Cinema

Infiltrado na Klan: novo filme de Spike Lee estreia quinta (22)

O diretor Spike Lee está de volta naquele que já é considerado um de seus melhores filmes – se não, o melhor. Infiltrado na Klan estreia na próxima quinta-feira (22/11) permeado por uma forte crítica social e racial – marca do cineasta em várias obras – necessária nesses tempos de chumbo não somente no Brasil, mas em todo o mundo.

O diretor Spike Lee orienta atores no set (foto: Focus)

Vencedor do Festival de Cannes este ano, o filme é estrelado por John David Washington – o sobrenome é conhecido: filho do também ator Denzel Washington. No filme, o ator vive o detetive Ron Stallworth que, acredite se quiser, infiltrou-se na nefasta organização Ku Kux Klan, em 1978. A KKK é um grupo que prega a supremacia branca e outras formas de extremismo racial e social.

A comunicação do primeiro detetive negro do Colorado com o grupo racista se dava por cartas e ligações e, no caso de ter que estar presente, outro policial era enviado à missão: Flip Zimmerman, interpretado por Adam Driver (de Star Wars: Os Últimos Jedi). O sobrenome indica: um judeu, testado diversas vezes pelos intolerantes. Com meses investigando as práticas da KKK, Ron acabou se tornando líder da seita e, com isso, conseguiu sabotar linchamentos e outros crimes de ódio praticados pelos fascistas, como explosões em boates.

Ácido e crítico, Spike Lee é um dos mais contundentes críticos ao presidente americano Donald Trump: o chama de “agente laranja” ou, apenas, “filho da puta” e, sem meias palavras, considera o boquirroto presidente um racista. “Não é só o agente laranja, o do Brasil é igualmente ruim. Ocorre em nível global”, afirmou o diretor em entrevista ao jornal El País, sobre o eleito Jair Bolsonaro (PSL).

Infiltrado na Klan é baseado no livro escrito pelo real Ron Stallworth, lançado recentemente no Brasil. O detetive narra uma das investigações mais secretas e, por todo o contexto, incríveis dos “States”. Mesmo 40 anos depois do caso surpreendente, o filme também encontra eco em casos recentes, como a manifestação de supremacistas brancos em Charlottesville, no estado da Virgínia. Em 2017, uma pessoa morreu e 19 ficaram feridas depois de um carro avançar sobre uma multidão que protestava contra outro evento de supremacistas na cidade.

O filme, além da crítica racial, usa da comédia para tratar o tema principal, mas mantendo a seriedade que o assunto implica. Um filme, cada vez mais, necessário para discutir o passado e suas ações (e reflexos) no presente – seja nos Estados Unidos, seja no Brasil. Confira o trailer:



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