Editorial

Editorial | Até onde o Brasil aguenta?

Lembram-se do filme Rocky – Um Lutador, que tomava infinitos socos violentos e ficava com a cara arrebentada, mas não caía? Ou do Exterminador do Futuro, onde explodiam, atiravam, queimavam, e não conseguiam matar? O Brasil está parecendo um desses enredos hollywoodianos, e há tempos está tomando uma “porrada” atrás da outra e continua de pé! Mas até quando?

Chegará um momento em que o país poderá ruir em várias frentes, e a pior é a econômica, que já está visivelmente enfraquecida. Quando, como e em quais circunstâncias, não sabemos.

A situação política do país, por sua vez, já estava fragilizada muito antes do Impeachment da Presidente Dilma Rousseff, quando iniciaram os escândalos de corrupção na Petrobrás e a Operação Lava Jato. De lá para cá, vimos poderosos políticos serem acusados de corrupção e presos. Dentre esses acusados, faltam mais de cem para ingressar na lista de condenados e, quem sabe, cumprir pena, inclusive ex-presidentes.

Percebam a gravidade em que o país chegou. Dois ex-presidentes envolvidos ou, no mínimo, acusados por delatores no processo da Lava Jato – Lula e Dilma – e nesta semana, de acordo com as denúncias do jornal O Globo, o atual Presidente Michael Temer deu apoio a um dos donos da JBS, Joesley Batista, para comprar o silêncio de Eduardo Cunha, Ex-Presidente da Câmara dos Deputados, além do suposto pedido de dinheiro por parte do ex-candidato à Presidência da República e atual Senador Aécio Neves, ao mesmo Joesley Batista. Essas denúncias estão baseadas em gravações feitas por Batista com os protagonistas acusados.

Avaliem: são três presidentes efetivos e outro que poderia ter sido, todos envolvidos em escândalos de corrupção ativa e passiva, além dos favorecimentos ilícitos e obstrução da Justiça. Se isso acontece no mais alto cargo mandatário do país, imaginem os demais postos.

Sabemos que a corrupção sempre foi um câncer nacional, mas essa doença dominou por completo o país e o está deixando em condição econômica e política terminal.

Isso tudo nos mostra que todos os políticos, sem exceções, participam ou participavam desta grande farra que é a corrupção. Não só em Brasília, mas em todos os poderes, municipal, estadual e federal. Por que desta afirmação “todos”? Aqueles que não participavam diretamente de recebimentos de propinas ou favorecimentos ilícitos, supomos que, no mínimo, sabiam de um ou outro caso e se mantiveram calados, ou seja, são cúmplices.

Infelizmente, com todas essas notícias e indagações, o resultado não será diferente da realidade que enfrentamos. Leis e reformas importantes deixarão de ter credibilidade em suas aprovações, assim como as medidas econômicas que estão sendo implantadas, comprometendo a retomada de crescimento do país, principalmente pela avaliação que sofrerá o Brasil no exterior, com mais essas denúncias, afastando ainda mais os possíveis investidores. Na política internacional não é diferente, o Brasil é visto como um antro de políticos corruptos e inescrupulosos que usam a máquina pública para benefícios próprios e partidários, prejudicando assim a formalização de acordos internacionais importantes para o nosso país, inclusive os de ajuda.

Já se fala em Impeachment do Presidente Temer. Se comprovada a denúncia é, no mínimo, o que vai acontecer. Com isso, o país sofrerá uma eleição indireta, ou seja, o Congresso Nacional escolheria um novo presidente e vice-presidente. Percebam que a roda continua, o curral é o mesmo, e o Brasil segue seu caminho padecendo desse mal. Isso, na realidade, nós, povo brasileiro, causamos, pois vivemos numa democracia e colocamos todos eles lá – Lembram-se?

Foto José Cruz/Agência Brasil


Samir-Mohamed-TradDiretor do Grupo SP de Comunicação

Jornalista e Editor dos jornais SP e do portal de notícias SP Norte.

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