Brasil

Eleições 2018: alta abstenção, derrota de Doria na capital…

…e derretimento de grandes partidos. Confira a análise

Jair Messias Bolsonaro (PSL) é o novo Presidente da República Federativa do Brasil. Eleito com 57,8 milhões de votos (55,13% dos votos válidos), o capitão reformado do Exército derrotou o petista Fernando Haddad, que obteve 44,87% dos votos (47,04 milhões de eleitores).

Derrota prevista, como pesquisas já indicavam, Bolsonaro interrompe um ciclo de quatro mandatos petistas (incluindo o do vice de Dilma Rousseff, Michel Temer, do MDB) e inaugura um novo momento (incerto) no comando do maior país da América Latina.

Em dois discursos, o primeiro transmitido em uma sessão ao vivo na página do candidato no Facebook, Bolsonaro evocou termos como “evitar o socialismo e o comunismo”, ornado de uma bíblia e a constituição. Minutos depois, desceu ao prédio onde mora para falar à imprensa e fez um discurso (lido) e moderado, sem antes fazer um culto de oração com Magno Malta, senador não eleito no Espírito Santo.

Depois, o candidato derrotado Fernando Haddad fez um discurso pedindo “respeito” aos 47 milhões de votos recebidos, evocando termos como “a luta continua”, além de adaptar o hino nacional brasileiro para “verás que um professor não foge à luta”, referindo-se à própria profissão.

O mapa da apuração pelo Brasil revelou a tendência observada há vários pleitos: as regiões Norte e Nordeste destinaram mais votos a Haddad – que venceu em todos os estados do Nordeste, mais Tocantins e Pará. No Norte, Acre, Rondônia e Roraima deram votações expressivas ao candidato do PSL, com votações expressivas: 77,22%, 72,18% e 71,55%, respectivamente. No Sul, Santa Catarina também ultrapassou os 70%, dando 75,92% dos votos ao candidato.

Já Fernando Haddad teve o limite dos 70% superados na Bahia (72,69%), Ceará (71,11%), Maranhão (73,26%) e Piauí (77,05%). Com esses resultados, Bolsonaro liderou em 16 estados; Haddad em 11.

No Estado de São Paulo, Bolsonaro obteve maioria esmagadora: 67,97% contra 32,03% de Fernando Haddad.

A abstenção, mais a soma de brancos e nulos é uma das maiores já registradas: brancos e nulos somaram 11,09 milhões. As abstenções, de 21,3% do eleitorado, somam 31,37 milhões. No total, 42,46 milhões deixaram de se manifestar – uma prova, a cada eleição, de que o brasileiro não se sente representado, e que o eleito não terá uma maioria tão absoluta.

Governo: Doria é derrotado na capital

Se Joao Doria (PSDB) venceu Marcio Franca (PSB) por pequena margem (51,75% contra 48,25%), o candidato tucano viu ruir o eleitorado na capital. Na cidade de São Paulo França derrotou Doria por 58,1% contra 41,9%.

Se Doria obteve aproximadamente 11 milhões de votos, e França 10,2 milhões, o tucano vencedor terá que lidar com um dilema: brancos, nulos e abstenções somam 11,7 milhões de (não) votantes. De forma definitiva, o paulista não se viu tão representado.

Doria, depois de largar a Prefeitura com dois anos de mandato para disputar o Governo, dará continuidade a uma das maiores dinastias políticas no Brasil. Os tucanos do PSDB, somados os próximos anos de João Doria no Palácio dos Bandeirantes, completarão 24 anos de “tucanistão”. Os ventos de “mudança” que muitos desejam encontram uma barreira intransponível no Estado.

Por outro lado, o PT perdeu a hegemonia no Acre, já que o candidato petista foi derrotada, pondo fim a 20 anos do partido naquele Estado.

O mapa eleitoral nos Estados mostra o derretimento de partidos tradicionais, como o PSDB. Ainda que tenha mantido o Estado mais rico do país, os tucanos caíram de 5 para 3 estados, enquanto do MDB teve queda ainda mais brusca: de 7 para 3 Estados. O PT sentiu de forma menos abrupta: tinha 5 governos em 2014, e agora está com 4.

Por outro lado, partidos mais à direita, que nunca elegeram governadores há quatro anos, terão 7 governos: 2 do PSC, 2 do DEM e 3 do PSL, partido do presidente Jair Bolsonaro.

Partidos grandes diminuem, novos tem ascensão meteórica e PT se mantém (com percalços)

Os números desta eleição já denotam o derretimento de dois dos grandes partidos do país (MDB e PSDB), a ascensão meteórica do PSL, para além da presidência: saiu de uma para 52 cadeiras na Câmara dos Deputados. O PSDB perdeu 25 cargos, e o MDB, 31.

Por outro lado, o Partido dos Trabalhadores, alvo de escândalos e condenações de um de seus líderes máximos, submetido a bombardeios e ataques diários de opositores, mostra que ainda tem fôlego para manter a disputa e o campo de esquerda/progressista no jogo político.

A improvável chegada de Fernando Haddad – que ganhou 15,6 milhões de votos neste 2º turno, enquanto Bolsonaro capturou mais 8,5 milhões – denota que o PT, ao contrário do que muitos analistas previam, não está morto. Além disso, ainda que tenha perdido 13 cadeiras na Câmara, é a maior bancada do legislativo, com 56 eleitos.

O jogo político está lançado, e a nova temporada começa em 1º de janeiro de 2019.

foto: Tânia Regô/Agência Brasil (Jair Bolsonaro) e Paulo Pinto/Fotos Publicas (Fernando Haddad)

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