Editorial

Editorial | Mais uma chance para mudar

O último domingo (7/10) foi marcado pela apreensão de milhões de brasileiros. O voto a voto, pela disputa presidencial, separou por 7 milhões Jair Bolsonaro (PSL, com 46,03% dos votos válidos) de chegar ao cargo máximo do executivo na primeira etapa. Fernando Haddad (PT) obteve 29,28% nas urnas, alcançando o segundo turno.

O total de eleitores no Brasil é de mais de 147 milhões. Destes, anularam ou votaram em branco mais de 10 milhões, e 29 milhões se abstiveram (ou 20,33%).

As abstenções foram as maiores desde 1998, e não tem um padrão de motivo: são vários, que nem especialistas puderam mensurar ao certo. Por exemplo, muitos desistiram em plena fila de votação em suas seções pela demora causada no sistema de biometria. Já o número de brancos e nulos tiveram seus resultados anunciados antes mesmo de chegarem as urnas, já que o desinteresse político atingiu o povo em cheio.

Mas, mesmo assim, assistimos ao longo da apuração, caciques políticos, enraizados no poder há décadas, líderes de partidos e grandes influenciadores parlamentares, perderem seus cargos e afundarem como pedra no oceano, atingindo as profundezas com insignificante número de votos.

Isso esteve presente em vários partidos, sobretudo aqueles que representam a elite (ou “cacicagem”) política, como o PT, MDB e PSDB. Uma situação que não é à toa e sabemos os motivos.

Foi a resposta que o povo brasileiro deu a todos: estamos cansados de vocês, demos a chance a cada eleição, e o que nos deram troca? A resposta veio no voto – ainda que os petistas tenham obtido a maior bancada na Câmara (54 cadeiras) e emedebistas e tucanos, no Senado (12 e 9, respectivamente). A questão-chave se deu na quantidade de votos totais que esses partidos receberam, de modo geral.

Em vários redutos eleitorais, ou currais, como são chamados, muitos daqueles que nada agregaram ao país, pelo contrário, só tiraram, tiveram a quantidade de votos necessários e irão continuar legislando. Só não sabemos ainda se a favor deles, como antes, ou nosso. Mas a cada pleito essa limpeza será realizada, e os políticos já perceberam isso no domingo.

Neste segundo turno, seja para Governador ou para Presidente, cabe a partir de agora um alerta a toda população brasileira. As avalanches de mentiras já deram início nas redes sociais e grupos de WhatsApp, bem como artigos e matérias jornalísticas tendenciosas. As montagens e efeitos especiais ajudam a criar o clima acerca de frases de candidatos, que acabam distorcidas, com conotações absurdas de fatos inexistentes. Não acreditem em nada que possa gerar dúvidas. Pesquisem, principalmente sobre fatos que possam estar denegrindo seu candidato, lhe deixando em dúvida. Da mesma forma que a internet é usada como uma grande propagadora de mentiras, ela á a ferramenta que todos nós possuímos para averiguar a verdade por meio de sites confiáveis e veículos de comunicação com credibilidade jornalística.

Não absorva nada que seja inútil. Ignore – ainda que, a esta altura do campeonato, o inútil seja uma questão de opinião e convicções já estabelecidas.

Só construiremos um país sério com a verdade e com pessoas de caráter que querem fazer algo realmente grandioso a favor do povo brasileiro. O segundo turno é mais uma oportunidade que temos para mudar.

 


Samir-Mohamed-TradDiretor do Grupo SP de Comunicação

Jornalista e Editor dos jornais SP e do portal de notícias SP Norte.

samirtrad@terra.com.br



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