CONSEG

“As pessoas têm que criar a sensação de pertencimento”, afirma Coronel Camilo

Você que acompanha o SP Norte já deve ter lido notícias ou notas sobre os CONSEGs. Mas, afinal, o que significa essa sigla? Criados na década de 1980, quando Franco Montoro ocupava o governo do estado de São Paulo, os Conselhos Comunitários de Segurança (CONSEG) são uma entidade que agrega setores de cada bairro – ou cidade, dependendo da proporção e número de habitantes – para discutir a segurança pública local.

Nesses encontros, sempre mensais, representantes de órgãos públicos – Sabesp, Guarda Civil Metropolitana, Polícia Militar, Companhia de Engenharia e Tráfego, por exemplo – reúnem-se com a comunidade para aprimorar e encontrar soluções comuns à sociedade.

Um intermediário entre a comunidade e o poder público – representado pelas polícias –, os CONSEGs são uma ferramenta no auxílio ao combate à criminalidade nos bairros. Porém, muitos sequer conhecem os conselhos. Ou, ainda, até conhecem, mas pouco se envolvem.

Para ilustrar o tema e ajudar os diretores de cada conselho, o Deputado Estadual Coronel Camilo (PSD) promoveu na última segunda-feira (15/5) um encontro com os diretores de CONSEGs na Zona Norte.

Apesar da importância dos conselhos para a vida em comunidade, a baixa participação dos moradores foi a principal reclamação dos representantes da Zona Norte. A forma de divulgação e a realização de reuniões em espaços, muitas vezes, itinerantes, também foram discutidas no encontro.

Para o Deputado, “[Os CONSEGs] são a melhor forma que já se inventou de o poder público conversar com a comunidade”. Comandante-Geral da Polícia Militar por três anos, de 2009 a 2012, Camilo é um dos entusiastas do conselho. Para o Deputado, a falta de envolvimento e resistência da população e até de agentes públicos acaba por dificultar os trabalhos e, por consequência, não dá efetividade aos conselhos de segurança.

“O Estado demorou para entender que segurança não é só polícia, mas também está mais para o município. Isso está [presente] no mundo todo: onde se combate o pequeno crime, o crime diminui”, afirmou Camilo sobre a importância de prevenir e erradicar a criminalidade começando nos bairros. “Se o ambiente estiver sadio, não há crime”.

Camilo citou exemplos estrangeiros, como Nova Iorque, para melhorar a comunicação dos conselhos comunitários com a população e, assim, garantir a segurança. “O que agrega valor é a sensação de segurança: o povo se sente mais seguro, e o criminoso, inseguro. Sensação de segurança também se faz com a mídia: um dos grandes atores da comunidade é a imprensa”, afirmou.

Além da divulgação e uso ostensivo de redes sociais, o Deputado também afirmou que é preciso que a população “acredite na polícia” e que é preciso “olhar para dentro, o CONSEG não é um lugar só de reclamação”. Atualmente, os conselhos converteram-se mais em balcão de reclamações que soluções, motivo que afasta a participação da comunidade.

Participaram do encontro, entre outros, representantes de Vila Maria, Pirituba, Vila Santa Maria, Brasilândia, Tucuruvi e Tremembé. Para agregar os moradores, é preciso que “as pessoas tenham a sensação de pertencimento” e “um plano estratégico, ser proativo e, principalmente, se antecipem”, finalizou Camilo.



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