Carnaval 2019

Peito aberto e sem medo: Tucuruvi cantará a liberdade em 2019

Há 15 anos a Tucuruvi cantava: “Pois se a luta continua / Não calem a minha voz / Sou a liberdade de expressão / De um povo vencedor / Com garra e coração / Que grita: ‘Eu sou penta campeão'”. O samba de 2003, com o enredo “Não Calem a Minha Voz”, trazia a imprensa como “autêntica representante da liberdade de expressão”, como diz sinopse do tema.

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Muita coisa mudou em 15 anos. O Brasil sagrou-se pentacampeão, a política se viu em um novo momento, éramos “a bola da vez”. Em pouco tempo, o país foi da bonança à tempestade. Nesse meio, o grito de campeão ganhou – e deu lugar – a outros brados. A representatividade de vários grupos e minorias tornou-se fundamental para a garantia de direitos e o combate ao preconceito, à intolerância e à capacidade de todos viverem dignamente em um país tão diverso, tão complexo.

É com essa tônica que a Acadêmicos do Tucuruvi virá para o próximo Carnaval. Em 2019 a liberdade dará o tom com todos os brasileiros que gritam por um mundo mais justo, mais livre.

O enredo “Liberdade – O Canto Retumbante de Um Povo Heroico” vai traçar um panorama dos “gritos” que permeiam a história do país. De peito aberto, e sem medo, como diz o samba alusivo da escola.

Do grito primordial de liberdade entoado pelos índios, donos primeiros da nossa terra que viam suas liberdades aprisionadas pelo colonizador, passando pelo lamento do negro rei trazido ao Brasil para ser escravizado e a quebra dos grilhões, ao grito do Inconfidente e do Ipiranga, o enredo chegará aos nossos dias de tantos gritos e manifestações que mudaram (e estão mudando) o curso da história.

O grito contra o racismo, a intolerância, a política defenestrada tão necessários nesses novos tempos estará presente no enredo da Tucuruvi, que vira a página depois dos problemas enfrentados no Carnaval 2018: um incêndio destruiu a maior parte das fantasias a poucas semanas do desfile oficial, e a escola ficou fora da disputa, sem ser pontuada.

Um tema importante para um carnaval paulistano pouco afeito a críticas sociais e reflexões nos últimos anos. Palco de uma das maiores manifestações culturais e populares do mundo, o Carnaval pode (e deve) ser lugar para esse tipo de abordagem – desde que não seja a crítica pela crítica. A folia paulistana, cada vez mais crescente em visibilidade, não pode perder o trem da história – sobretudo em momentos tão espinhosos como esses que enfrentamos.

O enredo será desenvolvido pelo carnavalesco Dione Leite, que pela primeira vez assina um tema solo, já que esteve presente em comissões de carnaval pela Dragões da Real nos últimos anos. Além da apresentação do enredo, a festa contou com as presenças do grupo Samba Sem Lei e da escola de samba Mancha Verde, do intérprete Freddy Viana, que fez história no “Zaca”. Leonardo Bessa, novo intérprete da Tucuruvi, também subiu ao palco, junto com Grazzi Brasil, intérprete de Vai-Vai e da vice-campeã carioca Paraíso do Tuiuti.

A Tucuruvi desfila na primeira noite de desfiles, na sexta-feira de carnaval, em 1º de março.

foto: Renato Cipriano/Assessoria de Imprensa Acadêmicos do Tucuruvi



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