José Police Neto

Police Neto | Teletrabalho pode redistribuir geração de emprego e renda em São Paulo

A Câmara Municipal aprovou na semana passada, em primeira votação, o Programa Municipal de Incentivo ao Teletrabalho. Diversas modalidades do trabalho remoto – home office, utilização de coworkingetc – têm crescido significativamente. Pesquisa da Sociedade Brasileira de Teletrabalho e Teleatividades (Sobratt), em parceria com a SAP Consultoria, aponta alta de 22%, entre 2016 e 2018, no total de empresas que adotam o Teletrabalho. Quanto mais São Paulo tiver a compreensão sobre como esse modelo de gestão funciona e assumir a vanguarda no estímulo ao Teletrabalho, mais oportunidades terá de gerar investimentos e empregos.

O projeto de lei que cria o programa, de minha autoria, foi construído em parceria com vários especialistas, entidades, trabalhadores e empresas que atuam nesse setor, e oferece benefícios fiscais e urbanísticos para quem aderir ao Teletrabalho. Apresentei esse modelo de gestão e meu projeto de lei nesta mesma coluna (clique aqui).

Para além de compreender as tendências da economia e da sociedade e estabelecer regras adequadas, garantindo os devidos direitos do empregado e da empresa, há uma outra característica que torna o Teletrabalho fundamental para o futuro da cidade. Nas dimensões que a capital alcançou, só com o estabelecimento de uma cidade policêntrica, com centralidades locais produzindo riquezas, São Paulo será capaz de descongestionar-se, eliminando as deseconomias que afetam gravemente toda a infraestrutura da metrópole.

Então, mais do que um passo importante para que a cidade continue à frente na liderança da economia nacional, adaptando-se à economia pós-industrial, o incentivo ao Teletrabalho é necessário para a própria sobrevivência pujante da cidade, para escapar dos estrangulamentos do sistema de transporte cronicamente caro e de má qualidade, para gerar o volume de empregos necessários, para aliviar os problemas de moradia e de emissão de gases do efeito estufa gerados no trânsito.

A diretriz de adensar a cidade, aumentando a população residente nas áreas mais próximas dos hubs de transporte e áreas com grande oferta de emprego, é extremamente importante. Entretanto, o adensamento em si, dado o tamanho da cidade e de seus problemas, não é suficiente: precisa do complemento do incentivo ao Teletrabalho, que torna os deslocamentos de parte significativa da mão de obra desnecessários enquanto cria nas centralidades periféricas novas oportunidades de geração de riqueza.

A vitalidade local é uma das variáveis mais importantes impulsionando as possibilidades de amplo sucesso de uma política de incentivo ao Teletrabalho:

Em primeiro lugar porque a adoção da modalidade de cara traz a questão de dezenas de milhares de pessoas com mais tempo livre – as três ou quatro horas que seriam passadas dentro do transporte coletivo. As grandes oportunidades de negócios que surgem de como ocupar este tempo livre para atividades culturais, educacionais, de lazer e convívio familiar, acontecerão em especial nos bairros. E, devidamente incentivadas, serão capazes de dar um salto de crescimento econômico disseminado pelas centralidades locais.

Em um segundo movimento, a existência de um maior volume de pessoas que permanecem mais tempo diurno nos bairros onde residem apresenta outra grande linha de oportunidades. Estas pessoas irão fazer suas refeições, suas pequenas compras, aquelas “compras da hora do almoço” onde residem. Uma significativa ampliação do mercado gerada pela permanência das pessoas nos seus bairros fará com que os negócios locais cresçam. Assim, o potencial de benefício à Zona Norte é imenso. Ao gerar mais riquezas, também empregará mais pessoas em um ciclo virtuoso de fortalecimento local. Para entrar em vigor, o programa de incentivos precisa passar por mais uma votação na Câmara e pela sanção do prefeito Bruno Covas. Daí a importância de os paulistanos entenderem e apoiarem a iniciativa.


José Police Neto (PSD) exerce o quarto mandato de vereador em São Paulo e tem forte atuação na Zona Norte. Foi Secretário Municipal de Participação e Parceria de São Paulo e presidente da Câmara Municipal em 2011 e 2012. É autor das Leis do Procon Público, Indicadores de Desempenho, Inclusão Digital – Telecentros, Regularização Fundiária de Interesse Social, Função Social da Propriedade e do Estatuto do Pedestre.

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