Obra da Linha 6-Laranja será retomada em até 90 dias

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Paralisadas desde 2016, o Governo de São Paulo anunciou que a construção da Linha 6-Laranja será retomada em até 90 dias. Depois de cinco meses de negociação, a empresa espanhola Acciona assinou o contrato neste fim de semana.

A nova empresa foi anunciada em fevereiro deste ano, no entanto, em razão de impasses entres os consórcios Acciona e “Move SP”, houveram atrasos nas negociações, e desde então a gestão estadual vinha prorrogando o prazo de caducidade da obra.

Segundo a gestão estadual, a Linha 6-Laranja é a maior obra de infraestrutura do país e de Parceria Público-Privada. A retomada da construção irá gerar um total de 9 mil empregos, sendo 5 mil diretos e 4 mil indiretos.

Essa não é a primeira vez que o Governo de São Paulo anuncia a retomada das obras da da malha viária. Em abril do ano passado, a promessa do governador João Doria (PSDB) era reiniciar a construção da Linha até o fim de 2019, algo que não aconteceu até agora.

PARALISAÇÃO

A paralisação da Linha 6-Laranja aconteceu com apenas 15% das obras concluídas. O motivo foi que o consórcio Move São Paulo perdeu financiamento devido as empresas OdebrechtQueiroz Galvão e UTC – formadoras do consórcio na ocasião – estarem sendo investigadas pela Operação Lava-Jato.

LINHA 6-LARANJA

Ela ligará a Vila Brasilândia com São Joaquim. Sendo interligada entre as linha 1-Azul e 4-Amarela do Metrô e 7-Rubi e  8-Diamante, da CPTM. A nova Linha deverá atender a mais de 630 mil pessoas por dia.

A LINHA DAS UNIVERSIDADES

A estação contará com 16 estações, ligando as universidades de São Paulo. As estações são: Brasilândia, Vila Cardoso, Itaberaba-Hospital Vila Penteado, João Paulo I, Freguesia do Ó, Santa Marina, Água Branca, Pompéia, Perdizes, Cardoso de Almeida, Angélica, Pacaembu, Higienópolis-Mackenzie, 14 Bis, Bela Vista, São Joaquim.

INVESTIGAÇÃO

Em agosto de 2019 a juíza federal substituta Flavia Serizawa e Silva, da 3ª Vara Criminal Federal de São Paulo, aceitou denúncia da Lava-Jato e tornou 13 executivos das construtoras Odebrecht, Andrade Gutierrez, Queiroz Galvão e OAS e um ex-diretor do Metrô réus por corrupção em licitações das linhas 2, 5 e 6 do Metrô de São Paulo.

Segundo o Ministério Público Federal (MPF), as irregularidades beneficiaram estas empreiteiras nas concorrências das ampliações das linhas 2-Verde e 5-Lilás e na concessão da parceria público-privada para a construção da Linha 6-laranja do Metrô.

Em nota, o MPF alega que a investigação contou a “colaboração do ex-diretor do Metrô e ex-assessor da unidade de parceria público-privada da Secretaria de Planejamento do Governo do Estado, Sérgio Correa Brasil, que admitiu ter recebido pagamentos das cinco maiores construtoras do país (além das quatro construtoras citadas, a Camargo Corrêa também é investigada, mas em inquérito separado) para favorecê-las em concorrências do Metrô enquanto ocupou cargos na companhia e na secretaria”.

HISTÓRICO

Inicialmente, a Linha 6-Laranja era para ser do modelo Parceria Público-Privada (PPP), igual a Linha 4-Amarela. A previsão para a entrega era até 2020. Até o momento, foram gastos R$ 1,7 bilhão no empreendimento e o BNDES disponibilizou R$ 1,75 bilhão para retomar a obra.