Prefeitura corta frota de ônibus, mas garante que não reduziu oferta de transporte

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Para ajustar a demanda do transporte público, a Prefeitura de São Paulo vem retirando ônibus de circulação. Somente neste ano foram cerca de 300 e a proposta é que este número seja ainda maior. De acordo com a SPTrans, o corte não reduziu a oferta de transporte.

Segundo a gestão municipal, a redução dos ônibus é motivada por três fatores, são eles:

  • O ajuste de demanda de passageiros, que tem caído em toda cidade, mas principalmente nas áreas onde houve a expansão do metrô. Conforme pesquisa realizada até o dia 31 de maio, antes do período de férias escolares;
  • A perspectiva do dinheiro dos subsídios para bancar gratuidades e integrações não ser suficiente para durar até o fim do ano;
  • A criação de um subsistema de transportes intermediário, conhecido como articulação regional, previsto no contrato de licitação de transporte.

A SPTrans explica que a oferta de transporte não se dá pela quantidade de veículos, mas sim pelos intervalos de cada trajeto: “As linhas têm suas programações de partidas ajustadas periodicamente, observando as oscilações de suas demandas, mas sempre obedecendo a critérios de oferta de transporte e oferta de lugares estabelecidos para o sistema”.

A proposta de reduzir a frota dos ônibus não é de hoje. Segundo dados da Gestão Municipal, a frota vem caindo desde 2013, sendo que, naquele ano haviam 15.025 veículos operando na cidade, atualmente o número é de 14.079. Deste total, cerca de 8 mil são do subsistema estrutural (ônibus maiores e com viagens entre bairro-centro) e 5 mil do subsistema local (ônibus menores que realizam viagens dentro dos bairros).

LICITAÇÃO DOS TRANSPORTES

O novo contrato de licitação dos transportes ainda não está em vigor por pendências jurídicas, mas alguns pontos dele vem sendo implementado por meio dos contratos de emergências, sendo eles a redução de frota operacional – com a meta de chegar a 12 mil ônibus – e a criação do subsistema de articulação regional.

ARTICULAÇÃO REGIONAL

O Subsistema é formado por ônibus que realizam as ligações dos bairros mais afastados com o centro da Capital Paulista ou com outras regiões. Eles são conhecidos por possuir, além do transporte, um variado comércio, como exemplo a zona norte têm os terminais Santana e Vila Nova Cachoeirinha.

MAIS CARO

Além do acréscimo do valor da passagem que as gestões municipal e estadual realizam, a Prefeitura também aumenta periodicamente o subsídio para as empresas do transporte público. Neste ano a Cidade corre o risco de ficar sem as verbas no último trimestre, isso porque o dinheiro deve acabar antes do tempo previsto, como ocorreu nos dois últimos anos.

De acordo com a Prefeitura, neste ano de 2019, a Gestão Municipal entrou com um débito de R$ 174,2 milhões referentes a repasses não realizados pelas operações entre os dias 05 de 12 de dezembro de 2018. Atualmente, o valor pago de subsídio chega a R$ 3,3 bilhões.

A gestão do prefeito Bruno Covas busca diminuir esse valor de subsídio. Entre as medidas adotadas, duas se destacam:

  • O aumento da tarifa do Vale-Transporte de R$ 4,30 (mesmo valor cobrado pelo Bilhete Único) para R$ 4,57;
  • A redução do limite de embarques pela modalidade, de quatro em duas horas para dois em três horas.

Entretanto as propostas não foram bem recebidas por grande parte da população e pelo poder judiciário, que em 27 de maio, a juíza Simone Gomes Rodrigues Casoretti, da 9ª Vara da Fazenda Pública, decidiu suspender as duas medidas.