Séries e TV

Na Freguesia do Ó, “O Tempo Não Para”

Poderia ser uma história dessas novas séries de Netflix e derivados ou filme de ficção científica: um grupo de pessoas é encontrada congelada em um iceberg depois de um navio afundar há 130 anos. Um detalhe: o grupo, congelado, sobrevive e, tantos anos depois, tem que se adaptar à nova e assustadora (leia mais a seguir) realidade.

Leia mais: Bairros da Zona Norte já foram cenário para novelas

Essa é a premissa de O Tempo Não Para, nova novela das 19h da Rede Globo, escrita por Mário Teixeira. E quem acompanhou a estreia na última terça-feira (31/7) reparou: logo na primeira cena, a tranquilidade de um lugar chamado Freguesia de Nossa Senhora do Ó, num longínquo 1886. Reconhece?

O diretor Leonardo Nogueira e o autor Mário Teixeira no Largo da Matriz (foto: Divulgação/João Miguel Júnior)

Na trama, o bairro da Freguesia é a terra de Dom Sabino (Edson Celulari), um empresário e descendente de bandeirantes dono de tudo que havia por lá. Pai da intrépida Marocas (Juliana Paiva) e esposo da rígida Dona Agustina (Rosi Campos), Dom Sabino e todo o grupo – incluindo escravos, que eram “bem tratados” pela família – ficam presos no iceberg encontrado no Guarujá.

Ao “acordarem”, descobrem que perderam tudo, já que há um bairro inteiro erguido naquelas terras. Afinal, aquela Freguesia de antigamente – um dos primeiros bairros de São Paulo e o mais antigo da Zona Norte – já não existe mais, resistindo a Igreja do Largo da Matriz de Nossa Senhora do Ó.

Há tiradas engraçadíssimas de Dom Sabino, quando ele afirma que “Isso tudo são minhas terras, minhas posses, e pretendo retomar tudo o que é meu!”, ou “Eu não vou perder o norte, mas não há como não ficar desnorteado!”. Ou ainda, em meio às “carruagens sem cavalos”, maravilhado com a luz elétrica, manda: “toca pra Freguesia!”.

Admirável mundo novo

Ainda na novela, a empresa SamVita, referência mundial em sustentabilidade, foi criada na Freguesia do Ó pelo jovem morador Samica (Nicolas Prattes), que também criou a Fundação SamVita, de reciclagem. Falando em materiais, lá mora o humilde Eliseu (Milton Gonçalves), catador de lixo, mas desesperançoso em relação ao filho Barão (Rui Ricardo Dias), chefe do crime na Zona Norte.

Já a popular Coronela (Solange Couto) é dona de uma pensão no bairro, quase um ponto turístico da Freguesia. Outro detalhe: Marcos Pasquim interpreta Marino, um biólogo. O personagem não é da Freguesia, mas Pasquim nasceu e viveu na Freguesia.

Milton Gonçalves é Eliseu em “O Tempo Não Para”

Apesar da veia humorística da novela, O Tempo Não Para vai tocar em pontos sensíveis da nossa sociedade: mesmo que Dom Sabino seja amável com seus escravos, “acorda” em uma época em que já não se há mais escravidão (oficial). Não à toa, fica amigo de Eliseu, mas ao chegar na casa do humilde, se espanta: “Eletricidade na casa de um escravo? Meu Deus! Mas o senhor deve ser um homem de muitas posses!”. Os negros são livres mesmo?

O primeiro capítulo fez jus ao título: piscou, perdeu. Divertido, mostrando uma Freguesia do Ó cheia de cor e tranquilidade, já que ali era uma área (para aquela época) extremamente distante do centro, praticamente um interior (“criada aqui nesse fim de mundo”, diz Marocas) e rural (“ainda tive que aterrar uma parte da várzea do Tietê para não molhar a mercadoria”, diz Teófilo, personagem de Kiko Mascarenhas e contador de Dom Sabino).

Agora, é acompanhar o que será da Freguesia do Ó moderna com a chegada dos seus verdadeiros “donos”. Aliás, o bairro faz aniversário em breve: serão 438 anos em 29 de agosto. Em tempo: a estreia marcou 31,9 pontos, superior a estreia de outras 12 novelas anteriores do horário. No vídeo abaixo, conheça a trama:

Na Freguesia do Ó, “O Tempo Não Para”


Topo