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Corte na cultura pelo Governo de SP gera incerteza

Depois da polêmica sobre o corte de verba na cultura, o governador João Dória anunciou, em vídeo postado na rede social, que ” Nada será fechado. Nada será interrompido [na cultura].”. O governador ainda colocou que o contingenciamento é por conta de um déficit orçamentário de R$ 10,5 bi. Ele coloca que o impacto ainda será analisado “com calma e com bom planejamento”.

A história ganhou notoriedade quando o projeto Guri divulgou uma lista de que funcionários entrariam em aviso prévio e que unidades seriam fechadas por conta deste contingenciamento. Na época, João Dória afirmou que o Guri continuaria de forma integral, mas corte de 23% do orçamento na Secretaria de Cultura e Economia Criativa se manteve, afetando outros 23 serviços, que contam com a Pinacoteca do Estado de São Paulo, Theatro São Pedro e Fábricas de Cultura.

A Abraosc (Associação Brasileira de Organizações Sociais de Cultura), aponta, por meio de nota, que “Estima-se que mais de 60 mil alunos beneficiados pelas atividades educativas destas e de outras instituições deixarão de ser assistidos e mais de 1.100 funcionários serão demitidos”.

Manifestações

Cerca de 300 estudantes de música participaram de uma caminhada na quinta-feira (04/04) indo da Avenida Paulista até a Assembléia Legislativa, pedindo o fim dos cortes. No último domingo (07/04), houve uma manifestação de artistas para barrar o contingenciamento. E mesmo depois da promessa que nenhum serviço seria fechado, artistas realizaram outra manifestação na quarta-feira (10/04) no Teatro de Contêiner Mungunzá.

Petição

A página oficial da Fábrica de Cultura publicou em seu perfil um comunicado falando sobre o corte de verba da cultura. Foi postado na quinta-feira (04/04) que o “corte sobre as atividades é real” e que a Secretária ainda não definiu aonde vai acontecer. Por conta disso foi aberta uma petição que conta com 20.074 assinaturas, apurada até o fim desta edição.

Na internet é possível encontrar outra petição, desta vez contra o fechamento das oficinas culturais Alfredo Volpi, Maestro Juan Serrando e Oswald de Andrade. Elas realizam cursos e espetáculos para a população, até o fechamento desta edição, a petição conta com 14.547 assinaturas.

Possíveis Impactos

Antes do anuncio da manutenção dos equipamentos da cultura pelo governador, a Abraosc fez outra nota apontando o impacto do contingenciamento da verba nos equipamentos culturais:

– Pinacoteca do Estado: Diminuição drástica da programação pública; Cancelamento de exposições, palestras e eventos de formação; 53 mil alunos deixarão de participar de atividades; Cancelar o ingresso gratuito oferecido aos sábados (153 mil visitantes); Demissão de um terço dos funcionários; Cancelamento das exposições temporárias; Cancelamento da programação cultural do Memorial da Resistência.

– Museu Catavento: Redução substancial do número de monitores universitários; Eliminação das seções que exigem atendimento individual; Paralisação da usual renovação das seções; Redução à metade das equipes de apoio à visitação, bilheteria e senhas.

– Museu AFRO BRASIL: Cancelamento de todas as exposições temporárias planejadas para 2019; Fechamento do equipamento ao público por 3 dias (sexta-feira, sábado e domingo); 100 mil pessoas deixarão de ser atendidas.

– Museu da Imagem e do Som: Redução drástica das 120 cidades atendidas pelo projeto Pontos MIS; Redução no horário de atendimento.

– EMESP Tom Jobim: 80 colaboradores demitidos.

– Conservatório de Tatuí: Fechamento do polo de São José do Rio Pardo; Demissão de 60 professores; 800 alunos sem aulas de música.

– Oficinas Culturais: Cancelamento de 120 atividades com 3.600 participantes; Cancelamento de 10 grupos do programa de qualificação em artes; Cancelamento de 260 encontros de orientação.

– Fábricas de Cultura: Cancelamento de 250 ateliês, afetando cerca de 5.100 aprendizes; Redução das atividades da programação cultural (fábrica aberta); 30 mil participantes afetados; Redução do funcionamento de bibliotecas, deixando de atender 7.500 frequentadores; Redução de 40% no acolhimento ao público (4.000 pessoas), na Zona Leste; Fechamento de Bibliotecas, Orquestras, Bandas, Oficinas de férias e cursos noturnos.

– Museu do Futebol: Operação e serviços aos visitantes severamente afetados.

– Museu da Língua Portuguesa: Implantação ameaçada.

– Museu da Casa Brasileira: Alteração na agenda de programação cultural.

– Casa das Rosas, Guilherme de Almeida e Mário de Andrade: Redução do atendimento em áreas expositivas; Cancelamento de 140 atividades da programação cultural atingindo 40.900 visitantes/participantes.

– São Paulo Cia. de Dança: 40 mil pessoas sem ser atendidas; Redução de 50% no público beneficiado em 2018.

– Theatro São Pedro: Encerramento das atividades do Theatro; Cancelamento da temporada de óperas e concertos sinfônicos a partir de maio; Desmobilização da Orquestra do Theatro São Pedro; Público de cerca de 40 mil pessoas ao ano sem atendimento.

– Orquestra Sinfônica do Estado de São Paulo:  Ainda avalia o impacto no orçamento.

Outra instituição que se posicionou foi a SP Leituras – Associação Paulista de Bibliotecas e Leitura, que informou os impactos do corte de verbas:

– Biblioteca de São Paulo (BSP) e a Biblioteca Parque Villa-Lobos (BVL): Terão seus serviços e atividades completamente comprometidos.

– Sistema Estadual de Bibliotecas Pública: Deixará de apoiar cerca de 200 municípios com a distribuição de acervos, publicações e do programa Viagem Literária.

–  Prêmio São Paulo de Literatura: Não terá recursos para realizar a programação cultural e a cerimônia de entrega.

 

 



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