Carnaval 2018

Folia tech: bloco de rua do CCJ usa instrumentos criados digitalmente

Na avenida, as escolas de samba utilizam, cada vez mais, a tecnologia para criar seus desfiles. Um trabalho que começa no desenho: ainda que a maioria seja feita à mão, as obras são digitalizadas, para que os criadores possam visualizar de maneira mais prática como ficará a fantasia ou a alegoria. O resultado é o espetáculo que vemos no sambódromo.

E os tradicionais blocos de rua? O histórico cortejo, que caiu no gosto do paulistano nos últimos anos, também usa a tecnologia para sair pelas ruas. É o caso do Centro Cultural da Juventude (CCJ), na Vila Nova Cachoeirinha, que vai estrear o Bloco da Tia Ruth – afinal, o CCJ é batizado com o nome da antropóloga Ruth Cardoso – em 18 de fevereiro.

Os instrumentos musicais, feitos de madeira, passam pelo mesmo processo que falamos acima: programas de computação “desenham” os bumbos e tambores e, depois, são replicados para a marcenaria convencional. As criações foram feitas em parceria com o Fab Lab Livre SP, uma rede de laboratórios públicos que permite projetar diversos objetos, por meio de impressoras 3D e softwares de desenho digital.

As criações são resultados de oficinas promovidas pelo CCJ e o Fab Lab Livre SP, supervisionadas pelo mecânico industrial Jesus Cavalcante de Assis Neto. Os instrumentos criados digitalmente, além de serem de baixo custo, permitem uma sonoridade próxima a dos surdos, tambores e repeniques usados pelas escolas de samba.

“Utilizamos recursos gráficos da modelagem 3D aliados à marcenaria digital. Os acabamentos foram feitos com as técnicas da marcenaria tradicional, pois o nosso maior foco foi desenvolver instrumentos de baixíssimo custo. Inovamos, por exemplo, com a fabricação de um surdo todo em madeira, sem pele e sem metal. Claro que o equipamento não tem o som específico, pois é uma réplica, mas chega bem próximo do timbre de um surdo ‘verdadeiro’”, explica Jesus.

A folia no CCJ também inclui cursos que aproximam os moradores da região ao processo criativo do carnaval: são realizadas oficinas de samba, percussão e criação de fantasias. Tudo isso vai integrar e organizar o Bloco da Tia Ruth. “Ter a comunidade inserida em um bloco carnavalesco, que resgata a tradição cultural da brincadeira, é uma forma de dar voz e espaço à periferia”, afirma Aline Torres, diretora geral do CCJ.

Oficina de passista no CCJ (foto: Facebook)

Ainda dá tempo de participar das oficinas, que seguem até 4 de fevereiro. As inscrições são feitas na recepção, de terça-feira a domingo, a partir das 10h, ou no Facebook (clique aqui). O CCJ está localizado na Av. Deputado Emílio Carlos, 3.641. Confira também os endereços do Fab Lab Livre SP.

fonte: Daniel Santos/Comunicação CCJ
fotos: Bárbara Jadeh/CCJ



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