Coronel Velozo / Doenças físicas e psicológicas: o preço da evolução humana

0
28

Coronel Velozo – Hervando Luiz Velozo

Nasceu na Freguesia do Ó; foi soldado do Exército Brasileiro, e na Polícia Militar do Estado de São Paulo, comandou áreas como Campo Limpo, Morumbi, Jardins, Lapa, Pirituba e Perus, e por último foi comandante do policiamento de trânsito (CPTran).Palestrante e instrutor sobre segurança pública e privada.

facebook.com/coronelvelozo – email: hlvelozo@uol.com.br

 

A evolução humana está diretamente relacionada a acontecimentos, necessidades e principalmente vontades.

Somos dotados de sentimentos e vontades que são gerados por pensamentos relacionados com o nosso intelecto, que por sua vez está amparado em nosso estado psicológico.

As nossas ações estão diretamente ligadas ao nosso estado emocional, que sofrem alterações em resposta aos momentos que vivemos.

O mundo está atravessando um momento delicado, que alterou drasticamente o comportamento humano. Estamos convivendo há meses com algo praticamente desconhecido, silencioso e invisível, mas que adoece e mata pessoas. Desde então vivemos mudanças de comportamentos e atitudes, sendo que na maioria destas mudanças, instruídas por cientistas, médicos, instituições e governos, de como devemos nos comportar e agir para evitar a contaminação e assim diminuir as possibilidades de contrair o vírus da COVID-19.

Ao longo desses meses entramos numa batalha diária com o nosso psicológico, dirimindo e absorvendo informações de como devemos agir, ou até mesmo criando condutas pessoais de enfrentamento da doença, que associada a pandemia causou perdas humanas e materiais. Assim muitas pessoas estão sofrendo de diversas anomalias psicológicas como depressão, síndrome do pânico, estresse entre outros.

Lendo artigos sobre algumas dessas causas, me deparei com um bem interessante, e que está atingindo muitas pessoas pelo mundo, que é a “síndrome da cabana”. Uma doença descoberta no século 20 e que está associada ao isolamento do convívio social.

Esta síndrome acomete pessoas que passam muito tempo isoladas do relacionamento humano. Quando descoberta, e até pouco tempo, esta doença estava relacionada principalmente em profissionais que trabalham em plataformas de petróleo, ou aqueles profissionais que ficavam isolados muito tempo nos hemisférios polares e ilhas para estudos científicos e até caçadores no passado que ficavam por algum tempo em florestas.

A síndrome da cabana, de acordo com especialistas, hoje está presente nas pessoas comuns, que com o enfrentamento da doença, deixaram o convívio social e se mantiveram em isolamento em suas casas. Com as novas mudanças de abertura do comércio, e a volta gradativa do convívio social, mesmo com todos os cuidados, ainda mantém muitas dessas pessoas reclusas e com medo de sair, causando assim uma profunda angústia, já que para elas suas casas são o único porto seguro que possuem.

Para a maioria dessas pessoas, que demonstram acentuadamente esta síndrome, enquanto não houver uma vacinação de cura, não deixarão seus lares. A síndrome está associada também ao medo do desconhecido, já que do lado de fora circula uma doença que mata. O simples fato de pensar em sair de casa pode causar pânico, algo assustador. Isso também está relacionado as novas condutas que enfrentamos, ou seja, a pessoa já se sente ameaçada só pelo fato de vestir a máscara e portar álcool em gel. Assim muitas pessoas estão com dificuldades para voltar ao trabalho e até mesmo de se relacionar novamente com outras pessoas que não fazem parte do seu convívio diário.

Estamos atravessando mais um momento de evolução e aprendizado na história da humanidade, e a certeza de que muitas coisas não serão como era antes da pandemia.

Devemos mudar nossas atitudes, condutas e pensamentos para o novo ciclo humano, mesmo que a vacina chegue, ainda a doença continuará entre nós, e muitos aspectos do relacionamento humano continuará a mudar, e com o tempo passará para um novo normal, pois somos seres adaptáveis.

O que pretendo com essa dissertação, é refletir o sentimento que me trouxe até aqui, no mais singelo entendimento de tudo que estamos passando. Acredito que estamos aprendendo que o convívio social a partir de então não basta tão somente mantermos o distanciamento, mas sim aproximar e oferecer ao nosso semelhante o convívio socioafetivo através do amparo, do entendimento e da compreensão.

A transição para muitos está sendo dolorosa e difícil, principalmente para aqueles que perderam entes queridos, negócios e empregos. Cabe a cada um de nós sermos verdadeiramente humanos, mas deixando a arrogância, a prepotência e a ignorância esquecida no mais profundo porão de nosso intelecto e trazer para o nosso convívio diário a solidariedade, o amor e a fé!

Que mais esta etapa dolorosa de nossa evolução se transforme em aprendizado para todos nós!