São Paulo

Prefeitura deve tirar 144 ônibus das ruas a partir de agosto. Sindicato planeja Greve

De acordo com os contratos emergenciais de licitação do transporte público, São Paulo pode perder 144 ônibus já no inicio de agosto. Contudo o corte dos veículos pode ser ainda maior, pois nem todas as Ordens de Serviço Operacional (OSO) da São Paulo Transporte (SPTrans) estão disponíveis para consulta.

Segundo a gestão municipal, a redução dos ônibus é motivada por três fatores, são eles:

  • O ajuste de demanda de passageiros, que tem caído em toda cidade, mas principalmente nas áreas onde houve a expansão do metrô. Conforme pesquisa realizada até o dia 31 de maio, antes do período de férias escolares;
  • A perspectiva do dinheiro dos subsídios para bancar gratuidades e integrações não ser suficiente para durar até o fim do ano;
  • O novo modelo de linhas previsto na licitação dos transportes que, apesar de ainda ter pendências jurídicas, já está sendo implantado na cidade por meio dos contratos emergenciais.

Os dados mais recentes da Prefeitura, referente a junho de 2019, mostram que a cidade de São Paulo tem uma frota contratada de 14.361 veículos. Deste total, 8.367 são do subsistema estrutural (ônibus maiores e com viagens entre bairro-centro) e 5.994 do subsistema local (ônibus menores que realizam viagens dentro dos bairros).

As OSO reduz, apenas, os veículos do subsistema estrutural, que, com a nova diretriz da licitação incorporada nos contratos emergenciais, passa a contar também com o subsistema de articulação regional, um grupo de linhas intermediário, com ônibus médios e convencionais.

Onde ocorrerá as reduções?

  •  Consórcio Bandeirante de Transporte | Área 1 Operacional Noroeste (ônibus verde-claro) | Redução: 22 ônibus
  •  Sambaíba Transportes Urbanos LTDA.| Área 2 Operacional Norte (ônibus azul-escuro) | Redução: 18 ônibus
  •  Mobibrasil Transporte São Paulo LTDA. | Área 6 Operacional Sul (ônibus azul-claro) | Redução: 09 ônibus
  •  KBPX Administração e Participação LTDA. | Área 7 Operacional Sudoeste 1 (ônibus vinho) | Redução: 16 ônibus
  •  TRANSPPASS e Viação Gato Preto | Área 7 Operacional Sudoeste 2 (ônibus vinho) – As frotas foram separadas | Redução: 38 ônibus
  •  Viação Gatusa | Área 8 Operacional Oeste (ônibus Laranja) | Redução: 13 ônibus

Greve

Temendo demissões, o Sindicato dos Motoristas e Trabalhadores em Transporte Rodoviário Urbano de São Paulo (Sindmotoristas) confirmou uma greve para amanhã (31/07). Ela acontecerá das 9h às 12h, neste período os ônibus ficarão parados nos terminais e corredores próximos.

O que diz a SPTrans?

Questionada sobre a decisão, a SPTrans garantiu que a oferta de ônibus para atender a população não sofrerá alteração. Em nota, o órgão explica que: “A programação das linhas não é feita com base na quantidade de veículos, mas nos intervalos programados para cada trajeto, de modo a equilibrar a oferta e a demanda, sem causar nenhum prejuízo ao atendimento à população”.

A SPTrans declara que é comum mudanças nas linhas afim de ajustar-se às demandas: “As linhas têm suas programações de partidas ajustadas periodicamente, observando as oscilações de suas demandas, mas sempre obedecendo a critérios de oferta de transporte e oferta de lugares estabelecidos para o sistema”.

Em relação a possíveis demissões, o órgão respondeu que foi criado uma comissão para requalificar os profissionais em detrimento a evitar demissões. O grupo é composto por representantes do poder público e dos sindicatos.

Sobre a Greve, a STPTrans alega que “Acompanha a movimentação do sindicato e fará todos os esforços para garantir o deslocamento da população”.

Cada vez menos ônibus

Desde 2013 a frota de ônibus da capital paulista vem sendo reduzida. Naquele ano, havia 15.025 veículos operando na cidade. Já em 2018 eram 14.458. A meta da nova licitação é chegar a 12.667. Os contratos, no entanto, deixam brechas para reduções ainda maiores nos próximos meses.

Mais caro

Além do acréscimo do valor da passagem, a Prefeitura também aumenta o subsídio para as empresas do transporte público. Neste ano a cidade de São Paulo corre o risco de ficar sem as verbas no último trimestre, isso porque o dinheiro deve acabar antes do tempo previsto, como ocorreu nos anos de 2017 e 2018.

De acordo com a gestão municipal, neste ano de 2019, a Prefeitura entrou com um débito de R$ 174,2 milhões referentes a repasses não realizados pelas operações entre os dias 05 de 12 de dezembro de 2018. Atualmente, o valor pago de subsídio chega a R$ 3,3 bilhões.

A gestão do prefeito Bruno Covas busca diminuir esse valor de subsídio. Entre as medidas adotadas, duas se destacam:

  • O aumento da tarifa do Vale-Transporte de R$ 4,30 (mesmo valor cobrado pelo Bilhete Único) para R$ 4,57;
  • A redução do limite de embarques pela modalidade, de quatro em duas horas para dois em três horas.

Entretanto as propostas não foram bem recebidas por grande parte da população e pelo poder judiciário, que em 27 de maio, a juíza Simone Gomes Rodrigues Casoretti, da 9ª Vara da Fazenda Pública, decidiu suspender as duas medidas.

Confira o aumento dos subsídios ao transporte na cidade

  • 2012: R$ 1,41 bilhão
  • 2013: R$ 1,64 bilhão
  • 2014: R$ 2,15 bilhões
  • 2015: R$ 2,13 bilhões
  • 2016: R$ 2,62 bilhões
  • 2017: R$ 2,92 bilhões
  • 2018: R$ 3,3 bilhões

 



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