Caminhando com Versos

No chão duro tem a cama iluminada

A chegada de um novo ano inspira a reflexão do narrador e poeta Kléuber Ricardo. “Só que para a alegria de tantos, excluem os donos da casa / Por não fazerem parte da euforia, é que para eles o ano novo nunca vem / No dia primeiro voltam para as calçadas, onde nenhum dá risada”. Ouça e acompanhe!

 

No chão duro tem a cama iluminada

A gente nasce, vive e morre todos os dias na explosão

Do turbilhão dos trezentos e sessenta e cinco dias

Para no dia trinta e um do último mês do ano

Renascermos na cascata do espetáculo sob o céu

Para a metrópole cotidiana respirar aliviada

Na resposta, da escuma do champanha desenhando na ação

Lava a alma deslizando pelo corpo da garrafa, entre as vias

Dos princípios indaga os sonhos escondidos atrás do pano

É que não adianta encher uma cesta de felicidade, se a alegria está coberta pelo véu

 

No final do ano a principal das avenidas fica super lotada

Marcada por shows pirotécnicos, artistas famosos, orquestram

Para os anônimos cidadãos, seus percalços esquecerem

Só que para a alegria de tantos, excluem os donos da casa

Por não fazerem parte da euforia, é que para eles o ano novo nunca vem

No dia primeiro voltam para as calçadas, onde nenhum dá risada

A fome é escada do baseado forçado, na unica festa, entram

Na fumaça embebecidos e esquecidos entre a intelectualidade morrem

No silenciar dos fogos a cidade toda dorme junto com a indelicadeza

Dos visitantes que nem se quer agradecem aos cristos que auto se entorpecem.



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