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Quase 4 milhões de pessoas tiram sua renda pelos aplicativos

Segundo pesquisa do IBGE (Instituto Brasileiro de Geografia e Estatísticas), 3,8 milhões de brasileiros têm o aplicativo como sua fonte principal de renda. A principal motivação para isso é a falta de emprego formal e o aumento de oferta desta nova área.

O estudo mostra que 17% dos 23,8% autônomos brasileiros trabalham nos aplicativos, em especial como motorista e entregador. Segunda a pesquisa, a maior facilidade do emprego é a flexibilidade para escolher o horário de trabalho.

Adriano Marino Andrade, tem 45 anos e trabalha como motorista de aplicativo há dois anos. Ele conta que antes trabalhava como projetista no ramo de decoração, mas os problemas na economia fizeram com que ele tomasse outro rumo.

Ele pensa em voltar a ter um emprego de carteira assinada “Apesar de ter escolhido trabalhar dessa forma, por forças das circunstâncias, logo percebi que não seria para sempre, não por não gostar, mas por ser insalubre, desgastante e me privar, minimamente de tempo livre para realizar outras coisas”.

“Manutenção da dignidade”

Questionado se o trabalho de motorista proporcionou um equilíbrio financeiro, Adriano responde que é difícil manter uma estabilidade, porque “há muita imprevisibilidade de ganhos”. Ao invés disso, ele prefere falar que sua ocupação proporcionou uma “manutenção da dignidade”.

Tempo para a família

“Difícil. Tenho filhos adolescentes e crianças. Procuro almoçar em casa para vê-los em algum momento do dia” comenta Adriano. A preocupação de muitos trabalhadores dos aplicativos é de conciliar o trabalho com a família.

Um dos dias que Adriano tem mais tempo com sua família é no domingo “Preciso compensar o déficit da semana neste dia, que nem sempre é compreendido, pois são crianças e sentem falta”. Contudo, ele lamenta “Confesso que gostaria de ter mais tempo para acompanhá-los de maneira mais presente no crescimento deles”.

Aposentadoria?

Uma preocupação para o trabalhador autônomo é a aposentadoria. A opção para quem trabalha nesse ramo é contribuir com ISS (Imposto Sobre Serviço) através do cadastro direto ou através do MEI (Microempreendedor Individual).

Com essas contribuições, o trabalhador terá o direito a somente um salário mínimo na aposentadoria. “Não acho justo, pois trabalhamos entre 12 a 14 horas por dia, com alto custo operacional e riscos que começa desde altas taxas dos App, que dependendo da corrida chega a quase 40% de desconto, combustível, aluguel de carro (para os que alugam), IPVA, seguro, manutenção e até multas, assaltos e  batidas no trânsito” comenta Adriano.



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