiosas vão mostrar o sincretismo religioso na cidade. As festas de Senhor do Bomfim e oferendas a Iemanjá estarão lá, bem como três ícones: Mãe Menininha do Gantois, irmã Dulce (o “anjo bom da bahia”, dedicou sua vida aos pobres e necessitados) e Divaldo Franco (espírita, seus projetos socioeducativos transformam a vida de várias crianças na periferia de Salvador). “Eles são faróis de luz apontando o caminho do bem, o caminho da paz”, exalta o carnavalesco.

Clique aqui e veja as fotos do primeiro ensaio técnico da escola! Abaixo, veja o vídeo do segundo teste na avenida:

Paradão da Unidos do Peruche no ensaio técnico!

Posted by Jornal SP Norte on Saturday, January 28, 2017

O quarto setor é dedicado à cultura, que ganha vida com elementos que incorporam a imagem da mulher baiana, a culinária descendente da África, a capoeira e sua história, o movimento da Tropicália, entre outros. A alegoria vai ser um grande Pelourinho que, segundo Murilo, “é a negritude que jamais se apagará. Das pedras negras do solo do Pelourinho, que foram encharcadas pelo sangue dos negros, hoje brota cultura num patrimônio único”, ressalta o carnavalesco.

Por fim, o enredo exalta o caldeirão da alegria. A alegoria homenageia o carnaval da Bahia, o maior do mundo, por meio da história de Dodô e Osmar e a icônica fobica, o trio elétrico e as figuras caricaturadas de Claudia Leitte, Ivete Sangalo, Bell Marques e Daniela Mercury. A alegoria terá um grande telão que vai exibir imagens do documentário “Axé: Canto do Povo de Um Lugar”, lançado este ano.

Murilo Lobo aposta em um carnaval cheio de alegria e diferente: “A gente se manteve [no Grupo Especial] e esse ano vocês vão ver uma Peruche maior, mais bem-acabada, e mais poderosa como comunidade. O samba é muito bom, um dos três melhores da safra. A Peruche tem tudo para subir alguns degraus e entrar num outro pelotão, por que eu acredito em transformações assim, passo a passo”, finaliza.

Samba-enredo

Compositores: D’Xangô, Douglas Chocolate, Leo Reis, Juliano, Celsinho Mody, Guga Pacheco, Tio Do, Paulinho Sorriso e Marcio Zanato
Intérprete: Toninho Penteado

Vem do feitiço do mar o amor e a magia
Marejou Moema… Paraíso singular
A Baía de Todos os Santos recebe o povo de além-mar
A origem brasileira é mistura dessa gente
Baiano tem calor no coração
Liberdade, nunca mais a opressão
Mulheres guerreiras… Terço, arruda e guiné
Tem Candomblé, nesse cortejo de fé

Oro mi má, oro mi maió
Valei-me Nossa Senhora, mãe do Senhor do Bonfim
Axé nos orixás
Me leva cidade d’Oxum, me leva nos braços da paz

O tempero da baiana, tabuleiro de sinhá
Acarajé, caruru e vatapá
É de Angola ê, é de Angola
Negro joga capoeira, capoeira camará
E vai descendo a ladeira do Pelourinho a cantar
Eu sou Peruche! Berço, território africano
Sou comunidade, atrás do trio eu vou
É Salvador

Firma o batuque no terreiro, que a Filial vai passar
Bate o tambor mandingueiro, faz a baiana girar
Na proteção dos meus guias, carrego meu patuá
Samba iô iô, samba iá iá

Informações
Quadra: Rua Samaritá, 1.040
Ensaios: Domingo, às 19h
Entrada: R$ 10
Ensaio técnico: 3º e último ensaio, sexta-feira (10/2), às 21h, no Sambódromo (Av. Olavo Fontoura)

Ficha técnica
Enredo: A Peruche no maior axé exalta Salvador, cidade da Bahia, caldeirão de raças, cultura, fé e alegria Carnavalesco: Sidinei França
Presidente: Sidney de Moraes (Ney)
Mestre-Sala e Porta-Bandeira: Fabiano Dourado e Thais Paraguassu
Mestre de Bateria: Mestre Cal
Rainha de Bateria: Stephanye Cristine
Carros alegóricos: 5
Alas: 20
Componentes: 2.400
Desfile: 2º escola de sábado (25/2)



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