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Os desafios diante do Alzheimer

Considerado um dos problemas neurológicos que mais afetam a população mundial, a doença de Alzheimer ocorre de forma inesperada e com progressão lenta dos sintomas. Segundo o Ministério da Saúde, a doença é responsável por 50% a 80% dos casos de demência no mundo.

Para chamar a atenção da população sobre a importância da prevenção, do diagnóstico precoce e do cuidado ofertado às pessoas que vivem com a doença de Alzheimer, o programa SP Norte do último sábado (29/9), transmitido pela rádio Atual, convidou a psicóloga Dra. Simone de Cássia Freitas Manzaro, especialista em gerontologia e em estimulação cognitiva para pessoas com demência, para falar sobre a doença.

Manzaro realiza um trabalho voluntário na Associação Brasileira de Alzheimer (ABRAz-SP), e explica que a doença é um transtorno neurodegenerativo progressivo que se manifesta por deterioração cognitiva e de memória, comprometendo as atividades diárias e provocando alterações comportamentais.

Segundo a especialista, o Alzheimer não tem uma causa específica. O que existe são fatores de risco que predispõem a doença, como hipertensão, carência de vitamina D, depressão, acidentes vasculares, traumas encefálicos, entre outros, além do fator idade, histórico familiar e genética.

Quanto aos sintomas, o principal é o déficit de memória. “A pessoa tem dificuldade em memorizar novas informações, experiências e eventos recentes”, diz Simone. Porém, a psicóloga alerta para a diferença entre perda e lapso de memória. “O lapso podemos ter a qualquer momento da vida, e pode estar atrelado a stress, insônia ou medicação, por exemplo. Já a perda de memória é progressiva e não tem cura. Uma vez perdida, não tem volta”. Esses lapsos ou esquecimentos não são, necessariamente, garantia de que a pessoa esteja desenvolvendo a doença. “Cansaço e exaustão fazem com que o cérebro não aguente acumular tantas informações diárias para serem recuperadas no dia seguinte, então esses lapsos de memorias são consideradas normais dentro desse contexto”, diz a psicóloga.

Para detectar a doença, existem exames específicos. Porém, o diagnostico não é 100% assertivo: é necessário avaliar a história clínica do paciente, realizar testes psicométricos e exame físico neurológico, exames de imagem e laboratoriais, de forma a afastar causas de demência secundária a outras doenças clínicas ou neurológicas. “Mesmo porque, temos mais de 60 tipos de demência e todas têm sintomas muito parecidos”, explica a psicóloga.

A partir do diagnostico, os tratamentos são medicamentosos, que vão amenizar o seu avanço, uma vez que a doença não tem cura e é degenerativa e progressiva. Segundo a doutora, há também o tratamento não medicamentoso, que é quando a equipe multidisciplinar se junta, como a psicologia, nutrição e terapia, para promover tratamentos diversos afim de estimular o paciente.

Por fim, a psicóloga aconselha que ao menor sinal do idoso apresentar dificuldade de memória, ou dificuldade com atividades corriqueiras, apatia e depressão, é necessário encaminhá-lo para o geriatra, que vai fazer a primeira avaliação. “Quanto mais cedo detectada a doença, mais chances de retardar as suas consequências”, alerta.

A Dra. Simone realiza orientação e treinamento para familiares e cuidadores formais, e organiza grupos de estudo para estudantes e profissionais sobre o envelhecimento frágil, doença de Alzheimer e similares. Quem tiver dúvidas ou quiser obter mais informações sobre a doença, pode enviar um e-mail para simonemanzaro@gmail.com ou visitar a página no Facebook.



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