Zona Norte

Grafite transforma as escolas da Zona Norte

A arte do grafite vem se tornando uma importante ferramenta de arte-educação e transformação para os estudantes e para as escolas da zona norte. As escolas Municipal de Ensino Fundamental (EMEF) Hipólito José da Costa e as estaduais (EE) Pedro de Moraes Vitor e Prof. Leonidas Paiva realizam projetos de grafite dentro e fora do ambiente escolar.

Na EMEF o projeto teve inicio em 2017, pelo professor de Arte Rodrigo Pignatari. Ele mobilizou cerca de 250 estudantes, que registraram mensagens em forma de desenhos nas paredes da escola respondendo a pergunta: “O que você deixaria registrado em um muro para a humanidade?”. O projeto faz um paralelo com os registros artísticos deixados na parede pelos povos antigos, como o egípcios e as pinturas rupestres.

Já na EE Pedro de Moraes Vitor, conhecido pelos moradores como “Pedro Maloca”, a oficina de grafite acontece aos domingos e atende alunos e ex-alunos da escola. O projeto começou em 2018 pela grafiteira da região Ladianni Tini, conhecida como LadyBrown. Antes dela, o coletivo Zoo Crew já realizava oficinas de grafite e skate aos finais de semana. Além do grafite, o projeto realiza bate papos sobre a cultura do hip hop.

Perto do final do ano passado, membros do projeto, junto com lideranças artísticas, realizaram o “GraffitiFest”, evento trazido do Chile pelo artista Dingos Del Barco e que reuniu mais de 60 artistas da zona norte com diferentes estilos artísticos. A comunidade se mobilizou para realizar a ação, doando os materiais para o evento.

A professora de artes da escola, Bruna Pucci, comenta que antes do projeto o “graffiti era uma linguagem distante”, mas depois que passou a participar das oficinas, ela percebeu que “É viciante graffitar”. Além disso, ela conta que foi a oportunidade de reencontro “O graffiti me reaproximou do desenho, algo que já não fazia há muito tempo”.

“A arte é transformadora”

É o que conta a Caroline Luz, conhecida como Ca Luz, artista que realiza oficinas de grafite na EE Prof. Leonidas Paiva e no Centro para Juventude Helena Portugal Albuquerque, o projeto faz parte da ONG Gol de Letra. Ela está há três anos a frente da ação, que já passou pelas EE Dr. Sócrates Brasileiro e EE Alberto Cardoso de Mello Neto, todas na zona norte.

Ca Luz conta sobre a importância das oficinas de grafite nas escolas “Por eles [alunos] serem jovens periféricos, grande parte negros, eles não tem tanta visibilidade”. Para ela, o projeto abre mais espaços para que os adolescentes e jovens possam se expressar “Torna mais acessível a cultura de rua”.



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