Carnaval 2018

De belas artes a inspiração: Tucuruvi faz renascer a genialidade

Naquele fatídico fim de 2015, o fogo consumiu o Museu da Língua Portuguesa. Instalado no histórico prédio da Estação da Luz, seu acervo foi pouco atingido, já que a maioria das instalações eram exposições digitais. A construção restaurada em 2006, porém, sofreu com as chamas. “O Museu está sendo reconstruído. Mas é a nossa língua que está sempre em construção”, pontua o site oficial do local.

Neste fatídico início de 2018, o fogo consumiu as fantasias da Acadêmicos do Tucuruvi. As instalações do ateliê de fantasias, na Vila Mazzei, foram tomadas pelas chamas. Cerca de 80% dos figurinos foram destruídos. “Nem mesmo as chamas foram capazes de calar a voz deste que é um misto de clássico com o moderno: eterno Museu da Língua Portuguesa”, diz o enredo 2018 da Tucuruvi, que vai viajar por museus de todo o mundo.

Desfile da Tucuruvi no Carnaval 2017 (foto: Gregório Torossian)

A escola, que já cantou “Não Calem a Minha Voz”, em 2003, cantará guiada na emoção, a plenos pulmões, aquilo que chama nenhuma é capaz de apagar: a garra. Um desfile que, certamente, será marcado pelo renascimento. “A genialidade feita à mão”, como diz o samba da escola, colocará na avenida todo o esforço feito em poucas semanas.

O enredo é inspirado na trilogia de filmes de mesmo nome, e é desenvolvido pelo atual campeão do Carnaval, com a Tatuapé, Flávio Campello. Para embarcar nessa noite, a palavra de ordem é não tocar nas obras de arte, e sim que cada folião e espectador se transformem em uma. Aliás, um museu inédito e com sessão única, na primeira noite de desfiles.

Do passado ao futuro

A “primeira galeria” que será mostrada no desfile da Tucuruvi é o refúgio dos deuses e musas: as filhas de Zeus e Mnemosine (que representa a memória) viviam em um tempo chamado Museion. Por lá estava Clio, por exemplo: a proclamadora, Musa da História. Nessa galeria, também entra os inestimáveis segredos de Alexandria, revelados ao mundo com seus escritos e registros, preservando a história às gerações seguintes.

Depois, a “segunda galeria” evidencia as belas artes, de Apolo a Monalisa, dos jardins da Babilônia ao Museu do Louvre. Os estilos artísticos, com o art noveau, o gótico e o Renascimento, ganham vida.

Daniela Albuquerque, apresentadora da RedeTV!, é a Rainha de bateria da escola. (foto: Gregório Torossian)

É hora de viajar pela ciência: a terceira parte do desfile levará o espectador aos museus de histórias naturais, que guardam os artefatos da origem da vida, explicam os mistérios das espécies, onde o passado se encontra com o futuro. Uma metamorfose sem fim.

Há também espaço para bizarrices. A “quarta galeria” vai mostrar as mazelas da humanidade – a Santa Inquisição, “em nome do pai”, por exemplo – que deram origem a museus bizarros, como o Museu da Tortura, o Museu do Ocultismo, espaços dedicados aos extraterrestres, e até o clássico Museu de Cera Madame Tussauds. O aprendizado, aqui, é evitar ser aquilo que nos foi mostrado.

Ensaio técnico da Tucuruvi para o Carnaval 2018. (foto: Marcelo Messina/Divulgação LigaSP)

Abre a cortina do passado: em aquarela, o Brasil aparece na quinta e última galeria. Nossos museus, que ajudam a contar e recontar nossa história, encerram o desfile da Tucuruvi: o Museu do Índio, da Imagem e do Som, do Folclore, do Futebol… E claro, da Língua Portuguesa e, o mais “novo”, o Museu do Amanhã.

“Seja a arte dentro de você, mas acima de tudo não busque julgar a arte, basta sentir a emoção de sua criação”. Neste carnaval especial, que ficará para a história, a Tucuruvi vai renascer das cinzas. Vai discutir o papel da arte, nestes nossos tempos sombrios de condenações às mais variadas manifestações artísticas. Vai discutir, enfim, o próprio carnaval: a escola não será julgada, ficando a cargo de espectadores, foliões e “peças vivas de museu” sentirem a emoção genuína da criação de mais um espetáculo.

Ficha técnica

Enredo: Uma Noite no Museu
Ordem de desfile: terceira escola da sexta-feira (9/2)
Quadra: Av. Mazzei, 722
Ensaios de quadra: quinta-feira e sábado, a partir das 21h (ingresso: R$ 10)
Ensaios técnicos: domingo (28/1, às 18h)

Samba-enredo

Intérprete: Alex Soares
Compositores: Turko, Maradona, Rafa do Cavaco, Diego Nicolau, Dr. Eduardo, Gustavinho Oliveira e Tinga

 

Sentindo acelerar o coração
A emoção me guia
Desbravando as civilizações
Somos todos guardiões de Alexandria
Faz renascer…
De belas artes a inspiração
A genialidade feita a mão
Da Grécia à modernidade
Lá… Onde o passado eternizou
Só a ciência revelou

Na luz a explosão
Assim surgiu a vida… Essência natural
É vida… Na pré-história encontrei
Nessa magia me encantei

Em nome do pai
Tempos sombrios, santa inquisição
Dá calafrio ver assombração
Na era da mitologia
É festa na aldeia à “luz do luar”
Na ginga tem ilusão no olhar
“Madame de cera”, a cópia fiel
No futebol eterna paixão
O folclore é tradição
Sou eu… “Imagem do som” e beleza
Salve a língua portuguesa
Meu samba é Brasil

Uma noite no museu… Você e eu
Fazendo história nesse carnaval
É show na galeria, meu Tucuruvi
Pode aplaudir



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