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Editorial | Às compras por um Brasil melhor

O Editorial desta semana está sendo escrito sem a pretensão de promover este ou aquele posicionamento político. Sem direitas, esquerdas ou centrões, mas com o interesse em encontrar no atual governo, do Presidente Michel Temer ao Congresso como um todo, alguma disponibilidade real em querer devolver ao Brasil a estabilidade econômica necessária ao crescimento, sem indivíduos ficarem tentando a todo custo salvar a própria pele ou negociar apoios com dinheiro público.

Conseguir aliados que votassem em favor de arquivar a denúncia de corrupção passiva, impedindo que o caso seguisse diretamente para o Superior Tribunal Federal, confirmou o apoio considerável a Temer e a tal da governabilidade indispensável para que decisões importantes sejam tomadas e o país consiga estar num trilho de desenvolvimento, algo imprescindível no atual cenário. O arquivamento da denúncia, decerto, deu fôlego ao Presidente para continuar trabalhando com sua equipe de governo e articulando com os parlamentares as medidas que julgam cabíveis para colocar o Brasil nos trilhos. O que vimos recentemente foi um país estagnado, justamente pela dificuldade de articulação entre o governo petista e o Congresso, que culminou com o impeachment de Dilma Rousseff. A crise econômica piorou ainda mais por conta da imagem desenhada do país aqui dentro e lá fora, em virtude de todas as notícias que circularam a respeito do PT e da presidente deposta. Nossa crise é nitidamente mais política que econômica. E Temer era visto como a luz no fim do túnel. Não demorou muito, deu no que deu: a luz de sua imagem se apagou e os índices de reprovação presidencial foram às alturas. Temer é o presidente mais rejeitado pelos brasileiros, pior avaliado que Sarney e Collor, por exemplo. Mas, mesmo assim, a economia está dando ligeiros sinais de melhora, independentemente dos escândalos que vêm acontecendo, e o dólar já começa a baixar de novo, no pós-frenesi. Até quando?

Por outro lado, o que causa mais indignação com a votação da última quarta-feira (2/8), veiculada em rede nacional, é que nitidamente Michel Temer somente não foi enquadrado porque usou de toda articulação possível e de moedas de troca que tiram o fervor cívico de qualquer ser humano. Por que alguém que não tem a temer, com o perdão do trocadilho, empenhou-se em mover mundos e fundos – principalmente fundos – para se livrar dessa? Se fosse uma votação espontânea, sem cargos à disposição e o compromisso de pagar R$ 2 bilhões em emendas parlamentares (segundo reportagem da revista Veja), teria Temer o mesmo destino que o fez celebrar vitória?

Infelizmente, com a estrutura política que o país tem hoje, o crime compensa – ainda que a Lava Jato e outras operações estejam desarticulando quadrilhas inteiras, e Sergio Moro tenha achado um jeito de condenar o dono do triplex. E se alguém crê que uma futura eleição ou mesmo uma reforma política darão cabo ao atual engodo que estamos vivendo, esse cidadão é ingênuo. Como alguém que se profissionalizou na política votaria uma reforma em que sairia perdendo (de cadeiras a salários polpudos e fundos partidários, para não dizer propinas mesmo)?

Se antes esses conchavos, disfarçados de “governabilidade”, eram velados, hoje estão escancarados, a ponto de nenhuma das partes envolvidas disfarçar que está barganhando o adiamento de encontros com a Justiça. E, pior, tem muita gente presa rindo de tudo isso e ainda com muita influência política, apesar da fria carceragem.

Foto:Gustavo Bezerra/AGPT


Samir-Mohamed-TradDiretor do Grupo SP de Comunicação

Jornalista e Editor dos jornais SP e do portal de notícias SP Norte.

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