Histórias

O bairro do Limão, a imprensa e o samba

::: Bruno Viterbo

Os tópicos do título acima podem parecer desconexos. Mas não para quem é do bairro do Limão. Afinal, lá estão expoentes de dois itens muito presentes na vida de muitos paulistanos: a imprensa e a cultura.

O bairro abriga dois patrimônios: o jornal O Estado de S. Paulo e a escola de samba Mocidade Alegre. O Limão comemora 95 anos de história em 1o de outubro – um jovem, dentre tantos bairros com algumas centenas de anos – e faz parte da evolução da Zona Norte e da capital paulista.

290916_limao-estadao

A escolha foi determinante também por outro motivo. No já distante carnaval de 1992, a Mocidade Alegre teve como enredo justamente a imprensa, representada pelo Estadão. Uma homenagem a um dos primeiros jornais do país – o célebre símbolo de um homem a cavalo tocando corneta é um marco –, censurado pela ditadura, e homenageado em um palco nada conservador se comparado à visão política do diário.

É interessante observar como tudo em pouco tempo mudou: era 1992, o segundo ano do Sambódromo do Anhembi; a Mocidade Alegre estava há 12 anos na fila sem ganhar. E ficaria muito mais: voltou a vencer em 2004, homenageando São Paulo e tornando-se imbatível nos anos seguintes – e o Estado de São Paulo sequer sonhava com o declínio do jornal impresso e o domínio da internet.

Ali era possível ver um carnaval absolutamente simples (obrigado, YouTube! Veja abaixo o desfile). Enquanto o Rio de Janeiro já esbanjava o luxo que sempre foi uma marca, São Paulo engatinhava – o boom viria alguns anos depois, consolidando a folia paulistana de forma definitiva. Isso se refletia na cobertura da imprensa: o Estadão caprichava nos elogios à folia carioca e desmerecia a paulistana. “Sambódromo lotado canta com Mangueira” estampado na capa, contra “Desfile desanimado pode rebaixar quatro escolas”. A própria homenagem rendeu apenas uma foto em destaque e uma nota com o título “Imprensa desfila com Mocidade”.

Era uma época em que intérprete era chamado de “puxador”. Mas manteve-se o distanciamento do carnaval de São Paulo por parte dos jornais – repercussão dada muito mais por sites dedicados do que a própria grande imprensa ou, no caso, este SP Norte.

Em 25 anos, muita coisa mudou: o samba de São Paulo cresceu – a Mocidade é item chave para isso –, o Estadão tenta se reinventar na internet e o bairro do Limão segue sua trajetória. São 95 anos, “um bom malandro, na essência de um menino” – verso do samba de 2017 da Mocidade, que celebrará os 50 anos da escola criada e “morada”no Limão.

 

 




Warning: A non-numeric value encountered in /home/jornalspnorte/www/wp-content/themes/jornalspnorte/footer.php on line 3
Topo