Carnaval 2018

Império de Casa Verde é destaque na segunda noite de desfiles

O que era expectativa se confirmou. E com sobras. A segunda noite de desfiles no Sambódromo reafirmou o peso de 34 títulos na pista e de uma escola que bateu na trave em 2017. De fato, foram desfiles de um nível superior aos do dia anterior – com exceção da Tatuapé, que está na briga para conquistar o bicampeonato.

O povo do Império de Casa Verde, aquele abraço de Gilberto Gil na Vai-Vai, a voz marrom de Alcione na Mocidade Alegre, a gente caipira e feliz da Dragões da Real: essas quatro escolas estão na briga pelo campeonato e por vagas no desfile das campeãs.

X-9 Paulistana, que retornou à elite, fez um desfile divertido, mas que não brigará por melhores posições. O samba é igualmente divertido, mas não é dos melhores da temporada. Fantasias e alegorias, simples, remetiam aos vários ditados populares: “acabar em pizza”, “quem não tem olho grande, não entra na China”, “Uma andorinha só não faz verão” e tantos outros. A construção do enredo e sua execução na pista, porém, não permitiu uma sequência clara dos ditos: uma mistura de referências.

Veja (ou reveja!) como foi a largada da X9 Paulistana!

Posted by Jornal SP Norte on Sunday, February 11, 2018

 

De tirar o chapéu! Confira como foi o desfile da X9 Paulistana. Escola da Parada Inglesa carnavalizou ditados populares na avenida.

Posted by Jornal SP Norte on Sunday, February 11, 2018

Já a Vila Maria, que encerrou os desfiles do Grupo Especial, cantou o México e os personagens de Roberto Bolaños. A escola enfrentou problemas com a porta-bandeira já dentro da pista: a saia de Laís Moreira, primeira porta-bandeira, não se sustentou. Para evitar perder mais pontos, a escola trocou os pavilhões, já que só quem ostenta o pavilhão principal é julgado no quesito.

Vila Maria – Desfile Carnaval 2018

Não contavam com a minha astúcia! Veja a largada da Unidos De Vila Maria no desfile que homenageou Roberto Bolaños, criador de "Chaves! Escola encerrou desfiles do Grupo Especial no Carnaval 2018.

Posted by Jornal SP Norte on Sunday, February 11, 2018

As cores e sabores do país foram mostrados desde as antigas civilizações, no primeiro setor, passando pela chegada dos colonizadores espanhóis. Nos dois últimos setores, a homenagem ao criador de Chaves e Chapolin se fez presente, com a representação dos icônicos personagens da Vila do Chaves.

No final, o guia dessa viagem cheia de cultura comandou a festa – dos mortos. No México, é uma celebração festiva, cheia de caveiras, cores e, de certa forma, um festejo à própria vida: a obra de Chesperito – ou, “Pequeno Shakespeare”, como é conhecido Bolaños em sua terra natal – permanece, por gerações e gerações.

Posted by Jornal SP Norte on Sunday, February 11, 2018

O povo em suas mais diversas formas

O povo em seus mínimos e máximos detalhes. O desfile da Império de Casa Verde usou – e abusou – da reprodução de uma obra universal: Os Miseráveis, do francês Victor Hugo. A realeza, a pobreza, a miséria do povo e a celebração final daquele que é o verdadeiro dono do poder. Um paralelo com a atual situação do Brasil, mas sem mencionar, em nenhum momento, nossos fatos ou cores. O que é ótimo, definindo o caráter universalista da obra, mas inserindo o folião e os espectadores no contexto histórico da Revolução Francesa com cores, aí sim, deste país.

O início do desfile da Império De Casa Verde foi nessa pegada!

Posted by Jornal SP Norte on Sunday, February 11, 2018

Um cortejo, ainda que retratando o povo e suas facetas, luxuoso. A marca do carnavalesco Jorge Freitas esteve presente até o último farrapo de fantasia, em um desfile que certamente está entre uma das melhores apresentações da escola da Casa Verde. O destaque ficou por conta da condução do samba por Carlos Junior, e da bateria de Mestre Zoinho, garantindo a sustentação necessária a um desfile marcado por teatralizações em quase todas as alas – um musical a céu aberto, a grande ópera de rua que é o Carnaval.

Entre reis e rainhas, crianças pediam comida. O povo, representado pelo bobo da corte, perdia a cabeça na guilhotina. Mas, no final, o carro Tigre Guerreiro A Nobreza do Povo trouxe novamente o bobo da corte, em meio à vitória dos antes miseráveis em meio à folia. O tigre, ostentando sua coroa, também manteve alguns dos farrapos das batalhas de outrora. Caiu a bastilha – representada por um dos carros mais belos deste carnaval – e vida longa ao povo!

"O Povo: A Nobreza Real" foi o emocionante enredo da Império De Casa Verde no Carnaval 2018. Confira as fotos!

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Depois, o povo do samba viu a homenagem da Mocidade Alegre a Alcione. O samba, que jamais vai morrer, viu em cores – além de verde e vermelho, de verde e rosa da Mangueira, escola de coração da cantora – e ouviu em sons o ritmo mais popular do país. Um desfile cheio de referências ao Rio de Janeiro, onde Alcione iniciou a carreira, e ao Maranhão, terra natal da “Marrom”.

Era noite, mas o sol brilhou mais uma vez. A voz marrom de Alcione deu a largada ao desfile da Morada do Samba, incendiando as arquibancadas. De lá, partiu para o último carro – a segunda alegoria chegou a confundir, já que havia uma cover da cantora.

Uma aclamação dupla: o povo aplaudiu Alcione e as ousadas bossas da bateria Ritmo Puro. Os comandados por Mestre Sombra não economizaram, além de arriscarem a tradicional marcação de surdo um da Mangueira. À frente, a rainha Aline Oliveira não só sambou, como atuou ao lado da ala coreografada que antecedeu a batucada. Uma exibição de gala, de graça e beleza.

A Morada do Samba homenageou Alcione no carnaval 2018. Confira as fotos da Mocidade Alegre!

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As homenagens da noite seguiram: Gilberto Gil mandou aquele abraço para a Vai-Vai e às arquibancadas, que agitaram bandeiras para dar passagem à “escola do povo”. A alvinegra da Bela Vista trouxe os momentos mais marcantes da vida e da carreira do músico. Um dos destaques foi a ala que representou o período da ditadura militar: fantasiados de tropa de choque, em meio a uma exuberante Ivy Mesquita, que representou a democracia.

A pista continuou alvinegra, na sequência. A Gaviões da Fiel, que tem um dos melhores sambas de enredo do ano – se não, o melhor – levantou as arquibancadas, que se renderam ao grito “Anauê!”, do refrão principal. Porém, o samba em sua íntegra não foi cantado a plenos pulmões, como merecia.

A homenagem à vizinha cidade de Guarulhos se deu por meio de uma lenda indígena: tempestades de fogo, renascimento, purificação, progresso e o futuro. De forma singular, a estreia do renomado carnavalesco Sidnei França deu novos ares à escola, ainda que a alvinegra tenha enfrentado problemas na confecção das alegorias e fantasias.

O gavião voou alto, em uma apresentação criativa – sobretudo pelo impedimento da agremiação em não usar a cor verde, normalmente relacionada aos indígenas. Isso não foi nenhum porém para um desfile cheio de cor, de acordo com a proposta do enredo.

Penúltima a desfilar, a Dragões da Real abriu a porteira: a homenagem à música sertaneja colocou a escola tricolor novamente à disputa do título – afinal, em 2017 empatou com a campeã Tatuapé, mas perdeu nos critérios de desempate.

A simplicidade caipira foi retratada em fantasias e alegorias com bons efeitos cênicos, aliando acabamento impecável às características simples do sertão e do campo. Na comissão de frente, a representação de ícones do ritmo, como Inezita Barroso. No alto do tripé que acompanhou a abertura da escola, Sergio Reis e seu berrante. Madrinha do enredo neste ano, Roberta Miranda desfilou em um dos carros alegóricos. Uma exibição que confirma a ascensão da jovem escola, que sonha com o título inédito.

Quem assistiu aos desfiles da segunda noite, não se decepcionou. Opinião quase geral, dizem que a campeã sai do segundo dia de apresentações, devido ao alto nível do que foi mostrado no Anhembi. As chances são muitas, o que confirma o peso de uma noite pesadíssima, com estrelas a perder de vista.

A campeã do Carnaval de São Paulo será conhecida na próxima terça-feira (13/2), com apuração a partir das 16h. Façam suas apostas!

fotos/vídeos: Bruno Viterbo

Império de Casa Verde é destaque na segunda noite de desfiles


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