Coronel Velozo / Educação: o impasse pelo desconhecido e nas incertezas de atitudes que podemos tomar

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Coronel Velozo – Hervando Luiz Velozo

Nasceu na Freguesia do Ó; foi soldado do Exército Brasileiro, e na Polícia Militar do Estado de São Paulo, comandou áreas como Campo Limpo, Morumbi, Jardins, Lapa, Pirituba e Perus, e por último foi comandante do policiamento de trânsito (CPTran).Palestrante e instrutor sobre segurança pública e privada.

facebook.com/coronelvelozo – email: hlvelozo@uol.com.br

 

A educação foi o primeiro setor a parar suas atividades logo que iniciou a pandemia em nosso país, e provavelmente será o último a retornar.

Desde o início da quarentena, governos e escolas tentam se adaptar na continuidade do ensino, principalmente as crianças e adolescentes do ensino infantil ao fundamental. Muitas escolas, destacando as particulares, conseguiram se adaptar e com isso ingressaram rapidamente com sistemas de vídeo aula, onde alunos e professores dão continuidade as grades de ensino, mas isso só foi possível pelo nível sócio econômico destas escolas e também das famílias destes alunos.

As públicas tentaram, mas foi uma verdadeira desilusão, já que nem as escolas e tão pouco os alunos estavam preparados para este salto na tecnologia, uma vez que boa parte dos alunos não possuem computadores, nem internet em suas casas.

O Governo do Estado, através do governador João Doria, jogou a toalha e permitiu a abertura das escolas em todo o Estado desde o dia 08 de setembro, mas sem qualquer certeza do que estava fazendo e principalmente sem dados específicos e de resultados. A decisão foi tomada apenas pelo fato da maioria dos municípios paulistas estarem há mais de 28 dias na fase amarela.

Por enquanto a adesão é baixa na maioria dos municípios do estado e muitos já alegam que será impossível retornar as aulas neste ano.

Na capital o Prefeito Bruno Covas continua proibindo a volta as aulas presenciais. Através desses impasses muitas escolas estão recorrendo a justiça pedindo sua reabertura, e que estão preparadas para reabrirem e manterem os protocolos de segurança.

O debate sobre estas questões vem criando desgastes entre pais, professores e escolas.

Cientistas e médicos baseados em tudo que foi pesquisado até o momento sobre a doença, coloca em xeque estas questões e decisões. Primeiro por estarmos enfrentando um nova doença onde já se sabe que o vírus da COVID-19 na maioria da população é assintomático, principalmente em crianças e adolescentes. Sua voracidade como vírus depende de vários fatores, além ser mais agressivo em idosos, depende também do fator imunológico e do quadro de saúde de cada indivíduo. São centenas de mortes diariamente em grupos de várias idades, justamente por não sabermos ao certo qual é o melhor tratamento e por não possuirmos uma vacina que poderia erradicar a doença.

Novos estudos apontam ainda que aqueles que contraíram a doença, em alguns casos, estão sofrendo com sequelas neurológicas, ou seja, um vírus desafiador aos cientistas e médicos e mais desafiador a população que tenta se proteger sem saber exatamente o que lhe pode acontecer se contrair o vírus da COVID-19.

No caso de crianças e adolescentes é mais preocupante, pois além da maioria ser assintomática, ou seja não apresentam nenhum sintoma, são transmissoras em potencial do vírus. Somente saberíamos se esta criança está ou não com o vírus é através de exames, que torna impossível fazer esses exames diariamente. Esse fato coloca todos os protocolos de segurança em dúvida quanto falamos em volta as aulas.

Segundo a Prefeitura da capital, que irá decidir esta semana sobre o retorno, divulgou que caso volte as aulas, as escolas terão 6,2 mil termômetros para medir a temperatura dos estudantes. Cada aluno da rede também vai receber um kit de higiene, com três máscaras de tecido, álcool em gel e sabonete, além de caneca para usar os bebedouros. Ao todo, 760 mil kits foram adquiridos, segundo administração municipal. Por sua vez, os professores receberão 75 face shields – os protetores faciais. O investimento previsto seria de R$ 32,1 milhões, de acordo com a gestão Covas.

Fazendo uma análise sobre estas medidas, já foi comprovado que os termômetros são ineficazes na maioria das crianças e adolescentes, pois elas podem estar com o vírus e não apresentarem alteração na temperatura, ou seja febre. Outro fator importante é que pelo padrão do tamanho das salas de aulas, especialistas afirmam que não poderia haver mais de 20 alunos por sala, em 93% das salas na capital possuem muito mais que esse número de alunos. Outro dado importante, é que o vírus é expelido por gotículas que saem de nossa boca, nariz e até pelo suor, e permanecem em ambiente fechados por ate 8 horas ou mais, ou seja, o nível de contágio é muito alto, mesmo estando de máscaras, já que a permanência numa sala de aula são por horas.

Para pais e professores esses protocolos não são suficientes e não garantem o bloqueio da transmissão do vírus. O Sindicato de Professores do Estado de São Paulo é contra a volta as aulas, assim como 70% dos pais também concordam em não permitir que seus filhos voltem as aulas presenciais.

O Brasil ficou praticamente parado por 5 meses, e estamos agora presenciando a volta de alguns setores. Mas estes 5 meses foi suficiente para fechar definitivamente milhares de empresas, causar milhões de desempregos e centenas de milhares de mortes.

Mesmo com a redução tímida no número de casos e de mortes neste momento, não podemos subestimar o vírus que age de forma silenciosa e inerte aos nossos olhos, mas que traz consequências irreparáveis em nossas vidas.

Fico perplexo em observar multidões a caminho da praia gerando aglomerações e sem qualquer cuidado, como se a cura já existisse.

Entramos na segunda quinzena do mês de setembro, faltando 3 meses e meio para acabar o ano. As perspectivas para um vacina são promissoras, mas nada ainda que garanta que até final do ano teremos a cura. E mesmo se a vacina existir levará meses para imunizar boa parte da população que faz parte do grupo de risco.

O que está em jogo não é se os estudantes vão perder o ano letivo, mas quantas vidas mais iremos perder pela falta de cuidado e da incerteza de que estamos agindo corretamente ou não.

Quanto ao ano letivo acredito que encontraremos soluções para que ninguém perca o ano de 2020, uma vez que é injusto alunos das escolas públicas ficarem para traz comparando estes mesmos alunos com das escolas particulares onde muitas continuam com o ensino por vídeo conferência.

O momento é de cautela e responsabilidade e devemos buscar soluções que não coloque vidas em risco, por menor que sejam estes riscos.