Histórias

Dia do Trabalho para quem se vira

Trabalhador e versátil, o paulistano é inovador quando se trata de trabalho. Exemplos não faltam de pessoas que conciliam dois empregos ou que tornam o seu hobby num possível empreendimento.

Iarly evangelista – Criadora do N’Ativa Periferia

A celebração do Dia do Trabalho vem acompanhada das altas taxas de desemprego no Brasil, os dados mais recente mostram que o primeiro trimestre de 2019 fechou com 12,4% de desempregados, segundo o IBGE. A população desocupada atinge 13,1 milhões, um crescimento de 7,3% em comparação com novembro do ano passado.

Além da dificuldade de arrumar um emprego, há também a desvalorização do trabalhador, fazendo muitos arriscarem empreendimentos próprios, como é o caso da estudante de química Iarly Evangelista, de 22 anos. Querendo fugir da carteira assinada, onde acredita que o “trabalhador não é valorizado”, ela criou uma marca de cosméticos artesanais “N’Ativa Periferia”. Segundo a idealizadora, o empreendimento é um “teste”, porém ela pretende ter seu próprio negócio no futuro em sua área de formação.

Para quem está num emprego formal, um salário não é o suficiente para suprir a necessidade da família, por conta disso muitos se arriscam a fazerem bicos no seu tempo livre, como o Rodrigo Cabral, de 33 anos. Durante o dia ele trabalha de vendedor na cervejaria, e a noite faz viagens de motorista de aplicativo.

Rodrigo Cabral com sua filha mais nova

Rodrigo é casado e pai de duas filhas e um filho, ele identifica como positivo a possibilidade de fazer um bico em outro período “Isso sempre é bom, uma grana extra”. A dificuldade maior é conciliar os dois empregos com a família “A atenção familiar cai um pouco, mas a mulher entendeu, porque era para um bem melhor”.

Ele promete que o segundo emprego será por pouco tempo, “Na melhor hora, quando tiver conquistado os meus objetivo, irei parar sim e ficar em um [emprego] e ter uma vida tranquila”.

Artista e educador social Lean da Silva Santos (Zulu Lean)

Se já está difícil para quem quer um emprego formal, imagina para quem é um agente de cultura. Lean da Silva dos Santos, é dançarino e grafiteiro, mas trabalha como educador social. Ele comenta que “muitos artistas tem seu trabalho fixo na semana e nos finais de semana tem suas apresentações ensaios, saraus, shows e oficinas”. Mesmo com a agenda cheia, ele brinca com a situação “ainda sobra tempo pra minha filha”.

Segundo o artista “No Brasil a arte não é valorizada como deve”. Ele observa uma dificuldade maior para quem faz arte no contexto periférico “Arte é uma ferramenta de transformação, principalmente, a arte periférica, [pois] não é só dá periferia, mas de todos. A arte ou as artes produzidas na periferia são a nossa cultura popular”.

 

Cenário atual

A expectativa para quem quer trabalhar com carteira assinada ainda não é muito bom, depois de dois meses em alta, no mês de março foram fechadas 43.196 vagas, segundo dados divulgados na quarta-feira (24/04) pelo Cadastro Nacional de Empregados e Desempregados (Caged), este é o pior desempenho para março desde 2017.

Na região metropolitana de São Paulo, o desemprego aumentou de 15,5% em fevereiro para 16,1% em março, segundo a Pesquisa de Emprego e Desemprego (PED), da Fundação Seade e do Departamento Intersindical de Estatística e Estudos Socioeconômicos (Dieese).

O estudo ainda mostra que, ao menos, 1,76 milhões de jovens estão desalentadas, ou seja, simplesmente desistiram de arrumar emprego. Esta população chegou a 4,9 milhões, recorde da série histórica. O percentual de desalentados é de 4,4%.



Topo