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Editorial | Estamos no caminho certo ao combate à criminalidade?

Assim como já era esperado há décadas, a crise na segurança pública transbordou em todo o país. No início do ano passado, acompanhamos nos noticiários os massacres em presídios da Região Norte, gerando especial comoção na opinião pública. E há alguns dias, fomos surpreendidos com a notícia do decreto de intervenção federal no Rio de Janeiro, por conta da crise de criminalidade pela qual passa o estado.

Em pronunciamento, o Presidente Michel Temer afirmou que o governo irá “enfrentar e derrotar o crime organizado e as quadrilhas”, e assim “restaurar a tranquilidade do povo”. É certo que o anúncio encontrou imediata consonância em parte da população, cansada de tanta violência, porém é preciso que a regra do engajamento seja aplicada com muito critério, com respaldo jurídico, para dar ao exército o poder de polícia, caso contrário, a situação continuará na mesma.

Uma das grandes preocupações é se isso terá reflexos imediatos nos estados vizinhos, como Minas Gerais e São Paulo, afinal o policiamento ostensivo no Rio de Janeiro pode levar o crime organizado a se mover e atravessar fronteiras. Prova disso, é o pronunciamento feito na quarta-feira (28/3), pelo Governador Geraldo Alckmin, onde anunciou uma ação especial da polícia na divisa com o Rio de Janeiro, a fim de impedir que o tráfico de armas e de drogas migre para São Paulo. A ação ocorre entre a cidade de Jacareí, no Vale do Paraíba, até a divisa com o Rio. Ela também estará presente no litoral, na Rio-Santos.

Serão mobilizados policiais militares e civis, viaturas, helicópteros, batalhões de choque e cavalaria, e a ação não tem data para acabar. Além disso, o estado solicitou uma autorização para que a polícia paulista possa fiscalizar as rodovias federais que cortam São Paulo.

Tais ações refletem o problema que é cada dia mais grave, não somente no Rio de Janeiro, mas que se desenha na mesma forma em todo o país: o Brasil é considerado o maior consumidor de crack no mundo, o segundo de cocaína, e o maior local de passagem de drogas no mundo. Chegou a hora de dar um basta, não podemos permitir que o Brasil se torne um “narcopaís”.

Para combater a violência e o crime organizado, precisamos de uma polícia sólida, bem equipada e treinada. A instituição tem um papel central na interrupção da escalada da criminalidade.

Realizar essa promessa exigirá, no entanto, um poder público mais eficiente, afinal, os resultados obtidos até agora na área de segurança pública não nos proporcionam boas expectativas.



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