Editorial

Editorial | O que nos une

Sdabáo é o Dia Itnreaniconal da Lígnua Protutgeusa.

Talvez você tenha lido a frase do jeito certo. Nosso cérebro está condicionado a entender: “Sábado é o Dia Internacional da Língua Portuguesa”, mesmo com as letras trocadas ou invertidas. Aprendemos assim. O cérebro se adianta, mas ainda não é algo totalmente explicado pela ciência. Interpretamos o som, visualizamos as letras, compreendemos a linguagem. E ela é determinante para um povo.

O verbo se fez. Não sabemos quando, mas estima-se que os idiomas começaram a surgir há 10 mil anos. Sabe a expressão “falar é fácil?”. Talvez não para nossos ancestrais ruminantes, mas com certeza entenderam que para explicar os acontecimentos da caverna, era mais fácil emitir um som.

Evoluímos. Os religiosos creditam à torre de Babel, outros à imposição de povos sobre povos. Chegamos aos 7.099 idiomas em todo o mundo. Do português, somos 260 milhões falantes. No Brasil, temos 227 línguas em nosso território. O tupi se misturou com o guarani, o português falou com a tribo da língua Jê, o negro trouxe da África seus dialetos. Fez-se o português brasileiro. E somos vários.

É bolacha ou biscoito? A eterna pergunta que divide paulistas e cariocas. A propina está paga? Calma, leitor, não estamos falando dos nossos corruptos caseiros, e sim da mensalidade a ser paga lá em Portugal. Entre semelhanças e diferenças, a língua-mãe é o que nos une, nos torna povo, eleva nossa voz, impõe nossa cultura maior.

Precisamos, todos os dias, respeitar nossa língua. Por obrigações do ofício, nós do SP Norte a exercitamos a todo momento. Sabemos que, às vezes, falhamos – seja em algum erro nos textos, ou em publicações em nossas redes sociais –, e é ótimo que existam patrulheiros para alertar. Quando são gentis, é claro.

Muitos acabam por assassinar nossa língua. Não apenas por erros crassos mas, muitos, fruto de uma educação escolar rasteira. Outros, por ignorância e preguiça. É evidente que não pediremos as mesóclises proferidas (ou profanadas) por quem comete temer(idades) ao país. Mas algumas próclises e ênclises são muito bem-vindas!

As redes sociais, a rapidez da internet, a agilidade dos aplicativos de mensagens nos tornaram preguiçosos. Vossa mercê, vossemecê, vosmecê, você, cê… Chegamos em vc. Precisamos ser rápidos, temos que economizar no gatilho. Quer dizer, no teclado. Kd, vc, pq, bj, msm, qdo, qm… Vamos escrever em símbolos, e é provável que este texto teria menos da metade do tamanho. Vai deixar saudade. Ah, que lenda! Dizem que “saudade” não tem tradução, e só existe em língua portuguesa. Sim, seu significado é complexo – para os outros. Nós sabemos muito bem o que é.

Adorei as almas nutridas da última flor do Lácio, que fazem do nosso país um relicário de beleza, cores e sons. Salve a língua portuguesa!



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