Marcelo Segredo

Marcelo Segredo / A farra dos bancos no Brasil

Agiotagem legalizada totaliza R$ 72 bilhões nos cofres bancários apenas com tarifas de serviços

Os bancos são bastante sorrateiros, discretos e silenciosos. Os bancos brasileiros sabem muito bem como driblar e superar crises. Mesmo diante de um cenário de inadimplência atingindo perto de 63% dos brasileiros, os bancos conseguem manter seus lucros bilionários num país sem lei (para eles), praticando uma agiotagem descarada sob os olhos dos órgãos públicos que deveriam nos defender.

O lucro líquido dos quatro maiores bancos do Brasil com ações na Bolsa cresceu 22,3% no primeiro trimestre, em comparação com o mesmo período do ano passado, no total de R$ 19,95 bilhões. Já em comparação com o quarto trimestre, a soma dos lucros do Itaú, Banco do Brasil, Bradesco e Santander teve alta de 8,3%.

Segundo dados da Economática, trata-se do maior lucro consolidado nominal (sem considerar a inflação) em 12 anos. O levantamento leva em consideração os demonstrativos financeiros contábeis disponibilizados pelas instituições trimestralmente desde o final de 2006.

A conta não fecha

Quer dizer que os bancos tiveram o maior lucro desde 2006, enquanto o país está submerso numa das piores crises econômicas de sua história? Nos últimos três anos, mais de 460 mil empresas fecharam no país. São mais de 13 milhões de desempregados país afora! E banco tendo lucro?!

No ano passado, o lucro líquido consolidado de Banco do Brasil, Itaú Unibanco, Bradesco e Santander Brasil atingiu R$ 73,208 bilhões, o que representa um aumento de 12,77% em relação a 2017, quando totalizou R$ 64,916 bilhões. A cifra superou em mais de R$ 5,5 bilhões as despesas com provisões para devedores duvidosos, as chamadas PDDs, que chegaram a quase R$ 68 bilhões no exercício passado, mais do que todo o patrimônio líquido do próprio Santander.

Lucro astronômico com tarifas

Só no primeiro semestre de 2018, os 10 maiores bancos superaram os R$ 72,3 bilhões. Não apenas um aumento muito acima da inflação em 12 meses. Nos bancos Caixa, Itaú, Bradesco, Santander e Banco do Brasil, as receitas com contas-correntes e cartões de crédito/débito seguem crescendo na faixa de dois dígitos.

Bancos reajustam tarifas acima da inflação desde 2016

Afirmo mais uma vez aqui que o Brasil é uma terra sem lei para os bancos. Os cinco maiores deles no país – Bradesco, Banco do Brasil, Caixa Econômica, Itaú e Santander –, de acordo com pesquisa sobre os reajustes dos bancos realizado pelo IDEC, divulgada nesta quarta, têm os valores de tarifas avulsas muito acima da inflação desde novembro de 2016 até outubro deste ano. O ajuste foi 4,6 vezes maior que a inflação. Com isso milhões de brasileiros estão sendo literalmente “assaltados à luz do dia” enquanto os bancos acumulam lucros.

Os ganhos das receitas e tarifas já cobrem cerca de 80% das despesas com pessoal e administrativas, que incluem os investimentos em tecnologia. Eis aí o segredo dos ganhos desses alquimistas. Nos últimos cinco anos, quando o país atravessava a maior recessão da história, investiram pesado em informática e tecnologia, enxugaram o pessoal e passaram a ter custos operacionais cada vez menores.

Vamos acabar com isso?

Você não sabe, mas pode ajudar a dar um fim nessa farra dos bancos deixando de pagar taxas e tarifas abusivas. Isso é possível através de uma “Conta Essencial”. A conta essencial não tem limite de cheque especial nem cartão múltiplo, ou seja, seu cartão terá apenas a função débito. Basta enviar o pedido ao banco por escrito através de carta via correios com AR – Aviso de Recebimento.

Fazendo contas

Uma conta Itaú Uniclass, por exemplo, cobra hoje R$ 81/mês pela cesta de tarifas. Transformando sua conta em uma “Conta Essencial”, terá esse valor sobrando, o qual, investido mensalmente no Tesouro Direto, por exemplo, por um período de cinco anos, vai lhe render R$ 6.029,00.

Como pedir a conta essencial

A equipe da Associação Brasileira do Consumidor elaborou uma carta-padrão. Para baixar o arquivo basta acessar www.ongabc.org.br/conta_essencial

Banco terá que devolver tarifas acima da inflação

A equipe jurídica da Associação Brasileira do Consumidor vai protocolar nos próximos dias uma ação de prestação de contas contra a Febraban, exigindo que as tarifas reajustadas acima da inflação desde 2016 sejam devolvidas aos correntistas com juros e correção monetária. Se você quer fazer parte desse processo é necessário ser um associado da nossa entidade.


marcelo-segredoConsultor financeiro, palestrante, ex-presidente da ONG ABC (Associação Brasileira do Consumidor), criador da “Clínica Financeira” e “Casamento & Negócios”, diretor presidente da Marcelo Segredo Assessoria Empresarial
Fone: 3360-2902
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