Coronel Velozo / #FiqueEmCasa: até onde deu certo?

0
233

Coronel Velozo – Hervando Luiz Velozo

Nasceu na Freguesia do Ó; foi soldado do Exército Brasileiro, e na Polícia Militar do Estado de São Paulo, comandou áreas como Campo Limpo, Morumbi, Jardins, Lapa, Pirituba e Perus, e por último foi comandante do policiamento de trânsito (CPTran).Palestrante e instrutor sobre segurança pública e privada.

facebook.com/coronelvelozo – email: hlvelozo@uol.com.br

Em novembro do ano passado iniciava na China a onda de uma possível epidemia. Em meados de dezembro, alguns especialistas da área de saúde, dentre eles os próprios chineses começaram a alertar que poderia se transformar numa pandemia. Mas só em janeiro isso ficou evidente, e assim o mundo começou a monitorar e assistir a COVID-19, se alastrando a cada dia pelo planeta de forma silenciosa e mortal.

Muito pouco se sabia sobre a doença, que é da família do Coronavírus. Enquanto ela se alastrava pelo continente asiático e europeu, não estávamos muito preocupados por aqui, tanto é que no final do mês de fevereiro deste ano assistimos e participamos da festa de Carnaval em todo país, vimos as aglomerações do povo atrás dos trios elétricos, nos desfiles, nas festas de salões e nas ruas. Tudo normal, sem qualquer problema, é Carnaval, é assim que o povo brasileiro brinca a principal festa do ano em nosso país. Mas quando entramos na segunda quinzena de março, menos de um mês após o carnaval, iniciou oficialmente a quarentena em nosso estado e praticamente em todo país.

De lá prá cá vimos uma crescente na evolução do vírus no que diz respeito ao contágio e ao número de pessoas que continuam morrendo por causa do COVID-19. Mas ao mesmo tempo, muitos de nós se sentiram uma verdadeira cobaia nas imposições de ações dos governos para evitar esse contágio. Muitas desta ações, que na minha opinião, foram desnecessárias, e algumas até ajudou na disseminação do vírus, como foi o caso a implantação do rodízio, dia sim dia não em São Paulo, que levou milhares de pessoas a utilizar o transporte público e assim criar aglomerações num momento em que deveríamos evitá-las.

O #FiqueEmCasa foi a primeira medida de impacto e imposição lançada pelos governos e agentes de saúde. Mas até onde essa proposta de ficar em casa foi o fator principal para conter a disseminação do vírus?

Alguns especialistas alegam que o vírus chegou em nosso país com força exatamente no Carnaval, com a vinda de pessoas de todo mundo, inclusive da China. Os nossos governantes mesmo sabendo dos riscos mantiveram as festas em todo país. Se isso piorou, acelerou ou não nossa situação com a doença, não temos como avaliar neste momento.

A questão toda, está alicerçada no que realmente o #FiqueEmCasa resultou para o país. É claro, que desde o início oficial da pandemia no Brasil, as pessoas que fazem parte do grupo de risco deveriam se proteger de todas as formas, e a principal era ficando em casa e mantendo o distanciamento social. Mas a imposição nos primeiros meses de ficar em casa para 100% da população, acarretou também consequências graves ao país, principalmente na questão econômica e social. Assistimos dentro de casa uma avalanche de medidas que governos estavam tomando para o enfrentamento da doença, e principalmente, a batalha política que estava sendo travada entre governos municipais, estaduais, federal e até com a OMS, que beirava o ridículo.

Além dessas condições políticas e o avanço da doença deixou o Brasil no caminho da deriva econômica, gerando desemprego, hoje mais de 13 milhões de pessoas, empresas que quebraram, que são milhares no país, aumento da fome atingindo 10 milhões de pessoas, sem contar o rombo econômico que os cofres públicos sofreram para enfrentar a crise de saúde, com a ajuda social a população, e também as verbas bilionárias enviadas para que estados e município usassem no enfrentamento do vírus em suas estruturas de saúde. Mas o que acabamos assistindo é que muitos destes estados e municípios utilizaram o dinheiro sem critério e sem controle, e pior, alguns desviaram verbas e roubaram o dinheiro público. Já são centenas de casos em todos país que a Polícia Federal investiga. Um absurdo! Pessoas se aproveitando da desgraça de nosso povo!

É evidente que hoje, após 6 meses estamos conseguindo lidar melhor com a doença. Aprendemos a nos proteger e principalmente proteger aqueles que são mais vulneráveis.

O relaxamento e abertura gradual do comércio e serviços demonstrou que neste momento o #FiqueEmCasa tem que ser avaliado por cada um de nós com responsabilidade, o que não acontece numa parcela da população que está agindo de forma irresponsável criando aglomerações em praias, bares e até proporcionando grandes festas em ambientes fechados e a grande maioria dessas pessoas nem fazem mais o uso de máscara.

O #FiqueEmCasa ainda é necessário para aquelas pessoas que realmente fazem parte do grupo de risco, e essas devem ser assistidas com todos os cuidados. Para os demais, manter o distanciamento social, utilizar equipamentos de segurança como o uso de máscara e álcool em gel, para assim darmos continuidade a nossas vidas sem comprometer a das pessoas que nos cercam.

A história nos mostra que já passamos por situações como essa no passado, e a lição que mais uma vez fica é que continuamos a aprender com nossos acertos e erros. A vacina está próxima, e tudo isso passará. Perdemos muito, principalmente vidas, mas devemos seguir em frente, pois esta é a motivação que nos guia e nos proporciona superação.