Editorial

Editorial | A corrupção está no DNA do Brasil

Ao rever a história brasileira – nada mais propício nesta semana cívica –, percebemos que, quando se trata de levar vantagens e aproveitar oportunidades ilícitas, isso está fundamentado no DNA do país, ou seja, incorporado à cultura e hábitos nacionais.

A falta de leis duras e a própria conivência dos governantes que por aqui passaram desde a colonização confirmam esta afirmação. Está claro em nossa história que as falcatruas cometidas em nossa existência como território vêm desde 22 de abril de 1500, data em que o navegador Pedro Álvares Cabral colocou seus pés portugueses na praia de Porto Seguro, demonstrando que cada explorador, governante ou outros que exerciam cargos no poder lesaram o Brasil de alguma forma.

Na época da colonização, nossas riquezas se esvaíam para Portugal, a mando do rei, mas parte se perdia no contrabando feito por quem deveria fiscalizar. Ou seja, os próprios controladores e fiscais do Império desviavam nosso pau-brasil, minérios, tabaco e especiarias. Mesmo assim, a quantidade de matéria-prima recebida por Portugal era tão grande que o reino fazia vistas grossas a tal prática, ou simplesmente não se preocupava com isso, o que acabou, indiretamente, incentivando cada vez mais essa prática.

Quando, em 1850, proibiram a vinda de escravos da África para serem comercializados no Brasil, iniciou-se o processo de tráfico de escravos, que perdurou até a Abolição da Escravatura, em 1888. Quem liderava e autorizava esse tráfico eram governantes donos de fazendas que compravam todos os lotes de escravos que chegavam ao país e depois revendiam aos outros fazendeiros. Nem mesmo denúncias de outras nações ao Imperador do Brasil conseguiram reverter ou amenizar a situação na época.

A corrupção para concessão eleitoral e de obras públicas começou a surgir no cenário nacional após a proclamação da Independência, em 1822. Um exemplo disso foi Visconde de Mauá, que recebeu licença para a exploração de cabos submarinos e a transferiu a uma companhia inglesa da qual se tornou diretor; outro empresário brasileiro fez o mesmo com a concessão que tinha para iluminação a gás, na cidade do Rio de Janeiro. Já a corrupção eleitoral sempre foi considerada uma forma de enriquecimento ilícito, por meio da qual aqueles que entravam para a política se beneficiavam ao máximo financeiramente, até a Proclamação da República em 1889, que mudou a forma de política da época, passando ao chamado voto de “cabresto”. O fazendeiro e o empresário impunham aos seus funcionários em quem deveriam votar, já que interesses estavam em risco, daí veio a denominação desses latifundiários de “Coronel”.

Em todas as gestões dos futuros presidentes até o atual encontramos relatos de manipulações eleitorais, políticas, corrupção ativa e passiva, não escapando nem mesmo a época da ditadura, com os casos mais conhecidos Capemi e Coroa-Brastel – empresas de previdência privada controladas por militares, que foram à “falência” devendo mais de US$ 100 milhões.

Com a volta da democracia acirrou-se a corrupção, com propinas para participação de empresas em obras públicas, compras de votos, licitações acertadas, políticos vendidos e outras milhares formas já de conhecimento de muitos brasileiros. Mas devemos tirar o chapéu para a gestão petista e seus governantes, durante esses últimos 13 anos, que legalizaram e institucionalizaram de forma descarada a corrupção no Brasil. Nada se equipara ao tamanho do rombo causado em nosso país.

Mesmo com tantos relatos de que a corrupção permeou nossa história e está enraizada em nossa cultura, mantemos a esperança de que o Brasil mude com a criação de leis severas para esses crimes hediondos e que os culpados vão definitivamente para a cadeia – mas, principalmente, que o povo brasileiro dê fim a isso com o voto. Essa doença faz parte da genética brasileira, equiparo-a às doenças cardíacas hereditárias; está em nosso DNA. Mas tudo dependerá de nossas atitudes e decisões sobre como conduzir nosso corpo durante a vida. Podemos deixar esta doença prosperar e nos matar, ou simplesmente a estagnarmos, sem sequelas. Pense nisso!

Referência: www.ensinandodireitoluizamaral.com.br


Samir-Mohamed-TradDiretor do Grupo SP de Comunicação

Jornalista e Editor dos jornais SP e do portal de notícias SP Norte.

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