Zona Norte

Horto Florestal proíbe ações culturais dentro do Parque

Nesta semana a gestão do Horto Florestal (Parque Estadual Alberto Löfgren) proibiu que grupos de arte e cultura continuassem realizando atividades dentro do Núcleo de Educação Ambiental. A decisão, comunicada via Whatsapp, acaba com dezenas de atrações culturais que aconteciam desde 2016.

Ativista literária, Natália Santos participa do coletivo “Você Tem Fome de Que?” e, desde maio de 2016, organiza ações culturais dentro do Parque. Segundo Natália, o espaço que hoje é a Biblioteca Comunitária do Horto, foi montada por ela, junto com Mayara e outros ativistas e recebeu o nome de Projeto Leia Bem no Horto. “O espaço era abandonado há anos” conta.

De acordo com as mensagens apresentadas, representante da administração do Parque a chamou para uma conversa “preciso de uma reunião com você o quanto antes”. Após Natália responder que teria agenda somente aos finais de semana, ela recebe a mensagem:

“Então Natália vamos cancelar todas as atividades no espaço leia bem até que possa vir para definir o que me foi passado” [sic]

Ao receber a notícia, Natália argumenta que o projeto atende 60 pessoas fixas “Oq [o que] eu falo com elas??”. Contudo a resposta é vaga “Infelizmente não pode continuar como esta”.

Natália aponta que o principal fator da proibição está relacionada com a mudança gestão de Governo Estadual: “Até a gestão passada a gente podia divulgar as atividades do [Projeto] Leia Bem, com os logos das nossas coletividades, e de repente, a gente não pode mais”. Além disso, ela conta que passaram a fazer exigência “Se eu não passasse a programação a eles, não deixariam a gente entrar no espaço”.

Expulsos

Outra ativista que está proibida de realizar ações dentro do Horto Florestal é a Denilde Reis, membro do projeto Leia Bem no Horto desde o inicio(2016). Ela comenta que o projeto da biblioteca pública dentro do Parque é  fundamental “visto que não há nenhuma na região”.

Denilde destaca que a Biblioteca Comunitária promovia muito mais que ações culturais: ” O espaço não só oferece arte e cultura, também oferece saúde, como as aulas de yoga”.

Atividades Culturais

Antes do comunicado, cinco coletivos artísticos promoviam atividades no espaço. As ações eram gratuitas e contavam com exibição de filme, contação de história, sarau, yoga, palestras sobre diversos temas e oficinas de teatro, arte urbana, formações holísticas, bioartes, de brinquedos recicláveis, permacultura, horticultura e de fotografia, além da própria Biblioteca Comunitária.

Cuidados

Além das atividades culturais, os coletivos se organizavam para zelar pela Biblioteca Comunitária, localizada no Núcleo de Educação Ambiental do Horto Florestal. “Tudo lá é a gente que arruma, tudo mesmo. A administração não troca nem nossas lâmpadas. A Dedetização foi feita por nós”, desabafa Natália. Quando questionada como conseguia recurso para essas ações, ela responde “A gente consegue tudo isso em parceria com a comunidade”.

Educação Ambiental

Para a Professora Giselle Pécora, de uma escola próxima ao Parque, quanto mais atividades educativas dentro do Horto Florestal, mais ajudará na educação das crianças “[as atividades] podem proporcionar aos estudantes maior vivência e conhecimento real dos temas propostos”.

O que diz a a SMA?

Em resposta aos questionamentos, a Secretária de Infraestrutura e Meio Ambiente (SMA), esclarece que “as atividades no local não foram suspensas e estão mantidas por meio de um termo de voluntariado, até o término do processo de Chamamento Público. A atual gestão iniciou procedimento de regularização de todas as parcerias, conforme determina o Decreto nº 61.981/16”.

Fotos: Arquivo pessoal



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