Zona Norte

Coronavírus: Em São Paulo, o fator de risco não é a idade, é o bairro

No último sábado (16), a Prefeitura divulgou um balanço sobre as mortes causadas pelo coronavírus (Covid-19) em São Paulo. Apesar dos bairros ricos registrarem os primeiros casos da doença, segundo os dados da gestão municipal, as periferias ainda registram o maior número de mortes e contaminação pelo vírus.

A zona norte possui três dos 10 distritos com mais casos de morte por Covid-19. Os dados do balanço foram coletados até o dia 14 de maio. Repare que os bairros desta lista são apenas das periferias da capital paulista e compara com o último balanço divulgado pela gestão municipal (30/04):

  1. Brasilândia – 156 mortes | um aumento de 51%
  2. Sapopemba – 152 mortes | um aumento de 50%
  3. Capão Redondo – 126 mortes | um aumento de 110%
  4. Grajaú – 125 mortes| um aumento de 92%
  5. Jardim São Luís – 118 mortes | um aumento de 115%
  6. Cachoeirinha – 115 mortes | um aumento de 72%
  7. Itaquera – 110 mortes | um aumento de 100%
  8. Jardim Ângela – 106 mortes | um aumento de 89%
  9. Tremembé – 101 mortes | um aumento de 84%
  10. Cidade Ademar – 101 mortes | um aumento de 74%

Já os bairros com menor número de mortes pela doença são:

  1. Marsilac – 4 mortes | um aumento de 33%
  2. Jaguará   – 8 mortes | um aumento de 60%
  3. Barra Funda – 10 mortes | um aumento de 67%
  4. Butantã – 13 mortes | um aumento de 63%
  5. Sé – 14 mortes | um aumento de 75%
  6. Socorro – 14 mortes | um aumento de 100%
  7. Vila Leopoldina – 18 mortes | um aumento de 50%
  8. Pari – 18 mortes | um aumento de 64%
  9. Anhanguera – 19 mortes | um aumento de 90%
  10. Morumbi – 20 mortes | um aumento de 82%

Desta última lista, vale destacar que os dois primeiros distritos são locais mais isolados da capital paulista e ocupados por indígenas. Apesar dos baixos número de mortes no Morumbi, ele foi o primeiro bairro a registrar a doença e é um dos bairros com mais casos confirmados, com 311 até o dia 30 abril.

Quem também destacou essa diferença de contaminação entre os bairros da capital paulista foi o presidente e fundador da XP Investimentos, Guilherme Benchimol. Em entrevista ao jornal O Estado de São Paulo no começo do mês de maio, ele afirmou que o pico da doença já passou nas classes altas:

“Acompanhando um pouco os nossos números, eu diria que o Brasil está bem [no combate ao covid-19]. Nossas curvas não estão tão exponenciais ainda, a gente vem conseguindo achatar. Teremos uma fotografia mais clara nas próximas duas a três semanas. O pico da doença já passou quando a gente analisa a classe média, classe média alta”.

Avanço da doença nas periferias

Segundo Carolina Guimarães, coordenadora da Rede Nossa São Paulo, as mortes evidenciam a desigualdade e na falta de políticas públicas na cidade de São Paulo:

“Enquanto que os registros de maiores proporções de óbitos nas regiões mais periféricas em comparação as mais ricas (mesmo as regiões mais ricas registrando maiores números de infectados), podem ser explicadas pela desigualdade de acesso a serviços públicos de saúde – desde testagem a leitos de internações”

Um estudo da Rede Nossa São Paulo revelou que 60% dos leitos de UTI conveniadas pelo SUS estão localizadas em apenas 3 subprefeituras (Sé, Vila Mariana e Pinheiros), consideradas uma das mais ricas de São Paulo.

Na ocasião, o instituto mostrou que 12 distritos de São Paulo – localizados majoritariamente nas periferias da capital paulista – possuem nenhum leito de UTI, apesar de concentrarem 20% da população (2.375.000 pessoas). Desta relação, quatro eram da zona norte: Brasilândia, Tremembé, Vila Guilherme e Jaçanã.

No entanto, no dia 11 de maio a Prefeitura inaugurou o Hospital Municipal da Vila Brasilândia após cinco anos de atraso. A unidade está atendendo com 20 leitos de UTI e 16 enfermarias dedicadas exclusivamente a pacientes infectados pela covid-19.

De acordo com o Mapa da Desigualdade 2019, estudo da Rede Nossa São Paulo, a desigualdade de leitos aumentou 345% entre o período de 2018 a 2019.

“O avanço da doença nas periferias pode ser explicado tanto pelas desigualdades de acesso a serviços públicos de saúde como pelas condições de vulnerabilidades que essas populações enfrentam, sejam dificuldades em acesso a renda, menores taxas de emprego formal, maior desemprego, precariedade das condições habitacionais, dentre outras” explica Guimarães, que finaliza:

“As condições de vulnerabilidades explicam a baixa adesão por parte dessas populações as medidas de isolamento social, que em conjunto aos déficits de acesso aos serviços públicos de saúde aprofundam o avanço da doença nas periferias”.

Hospitais no limite

No último domingo (17), a Prefeitura divulgou seu boletim diário informando que a taxa de ocupação de leitos na cidade de São Paulo é de 91%. Por conta desta lotação, muitos hospitais da capital paulista estão deixando de atender pacientes.

Na semana passada, seis hospitais registravam ocupação máxima de leitos, incluindo o Hospital Vereador José Storopolli (conhecido como o Vermelhinho), na Vila Maria, na Zona Norte. De acordo com a Prefeitura, a “ocupação de leitos de UTI é dinâmica e pode variar durante o dia”.

Zona Norte

Confira o registros de óbitos nos distritos da zona norte e o aumento quando comparado ao último balanço:

  • Brasilândia – 156| um aumento de 51%
  • Cachoeirinha – 115 | um aumento de 72%
  • Tremembé – 101| um aumento de 84%
  • Freguesia do Ó – 95| um aumento de 61%
  • Vila Medeiros – 85| um aumento de 70%
  • Mandaqui – 75 | um aumento de 74%
  • Santana – 72| um aumento de 50%
  • Limão – 64| um aumento de 56%
  • Vila Maria – 59| um aumento de 55%
  • Casa Verde – 58| um aumento de 53%
  • Tucuruvi – 47| um aumento de 38%
  • Jaçanã – 41| um aumento de 21%
  • Vila Guilherme – 30| um aumento de 67%

Avanço do coronavírus no Brasil

Segundo o último informativo do Ministério da Saúde, Brasil possui 241.080 casos confirmados da doença. Apesar do alto número, o país está em 110º no ranking de nações que mais fazem testes, segundo o site World o Meters (que coleta dados mundiais).

Em razão da falta de testes, especialistas e instituições avaliam que no Brasil há uma subnotificação brutal. Pesquisadores da USP (Universidade de São Paulo) e UFRJ (Universidade Federal do Rio de Janeiro), avaliam que o número de contaminados pode ser até 15 vezes maior do que o divulgado pela Pasta.

Atualmente o Brasil está em  4º lugar entre os países com mais casos confirmados da covid-19, segundo a Universidade Johns Hopkins, ficando atrás apenas de Estados Unidos, Rússia, Reino Unido e superando Itália e Espanha.

O número de óbitos causado pelo vírus chegou a 16.118, somente nas últimas 24h foram registrados 485. A primeira morte foi registrada exatamente há dois meses, confira abaixo:

  • 17 de março – 1 morte
  • 17 de abril – 2.141 mortes
  • 17 de maio – 16.118

Foto: Rovena Rosa / Agência Brasil

 

 




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