Marcelo Segredo

Marcelo Segredo | O que a constituição tem a dizer para os bancos

Que os bancos agem de forma imoral, não é novidade para ninguém. Na prática, as instituições financeiras se articulam tendenciosamente com um único objetivo: obtenção de lucro. Ou seja, é feito um estudo sobre o cliente/consumidor, para saber até que ponto a disponibilidade do crédito pode ser rentável para o banco. Enquanto a pessoa tem espaço para comprometer seu salário, sua casa, o faturamento da sua empresa e outros bens, ela é tratada como uma parceira, amiga. Quando já não tem mais o que comprometer, o interesse desaparece. Mas o que a Constituição fala sobre essa prática?

Vamos fugir das falácias de juros abusivos. Todo mundo sabe que no Brasil os juros são os maiores do mundo, mas que por autorização e conivência dos nossos governantes, os bancos são blindados para agir conforme seus interesses, sem nenhum tipo de interferência. Ocorre que a constituição é contrária a muitas práticas que fazem parte da rotina dos bancos. Essa exploração do lucro a qualquer preço é condenada pela nossa Lei Maior.

Juros cobrados pelos bancos violam constituição

Basta ter um financiamento ou usar o limite do cheque especial, para saber que o lucro bancário é exagerado e desproporcional. E nesse sentido, a Constituição é muito clara: “a lei reprimirá o abuso do poder econômico que vise à dominação dos mercados, à eliminação da concorrência e ao aumento arbitrário dos lucros”. Para se ter uma ideia da exorbitância dos lucros, até mesmo as taxas médias estipuladas pelo Banco Central são extrapoladas (e muito) pelos bancos. Ora, se a Constituição diz que o abuso do poder econômico precisa ser reprimido, significa que as instituições financeiras violam diretamente os princípios constitucionais do país.

O que fazer diante disso? Primeiramente, as pessoas não podem ficar quietas. O poder vem do povo, que não deve aceitar as condições impostas. Da mesma forma que se questiona um político por escândalo de corrupção, é preciso questionar duramente quem detém o poder econômico (no caso, os bancos), já que o país está afundado em uma crise econômica.

Além disso, é fundamental que as pessoas tenham acesso e conhecimento dos direitos que têm, para que possam repelir as injustiças. O “Segredo” é ter uma orientação segura diante das dívidas, a fim de não cair em armadilhas e não entrar no jogo das instituições financeiras.

Comprovadamente, os bancos são os maiores sonegadores de impostos do país, e essa sonegação acontece sobre as dívidas também. Enquanto ele cobra de você um valor astronômico por uma dívida, declara valores divergentes ao IR para beneficiar-se. E por que você não usa essa informação para reduzir sua dívida?

Minha rotina diária é atender pessoas e empresas em situação de crise financeira, cidadãos que sentem o tempo todo aquele nó na boca do estômago, pessoas que perderam a alegria e a esperança de viver por causa de dívidas bancárias.

Pessoas que ao renegociar dívidas foram obrigadas a assinar como fiadores ou dar bens em garantia; pessoas que foram vítimas do sistema predatório financeiro do país, enquanto eles, os bancos, continuam a lucrar de forma indiscriminada.

Meu amigo, se você acha que chegou ao fundo do poço, tenho um recado para você: Não dá para descer mais, inicie a escala rumo ao topo e use a constituição federal contra as abusividades dos bancos reduza suas dívidas e liberte-se para um novo recomeço.

Foto: Marcos Santos/USP Imagens


marcelo-segredoConsultor financeiro, palestrante, ex-presidente da ONG ABC (Associação Brasileira do Consumidor), criador da “Clínica Financeira” e “Casamento & Negócios”, diretor presidente da Marcelo Segredo Assessoria Empresarial
Fone: 3360-2902
site: www.marcelosegredo.com.br
e-mail: [email protected]



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