Zona Norte

Jaçanã é o terceiro distrito com mais mortalidade materna

Segundo dados divulgado pelo Mapa da Desigualdade, o Jaçanã é o terceiro distrito onde ocorre mais mortalidade materna, sendo 25,25 a cada 10 mil habitantes. Os dois primeiros são Socorro e liberdade, com uma taxa de 25,45 e 28,45 respectivamente.

A região possui o Hospital São Luiz Gonzaga, além de cinco UBS, porém o número da mortalidade materna é maior do que em muitos distritos que não possuem essa oferta de atendimento.

A prefeitura informa que possui o Comitê de Mortalidade Materna do Município de São Paulo, que é responsável pela investigação das causas de óbito materno, além de propor medidas para sua redução.

Segundo a gestão municipal, em Jaçanã a Coordenadoria Regional de Saúde (CRS) Norte promove o Fórum do Comitê da Mortalidade Materna, no qual os profissionais das UBS envolvidas nas atividades discutem o encaminhamento para as grávidas de alto risco e a capacitação de grupos educativos de gestantes nas UBS.

Motivações

As principais causas de morte materna estão relacionadas à complicações gestacionais ou doenças pré-existentes que se agravam pelos efeitos fisiológicos da gravidez. O início precoce, regular das consultas de pré-natal e a procura rápida em casos de hipertensão e sangramento são essenciais para a prevenção do óbito.

Agressão contra a mulher

Além da mortalidade materna, outro destaque negativo para a região é o alto número de agressões contra a mulher. Jaçanã é o distrito da zona norte onde ocorre esse tipo de violência com mais frequência, sendo registrados 28 a cada 10 mil mulheres com a faixa etária de 20 a 59 anos.

Outro dado importante mostra que o mês de maio deste ano foi registrado 18 casos de feminicídio em todo o estado de São Paulo, considerado o maior número de casos já contabilizado em um mês.

O problema só não é maior, porque a maioria das mulheres acaba não denunciando. Segundo pesquisa FBSP (Fórum Brasileiro de Segurança Pública), 52% das mulheres ouvidas não fizeram denuncia. O estudo ainda revela que a mulher prefere falar sobre a violência com a família, amigos e membros da igreja.

Outra pesquisa, desta vez realizada pelo Núcleo de Gênero do Ministério Público de São Paulo, revelada em 2018, mostra que cinco das 124 vítimas de feminicídio, de março a 2016 a março de 2017, haviam registrado boletim de ocorrência contra seu agressor.

Políticas Municipais

A Capital Paulista tem uma Política de Atenção Integral à Saúde da Pessoa em Situação de Violência, que prevê apoio, cuidados e suporte especializados, para pessoas que sofreram agressões. Na área da saúde em relação à violência contra a mulher, a cidade dispõe de Núcleos de Prevenção de Violência nas Unidades Básicas de Saúde e Hospitais, serviços de referência à mulheres vítimas de violência sexual e aborto legal.

Proteção à mulher

A cidade de São Paulo conta com alguns equipamentos que podem auxiliar a mulher vítima de violência, como é o caso dos Centros de Referência de Assistência Social (CRAS), Centro de Referência Especializado de Assistência Social (CREAS) e do Centro de Defesa e de Convivência da Mulher (CDCM), que conta com 15 unidades e oferece proteção e apoio a mulheres vítimas de violência doméstica e familiar, causadora de lesão, sofrimento físico, sexual, psicológico ou dano moral.

Além disso, a Secretária Municipal de Assistência e Desenvolvimento Social (SMADS) mantém cinco centros de acolhida sigilosos, que oferecem acolhimento para mulheres, acompanhadas ou não de seus filhos, em situação de risco de morte ou ameaças em razão da violência doméstica e familiar ou que sofreram algum tipo de violência física, sexual, psicológica e/ou moral. Quem precisar de atendimento deve procurar os CREAS e os CDCMs.

A Secretaria Municipal de Direitos Humanos e Cidadania (SMDHC) tem nove equipamentos, uma unidade móvel de atendimento e duas casas de abrigo – uma sigilosa e outra de passagem – para fazer o acolhimento à mulher vítima de violência.

Os equipamentos contam com psicólogo, assistente social e atendimento jurídico, por meio da Defensoria Pública. A SMDHC informa que, em 2018, foram quase 14 mil mulheres atendidas e encaminhadas.



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