Editorial

Editorial | Deputados e as benesses da alegria

A maioria das pessoas não sabe, mas 298 parlamentares reeleitos receberão o “tal” auxílio-mudança, mais uma “propina legal”, que tirará de nossos bolsos cerca de R$ 20 milhões.

Esse auxílio foi criado como objetivo garantir a mudança da cidade origem do parlamentar até Brasília, ou seja, os deputados eleitos receberam essa “ajuda” para apenas fazer a mudança. No entanto, muitos desses políticos moram em flats ou lofts alugados ou até mesmo nos apartamentos já destinados a eles, que normalmente são mobiliados.

Um absurdo ainda maior: os reeleitos receberam duas vezes. No final de mandato, para garantir a mudança de volta para seu estado em 31 de dezembro, e o retorno com a mudança em 1º de janeiro. O valor estimado para cada um é de R$ 33 mil, e tem aqueles que receberam dobrado. Mesmo quem já mora em Brasília recebe o auxílio.

Além dessa benesse, do salário de parlamentar na casa dos R$ 33 mil – mesmo valor do auxílio-moradia –, há benefícios, como verbas de gabinete, auxílios disso e daquilo, totalizando mais de R$ 200 mil por mês. É de espantar que muitos ainda reclamam, sem mencionar daqueles que meteram a mão no que não lhes pertence.

Fala-se muito em reformas de previdência, que causam “rombos” ao já deficiente estado brasileiro. Os auxílios daqui e acolá, por outro lado, são regalias de tempos em que a pirâmide social nos remete a tempos medievais, ou a sistemas de castas. Falando em Idade Média, em muitos países da Europa atual, seus parlamentares e políticos recebem salários com valores muito abaixo dos nossos, e sem qualquer benefício. Tem país que paga apenas uma ajuda de custo a Deputados, acredite.

O Congresso Nacional é um dos parlamentos mais caros do mundo. Como chegamos a isso? Aliás, a pergunta é se transforma em uma afirmação: deixamos chegar neste ponto. Sem fiscalização, a farra com o dinheiro público se mantém perpetuamente. Enquanto não estivermos participando assiduamente dos assuntos do país, acompanhando, de fato, Leis e Decretos que são aprovados na calada da noite – já virou um costume, um fuso horário muito particular de nossos congressistas –, os benefícios e a corrupção legalizada continuarão correndo soltas.

Espera-se que o novo governo cumpra com o prometido de acabar com o oba-oba dos políticos que lá estão. Mas, temos que fazer a nossa parte: que venha 2019!

 


Samir-Mohamed-TradDiretor do Grupo SP de Comunicação

Jornalista e Editor dos jornais SP e do portal de notícias SP Norte.

samirtrad@terra.com.br



Topo