Marcelo Segredo

Marcelo Segredo | Os desafios dos micro e pequenos empreendedores no Brasil

Sabemos que a crise política e financeira do país afeta direta e principalmente as camadas mais populares. O modelo adotado pelos nossos governantes é o do “Robin Hood às avessas”, ou seja, tira dos pobres para dar privilégio aos ricos. Assim, o país cresce às custas de um povo judiado e sempre prejudicado. A bola da vez são os microempreendedores e as empresas de pequeno porte.

De acordo com o SEBRAE, essa categoria representa hoje 27% do Produto Interno Bruto (PIB) do Brasil e estima-se que existam hoje 9 milhões de empresas desse porte em atividade no país. Porém, o problema é que mais da metade desses microempreendedores estão endividados. Em 2018, a inadimplência cresceu 10%, em relação ao mesmo período em 2017.

Qual é a causa das dívidas?

O primeiro fator, óbvio, é a crise financeira, que implodiu em 2015 e 2016. Nesse período, grande parte das indústrias não cresceu e não aumentou o faturamento.

Outro ponto importante é que o aumento do desemprego fez com que um número significativo de pessoas abrisse o seu próprio negócio (ainda de acordo com o SEBRAE, 60% das pessoas desempregadas se aventuraram em um novo empreendimento). Portanto, ingressar em um mercado em crise é sempre um risco.

Por fim, a falta de recursos disponíveis no mercado não atende ao capital de giro que a empresa precisa ter para se sustentar. É nesse momento que as dívidas bancárias crescem e tomam proporções incalculáveis, por conta dos juros abusivos.

Como devo reagir a essa situação?

A primeira coisa é a conscientização do empreendedor de que precisa olhar internamente para a sua empresa, compreender que existe uma condição de vulnerabilidade e agir para não parar no tempo. Como a maioria dessas empresas são de cunho familiar e administrado por essas famílias, tudo tende a um processo mais lento de absorção e aceitação da realidade.

A inadimplência nada mais é do que uma deficiência de entrada e de saída de recursos dentro de uma empresa. Mas se os administradores não têm essa consciência, fica difícil tornar o negócio próspero e seguro.

Preciso de um fôlego, pois as contas estão apertadas

Criando essa conscientização e olhando para essa nova perspectiva, as empresas vão conseguir enxergar os problemas de forma mais nítida. Muito provavelmente, os problemas giram em torno da receita. Então, é fundamental que se procure uma assessoria profissional especializada, que tenha experiência em finanças, para apurar o fluxo de caixa e despesas, estabelecendo as prioridades e organizando as dívidas conforme a sua natureza.

Uma medida interessante é a renegociação com os fornecedores, uma vez que recorrer ao sistema financeiro, em busca de recursos para suprir as despesas da empresa, é onerosamente excessiva (funcionários, aluguéis de prédio, tributos e demais custos), gerando um custo operacional elevado para microempreendedores. Mas cuidado: toda renegociação precisa ser avaliada por um profissional especializado, sob pena de tonar o problema ainda maior.

De olho no que tem de novo no mercado

As dificuldades vão surgindo e novos obstáculos e desafios estão sendo criados. Para cada situação existe uma alternativa. Nenhum momento é definitivo, por mais difícil que possa parecer. Buscar novas informações e abrir os olhos para o que o mercado oferece de novo, é o caminho mais certeiro para tirar a empresa do buraco e abrir os horizontes. Ficar parado não vai mudar nada.


marcelo-segredoConsultor financeiro, palestrante, ex-presidente da ONG ABC (Associação Brasileira do Consumidor), criador da “Clínica Financeira” e “Casamento & Negócios”, diretor presidente da Marcelo Segredo Assessoria Empresarial
Fone: 3360-2902
site: www.marcelosegredo.com.br
e-mail: marcelo@marcelosegredo.com.br



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