Histórias

Dez curiosidades sobre a história do Parque Edu Chaves

No princípio, fez-se o pântano

O Parque Edu Chaves foi fundado em 3 de dezembro de 1924. Em seus primórdios, era uma fazenda onde se cultivava arroz, gramínea propícia ao terreno pantanoso que dominava a área.

Chuva, enchente e… Cobras!

Dois anos depois, foi iniciado o loteamento do bairro. A maioria dos 1.535 lotes era feitos com madeira, ou seja: durante a época de enchentes, era um “salve-se quem puder!”, a água atingia até dois metros de altura. Outra situação causava terror aos moradores: cobras, “que vinham como loucas”, buscavam algo para se enrolar em tudo que estivesse parado. Os moradores que saíam do bairro, fugindo das enchentes, esperavam o período de seca para pintar e vender suas casas. O problema chegou até a originar a entidade S.O.S. Enchente.

Pescar traíras e rãs na Praça Santos Dumont?

Hoje conhecemos a Av. Santos Dumont, mas o pai da aviação já emprestou seu nome para aquela que hoje é a Praça Comandante Eduardo de Oliveira. Por lá, senhores como Tubero, Manoel Franco Filho e Manoel Roqueiti pescavam traíras e caçavam rãs, em um lago cercado por um bosque de eucaliptos.

“Barro nosso de cada dia”

A aguaceira que se formava no bairro fazia com que os antigos moradores saíssem de suas casas vestidos de calções e, nas mãos, calças e roupas limpas. Ao chegarem na praça, trocavam-se e guardavam os itens sujos na Padaria dos Irmãos Pereira ou no depósito Jaguar, dos irmãos Baldin. Trocados, pegavam um ônibus para ir ao trabalho. No retorno, o mesmo ritual naquele que chamavam de o “barro nosso de cada dia”.

Bambu de luz

Estamos acostumados com os postes de concreto, e até de madeira. Porém, já na década de 1950, o Edu Chaves sequer possuía luz decente. A iluminação era emprestada de moradores de avenidas como Edu Chaves e Roland Garros. A técnica? Esticar e suspender os fios em bambus, dividindo a luz entre 40 casas. Durante a noite, a luz sequer iluminava as ruas, de tão fraca.

Quer luz? Então, que pague!

Se hoje o serviço de iluminação é pago indiretamente, para ter acesso a esse bem básico, naquela época, era um suplício. Isso porque os moradores que pagaram à antiga Light a colocação de postes na região. Foram 312 postes, no valor de 1.137.180 de cruzeiros, pagos por meio de um rateio entre os moradores.

Briga por água

O mundo clama pela preservação da natureza, e a água é a principal fonte a ser cuidada. Mas, naqueles tempos, as águas eram retiradas de poços – que ficavam insalubres com as enchentes. Caixas de água foram instaladas, mas não davam conta: filas enormes eram formadas, e os moradores, com medo que a água acabasse, discutiam. A confusão era geral! Só em 1958 que a água jorrou das torneiras.

No “busão”, só sargentos. O povo, que vá a pé!

Os privilégios de poderosos, tal qual os coronéis que ainda persistem nos rincões do Brasil, era uma cena comum no Edu Chaves. Antigamente, o transporte era feito pelo trenzinho da Cantareira – para chegar ao Jaçanã, o mesmo ritual para não sujar as roupas, pisando no barro da Av. Edu Chaves (hoje, Av. Luís Stamatis). O primeiro ônibus, da força pública da época, era guiado pelo Sr. João Alves de Souza, e só transportava os sargentos. O “povão” tinha que ir a pé.

Tábuas que voam

Não, o Parque Edu Chaves não teve acontecimentos sobrenaturais. Mas, sim, tábuas que voavam quando os ônibus passavam pelas rústicas pontes de madeira, que eram levadas por conta das enxurradas. No período seco, tábuas davam “o jeitinho brasileiro” à ponte, e os passageiros tinham que descer do ônibus para rebocá-lo. O terreno, inconsistente, sofria com o peso do “busão” e, com isso, os moradores carregavam pás e enxadas para tapar os buracos pelo caminho.

Sapec!

Apesar do sonoro nome, que remete às rãs e sapos que habitavam o lago da antiga Praça Santos Dumont, a Sociedade Amigos do Parque Edu Chaves (SAPEC) surgiu em agosto de 1956 e até hoje realiza atividades em prol do bairro, do esporte ao lazer, e apoiando a economia local.

Todas as curiosidades estão disponíveis na Biblioteca José Mauro de Vasconcelos, localizada na Praça Comandante Eduardo Oliveira. A praça, com formato peculiar, remete à francesa Place d’Etoille, onde está o Arco do Triunfo. Agradecimento especial a Nelsinho Ferreira, líder comunitário e empresário da região do Jaçanã e Edu Chaves, que disponibilizou o texto com a história do bairro.

Dez curiosidades sobre a história do Parque Edu Chaves


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