Zona Norte

Pesquisa revela desinteresse dos moradores da região por política

Desde o início do ano, a Rede Nossa São Paulo, em parceria com a Ibope Inteligência, tem publicado rodadas de pesquisa que avalizam a percepção do paulistano em relação a diversos aspectos, sob o tema “Viver em São Paulo”.

Em vários dos cenários pesquisados, a política encontra números bem expressivos (negativamente) na região. Para os zonanortenses, 71% consideram a Câmara dos Vereadores como ruim ou péssima, e apenas 2% a aprovam. Entende-se que esse número é reflexo da baixa representatividade da região no parlamento paulistano.

foto: André Bueno/CMSP

Ao mesmo tempo, quando perguntados se estiveram em alguma atividade na Câmara no último ano, o número é esmagador: 96% dos moradores da região não foram, enquanto apenas 3% compareceram a uma audiência pública, por exemplo. Em suma, os dois índices colocam a Zona Norte como a menos interessada no assunto.

Quer mais? A região também lidera o índice de memória política – de forma negativa. 59% dos moradores não se lembram em quem votou para vereador em 2016. As porcentagens são as mesmas da Zona Leste.

Essa pesquisa foi divulgada em janeiro, mas serve de alento em meio a um cenário social – e, sobretudo, político – que nós enfrentamos. Os paulistanos observaram a saída de seus dois chefes do executivo, na Prefeitura e no Estado –, isso em meio a uma disputa presidencial imprevisível.

foto: André Bueno/CMSP

A visão política da Zona Norte, dados os números nada animadores, mostram que a situação é alarmante, resultado de anos de descaso das gestões municipais e, em parte, das estaduais, e do próprio morador da região.

Sem opções, acaba por eleger representantes alinhados mais às suas convicções pessoais, políticas ou religiosas do que quem poderia, efetivamente, trabalhar pela região. É comum ver políticos fazendo campanha por aqui, mas, depois de eleitos, esquecem-se daqueles que o elegeram. Há situações contrárias, como vereadores que não são da região, mas trouxeram benefícios aos nossos bairros. Porém, ao mesmo tempo, há representantes verdadeiramente dispostos a brigar pela Zona Norte?

Uma pergunta que deverá ser respondida com a criação de uma consciência política forte, de um movimento que venha de dentro. Ainda há tempo: depois das eleições deste ano (se é que haverá), temos mais dois anos para ver o que foi feito de bom e de errado.

Região é usuária assídua de serviços de saúde e é a que mais espera vagas em creche

Esta primeira percepção, de janeiro, mostra um aspecto geral da cidade em relação ao ano anterior. Em 2017, a nota subiu de 5,4 para 6, em uma escala de 1 a 10 (totalmente insatisfeito para totalmente satisfeito). No entanto, 21% dizem que a vida em São Paulo melhorou muito (ante 23% em 2015). Já em relação à piora, hoje são 38% que concordam com a afirmação – eram 36% em 2015.

foto: Luiz França/CMSP

No levantamento, a Zona Norte se destacou na área da saúde: 89% afirmaram que utilizaram um serviço público do setor, sendo o maior entre todas as regiões. Além disso, nossos bairros possuem alta demanda em todos os serviços de saúde: distribuição de medicamentos gratuita, atendimento ambulatorial, consultas com especialistas, serviços odontológicos e de ambulância.

A região também lidera na lista de espera de vagas em creches: 52% dos entrevistados afirmaram que aguardam por vagas nos últimos anos. São 283 dias de espera, em média – mesmo número da media obtida em toda a capital. Outra percepção em que a Zona Norte está na frente é a necessidade de investimento em educação para jovens: 40% concordam com a afirmação, acima da média de 36% em São Paulo. O item fica à frente do combate à corrupção na polícia (33%) ou combater mais o tráfico (23%).

Todas as pesquisas, com mais detalhes, podem ser conferidas neste link.

foto (topo): André Bueno/CMSP

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